terça-feira, agosto 29, 2006

Do Artur -

Acho que ele tem razão... Todos temos um dinossauro interior. Que é muito melhor na capoeira do que nós, mas extremamente desengonçado no resto.
O meu é um godzilla-iguanodonte-esfomeado-pirata.
Imagina isso!

Artur: Não imagino não! O meu tiranossauro é muito macho e gosta de morder as menininhas da minha classe.





Mario Quintana

Seleção de poemas de Mario Quintana, do livro O Sapato Florido:
( E, sim, isso é poesia...)
( E, sim, eu adorei esse livro)


O estranho caso de Mister Wong

Além do controlado dr. Jekyll e do desrecalcado Mister Hyde, há também um chinês dentro de nós: Mister Wong. Nem bom, nem mau: gratuito. Entremos, por exemplo, neste teatro. Tomemos este camarote. Pois bem, enquanto o dr. Jekyll, muito compenetrado, é todo ouvidos, e Mister Hyde arrisca um olho e a alma no decote da senhora vizinha, o nosso Mister Wong, descansadamente, põe-se a contar carecas na platéia...
Outros exemplos? Procure-os o senhor em si mesmo, agora mesmo. Não perca tempo. Cultive o seu Mister Wong!


Epígrafe

As únicas coisas eternas são as nuvens



Objetos perdidos


Os guarda-chuvas perdidos... aonde vão parar os guarda-chuvas perdidos? E os botões que se desprenderam? E as pastas de papéis, os estojos de pince-nez, as maletas esquecidas nas gares, as dentaduras postiças, os pacotes de compras, os lenços com pequenas economias, aonde vão parar todos esses objetos heteróclitos e tristes? Não sabes? Vão parar nos anéis de Saturno, são eles que formam, eternamente girando, os estranhos anéis desse planeta misterioso e amigo.


Arte de fumar

Desconfia dos que não fumam: esses não tem vida interior, não tem sentimentos. O cigarro é uma maneira disfarçada de suspirar...


Prosódia

As folhas enchem de ff as vogais do vento.


Só para si

Dona Cômoda tem três gavetas. E um ar confortável de senhora rica. Nas gavetas guarda coisas de outros tempos, só para si. Foi sempre assim, dona Cômoda: gorda, fechada, egoísta.


A companheira

A lua parte com quem partiu e fica com quem ficou. E, pacientemente, consoladoramente, aguarda os suicidas no fundo do poço.


O paraíso perdido.

Nasci em Shangri-La.
Pois quem foi que não nasceu em Shangri-La?


Parábola

A imagem daqueles salgueiros nágua é mais nítida e pura que os próprios salgueiros. E tem também uma tristeza toda sua, uma tristeza que não está nos primitivos salgueiros.


Inferno

Em suave andadura de sonho, sob uma infinita série de arco-íris celestiais, anjos me conduziam num palanquim dourado, entre um curioso povo de profetas e virgens, que formavam ala para me ver passar. Mas eu debruçava inquieto a uma e outra janela: faltava-me alguma coisa. Faltava... Faltavam os meus desafetos. Eu só queria era ver a cara deles, ver a cara que eles fariam quando me vissem passar, tirado por anjos, num palanquim de ouro!


Envelhecer

Antes, todos os caminhos iam.
Agora, todos os caminhos vêm.
A casa é acolhedora, os livros poucos.
E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas.


Exegese

- Mas que quer dizer este poema? - perguntou-me alarmada a boa senhora.
- E o que quer dizer uma nuvem? - retruquei triunfante.
- Uma nuvem? - diz ela - Uma nuvem umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo...


Quien supiera escribir!

O menino de joelhos sujos que chega em casa correndo e mal pode falar...
A velha dama que é agora obrigada a fazer renda para vender... de casa em casa, a coitada!... e que senta na ponta da cadeira, suspira discretamente e murmura: "A minha vida é um romance...".
Aquela moça que diz: "Não quero ouvir isto!" e tapa os olhos...
Ah, quanta coisa deliciosamente quotidiana, quanto efêmero instante, eu não gravaria para sempre na memória dos homens, se...


Hai-kai da cozinheira

A cozinheira preta preta
Preta e gorda
Com seu fresco sorriso de lua...


Mentira?

A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.


Da cor

Há uma cor que não vem nos dicionários. É essa indefinível cor que têm todos os retratos, os figurinos da última estação, a voz das velhas damas, os primeiros sapatos, certas tabuletas, certas ruazinhas laterais: - a cor do tempo...


Pequenos tormentos da vida

De cada lado da sala de aula, pelas janelas altas, o azul convida os meninos, as nuvens desenrolam-se, lentas, como quem vai inventando preguiçosamente uma história sem fim... Sem fim é a aula: e nada acontece, nada... Bocejos e moscas. Se ao menos, pensa Margarida, se ao menos um avião entrasse por uma janela e saísse pela outra!


Margraff

De uma feita, descobri nas costas da folhinh o seguinte precioso informe:
"O açúcar de beterraba foi descoberto em 1747 por Margraff."
Desde então, nunca mais pude esquecê-lo.
E quando procuro, ansioso, entro os nevoeiros da memória, uma data esquecida, um nome, uma citação, ei-lo que aparece, implacável, esse Margraff, à prova de balas e de esconjuros. Por quê? Estarei ficando...?
Ou será o pobre Margraff que tenta desesperadamente sobreviver, transformando-se em idéia fixa?


O recurso

Sempre que o Poeta vai falar, Nosso Senhor desliga o telefone. Alô? Impossível comunicação direta.
E bum catimbum e bum bumbum
E toca o pandeiro mulata meu bem
E bum catimbum

Oh! Não há nada como a irresistível marchinha do nosso bloco invicto e soberano, para entulhar esse horrível silêncio!


Filó

O negrinho Filó era um artista no pente. Naquele velho pente envolto em papel de seda, tirava tudo, de ouvido, desde a Canção do Soldado até La donna è mobile. A gente ficava escutando, com orgulho e inveja. Pois nenhum de nós conseguia tocar pente. Dava-nos cócegas e, como dizia Gabriela, "a gente se agachava a siriri que não parava mais". Quando ele morreu, foi logo declarando a sua qualidade, para S. Pedro: "Musgo!". E S. Pedro lhe deu uma gaitinha de boca. Uma linda gaitinha de boca! E até hoje ele vive explicando que não há nada como o pente... mas o Céu é tão perfeito que na sua Filarmônica não existem instrumentos de emergência: um pente, lá, é um pente mesmo.


O anjo Malaquias

O Ogre rilhava os dentes agudos e lambia os beiços grossos, com esse exagerado ar de ferocidade que os monstros gostam de aparentar, por esporte.
Diante dele, sobre a mesa posta, o Inocentinho balava, imbele. Chamava-se Malaquias - tão piquinininho e rechonchudo, pelado, a barriguinha pra baixo, na tocante posição de certos retratos da primeira infância...
O Ogre atou o guardanapo ao pescoço. Já ia o miserável devorar o Inocentinho, quando Nossa Senhora interferiu com um milagre. Malaquias criou asas e saiu voando, voando, pelo ar atônito... saiu voando janela em fora...
Dada, porém, a urgência da operação, as asinhas brotaram-lhe apressadamente na bunda, em vez de ser um pouco mais acima, atrás dos ombros. Pois quem nasceu para mártir, nem mesmo a Mãe de Deus lhe vale!
Que o digam as nuvens, esses lerdos cágados das alturas, quando, pela noite morta, o Inocentinho passa por entre elas, voando em esquadro, o pobre, de cabeça para baixo.
E o homem que, no dia do ordenado, está jogando os sapatos dos filhos, o vestido da mulher e a conta do vendeiro, esse ouve, no entrechocar das fichas, o desatado pranto do Anjo Malaquias!
E a mundana que pinta o seu rosto de ídolo... E o empregadinho em falta que sente as palavras de emergência fugirem-lhe como cabelos de afogado... E o orador que pára em meio de uma frase... E o tenor que dá, de súbito, uma nota em flaso... Todos escutam, no seu imenso desamparo, o choro agudo do Anjo Malaquias!
E quantas vezes um de nós, ao levar o copo ao lábio, interrompe o gesto e empalidece... - O Anjo! O Anjo Malaquias! - ... E então, pra disfarçar, a gente faz literatura... e diz aos amigos que foi apenas uma folha morta que se desprendeu... ou que um pneu estourou, longe... na estrela Aldebaran...

Uma história III

Ou:
A história da garota aymará que descia os degraus, ou: A longa escadaria de uma ilha perdida no meio do Lago Titikaka.

Duas horas de navegação pelo lago frio. O sol, que muito iluminava mas pouco aquecia, brilhava por sobre a superfície de pérola do Titikaka. O barquinho se movia devagar, poc-popoc, cruzando água, passando pelas ilhas de junco.
No horizonte aparece uma grande massa de terra amarela, a Isla del Sol. O guia nos diz que devemos aportar em um dos lados da ilha e caminhar até o outro, onde ficaria o restaurante. Tudo bem, caminhar aquece, é gostoso andar observando o azul da água se misturar com o do céu e com o amarelado seco do capim na terra.
Descemos no embocadouro e o barco saiu devagar, para nos pegar depois, do outro lado da ilha.
O grupo então se dividiu. Alguns foram na frente, outros, mais cansados e doentes ficaram para trás, caminhando devagar. Eu resolvi seguir.
Fui andando lentamente no começo, mas sei que não consigo fazer isto por muito tempo. Queria ser o primeiro. Andei rápido, quase apressado.
Passei por várias pessoas, ultrapassei um grupo inteiro conversando.
Até que fiquei sozinho. Andava sem me cansar, subindo e descendo colinas e morros, olhando para a ilha. Percebi que o guia tinha nos enganado: aquela não era de modo algum uma ilha pequena. O outro lado ficava uns bons quilômetros afastado, e o restaurante então... Mas tudo bem, era delicioso andar sob o sol, no meio de uma ilha, no meio do Titikaka, no meio dos Andes, no meio da América!... A água era quase verde próximo à praia e azul profunda no horizonte. De vez em quando se viam algumas casinhas de telhados vermelhos, onde moravam (no meio do nada) pessoas calejadas e senhoras de roupas coloridas, que andando de um lado para o outro na única estradinha da Isla del Sol. Sorria e balançava a cabeça para os velhinhos que passavam e imaginava coisas que me ajudavam a seguir em frente e rir(como o fato de que a palavra para "vamos!" em quêchua é "háccu").
Eu me sentia muito alegre por ter ultrapassado todos do grupo e alguns turistas no caminho, me sentia muito rápido, muito feliz, muito disposto a fazer qualquer coisa no mundo sem nem mesmo me cansar.
Até que eu cheguei na escada.
Ela descia, do topo da ilha até o porto lá embaixo. Era o porto do outro lado, onde se via uma vilazinha com um arco em ruínas como portão e, provavelmente, onde se encontrava o tal restaurante.
Comecei a descer a longa escada. Mais uma vez, me sentia veloz e ágil, passando por duas moças que estavam morrendo de medo dos degraus íngremes.
Alegre, invicto, o mais rápido daquela ilha toda!
Ia pulando de degrau em degrau, quase dançando, sentindo o sol.
Passei por uma casa, uma casinha simples de terra batida plantada na encosta da montanha, no meio da escada. A porta se abriu apressada e uma garotinha saiu, bateu a porta rápida e passou por mim. Ela tinha quase que dez anos, ou menos, usava uma linda roupa colorida e nem me viu.
Um pouquinho à minha frente ela começou a descer a escadaria. Eu, que tinha vencido todas as pessoas no caminho, achei que seria interessante passar a garotinha. Apertei o passo, pulei alguns degraus.
Ela, timidamente, seguia sem parar, com passos de cabrito, conhecendo cada rocha do caminho, sabendo sempre onde pôr o pé. Tentava correr o mais que podia na escada de pedra, mas o meu máximo só era suficiente para acompanhar o passo apressado da menina.
Ela descia a uma velocidade alucinante, quase voando. Para ela não era uma escada, era uma continuação do corpo leve, parecia feita de vento! Eu pulava, corria, me apressava; sabia que só um pouco mais rápido eu tropecaria e cairia feio, rolando escada abaixo até o porto. Não tinha mais velocidade do que aquilo, e ela.. ela dançava, sem se importar comigo ou nada ao redor.
Ficamos um tempo assim, correndo, correndo. Ela na frente e eu alguns passos atrás, cansado mas ainda determinado a alcançá-la ao menos. Descemos assim, juntos, uma longa sessão, antes que eu desistisse.
Perdi a competição. Quero dizer, a competição só existia na minha cabeça. Ela estava só andando apressada. Era eu quem queria me provar como o mais rápido. Ela não precisou provar nada, ela desceu os degraus tão agilmente que eu pensei que fosse impossível. Diminui o passo, incapaz de continuar aquela perseguição inútil. Desisti de ser o mais veloz e olhei a garota sumir escada abaixo.
Quando eu cheguei ao porto, nem sinal da menininha. Talvez ela já tivesse subido de novo por outra escada, talvez ela tivesse entrado em alguma casa.
Gostei imensamente dela, e prometi que nunca mais a esqueceria. Uma garotinha que morava em uma casa de terra, no meio de uma escada que descia uma enconsta de uma montanha em uma ilha perdida no meio do Lago Titikaka. E que descia os degraus mais rápida do que eu jamais poderia conseguir.

O silêncio impressionável

Meu silêncio não é impassível, ele tem sentimento. Mas de todo modo é silêncio.

[vou terminar isto depois...]

sexta-feira, agosto 25, 2006

Não é justo!

Vou reclamar com Hades!
O Sistema Solar tem agora só 8 planetas. Plutão foi rebaixado.
Esses astrônomos! Mexeram com o planeta errado...

quinta-feira, agosto 24, 2006

Meu dia perdido como Marjane

Hoje eu fiquei vagando por aí... Cheguei muito cedo na faculdade, horas mais cedo. Sentei-me em uma carteira e desenhei quatro páginas de um caderno novo. Sonhei com terras e ilhas além do mar.
Sabe quando você fica sem rumo? Quando seus pés simplesmente andam por aí, seguindo a calçada, mas a sua cabeça está em outro lugar completamente diferente. Então, foi o que me aconteceu hoje, enquanto eu esperava pelas aulas começarem.
Uma hora resolvi pegar um ônibus da Circular. Eu sempre tenho essa curiosidade em saber onde vão os ônibus depois que a gente desce deles.
(Eu sei que só a Camilla leu esses livros, mas a vontade de escrever essa comparação é maior do que a sensação de que é inútil porque ninguém vai entender:)
Me lembrei da Marjani Satrapi, a garota de Persépolis. Uma hora ela perde tudo o que tinha e fica simplesmente entrando e subindo nos bondes de Viena; o dia inteiro ela passa rodando pelas ruas, sem nenhum lugar para voltar, ou pessoa para esperar. Senti um pouco a mesma coisa, em uma magnitude menor. A circular subia e descia, parava na estação, contornava rotatórias e eu permanecia em seu banco, olhando as pessoas que passavam, conhecendo a USP, lendo Bodas de Sangue.
Sabe quando você simplesmente não tem nada para fazer? Nada a te motivar?
Li os textos para a aula, desenhei um pouquinho (quando a circular parava), pensei no comércio do Sael, na vida, no sol.
Passei na banca... e nada de One Piece... 15 dias esperando... ToT
Acho que agora conheço todos os prédios da universidade.
Todas as ruas e rotas dos ônibus.
Passei inclusive no MAE (museu arqueológico e etnológico), por curiosidade e por que você falou dele e disse que era tão bonitinho (você também disse que ele se parecia com um prédio de fazendinha, mas eu prefiro não ter escutado essa parte...). Tem uma coleção bonita. Fiquei ali, olhando os potes indígenas super alegre. Tem umas máscaras africanas assustadoras e objetos iorubás mó interessantes!
Aí veio a biblioteca, e mais desenhos e leituras.. Fiz um mapa enquanto lia o Dicionário dos Símbolos. Adoro desenhar mapas.
E então a aula de História da África.. Mandês, Benin, obás, rias da Gâmbia, planalto do Futa Jalão, São Jorge da Mina, Senegal, Tomboctou...

Eu realmente não presto para contar sobre o meu dia em blogs. É por isso que eu conto histórias e faço piadas. Talvez foi esse dia que foi esquisito e sem centro.
Não sei contar sentimentos.



P.S. - Tem um oní (rei) dos iorubás chamado Ovonramen... Entenderam? Ovo'nRamen! Ovo and Ramen!! Ovo e Ramen!!!
Às vezes alegria é tão desesperada....

terça-feira, agosto 22, 2006

As ilhas de Carbo

No Mar de Medira o Obá de Guadá controla o fluxo do ouro das minas de Mabel-malal. Ele tem uma longa e velha inimizade com o vice-rei João Yakubo, morador de Fechdra, posto mais avançado do reino de Raóke na direção do sul.
O sultão de Raóke e rei das Índias, Francisco Perembere, exigiu que seu Império atravessasse aqueles mares para chegar até a Ilha Sparka, portão aberto para o Mar do céu, que flutua sobre Carbo. Para isso, ele tem que enfrentar o Obá de Guadá, cujo poder crescente chegou até a ilha Sererê no sul, lar da velha e alegre cidade dos pássaros de Kawkaw.
A estratégia adotada era Caetano Flores de la Vega, explorador de sua majestade. Francisco Perembere ordenou que ele navegasse até a Ilha Sparka e encontrasse o caminho até o céu. Para isso, Caetano teria que navegar além dos reinos de Medira e através da Chachãmina, uma corrente confusa e distoante que faz os marinheiros se perderem; isso sem contar as terríveis ilhas vizinhas de Sparka no Mare Ilusios. Como o seu nome indica, ele é formado por ilusões e perigos disfarçados, onde nenhuma ilha é o que parece.

Dápa
Kazvin
Cadrã
Abençoada
Prometida
Lamlam
Malágapa
Magálapa
Mar dos Tritões
Sunílhas
Pecunílhas
Mora
Valabard
Akandra

De que adianta inventar tantos nomes e mundos para nada?
Até onde vai a imaginação?

segunda-feira, agosto 21, 2006

Tordesilhas 2.0 - Into the future...

Cuidado, viu.
O Papa pode abençoar a galáxia..

sábado, agosto 19, 2006

Obrigado gente! - ou: Prêmios prêmios prêmios para uma existência não virtual - ou: Eu vos amo!


Não é que nós não fiquemos tristes. Na verdade, eu sei que é bem o contrário. Mas parece que o universo nos deu um "bônus" presenteando-nos com nós mesmos. Somos tão loucos que só nós nos aguentamos! As outras pessoas também ficam mal e tudo, mas elas não tem com quem falar tanta bobagem e rir sem parar; somos muito sortudos por isso! Resolvi dar prêmios (já que é só pra isso que esse blog serve, aparentemente), só que dessa vez para coisas ditas sem pensar, coisas loucas e divertidas que me obrigaram a anotar. Vou premiar todos vocês, por serem tão engraçados.
Obrigado amigos!

Rol das frases engraçadas ditas sem pensar:

- Estamos em sete pizzas. - Marina, anunciando seus amigos.
- Eu não gosto de verdura... mas como Froot Loops. - Ugo, achando que o tal cereal é um tipo de fruta.
- Eu sempre me esqueço de tomar banho - Marina (ênfase no SEMPRE).
- Ah entendi! É daquela piada em que a gente morre e por isso fica repetindo a mesma frase! - Charles, o lento.
- Eu tenho um problemão para deixar as mangas da camisa iguais... - Marina, a estranha.
- Você agora é um cachorrinho!! - Clara para Charles em um flashback.
- Ah, eu me lembro que no recreio eu sempre via uma garota esquisita circulando uma árvore e falando sozinha em voz alta, gesticulando loucamente - Gabi sobre... adivinha, a Marina.
- ..... Ai!!.. Alguém mais ouviu isso??! - Clara, diante do silêncio
- "Batatinha quando dorme.." - Marina, recitando o poeminha infantil.
- Que irmã? A Talita ou a Batatinha? - Charles, que levou a frase anterior à sério.
- Ah tá! Achei que o Papa fosse um pai qualquer... - Marina, que claramente não entendeu a piada do Papa (sabe aquele, o Pontífice?)
- É, v(b)assoura. - Marco ; - Mas pessoa não tem nem v nem b!!! - Artur, o confuso.
- Onde eu tô moço? ; - No paraíso... (amigo da Gabi e motorista do ônibus conversando)
- "Eu tenho um namorado... ele é grande, forte e joga basquete... E o nome dele é Charles!" - Luda, rindo, rindo, rindo... (de mim)
- Que dragão bonito!! Quem fez? - Clara, sobre um dragão recém-montado pelo Marco e a Gabi (e com recém eu digo, naquele instante, com a Clara vendo).

^.^

Repararam que, frase sim, frase não, uma delas é sobre a Marina?

Não se preocupem, tenho certeza que essa lista ainda vai crescer... Visitem sempre!

quinta-feira, agosto 17, 2006

Loreena McKennitt


Blacksmith:
http://www.quinlanroad.com/audio/elemental/blacksmith.mp3

Lullaby:
http://www.quinlanroad.com/audio/elemental/lullaby.mp3

Eu não sei porque eu gosto de Loreena Mckennit. Eu não sei porque eu gosto de Enya. Nem sou muito ligado nessa onde de New-Age... Ou talvez eu seja, mas ainda não percebi?
Sei lá... Sabe quando a música entra dentro de você e... ressoa? Ela está certa, ela produz um efeito e atinge a gente. Isso acontece comigo.
Não viveria sem poder escutar música.

Zapper

Quando eu era criança, costumava sentir dores no corpo. Minha mãe chamava de "dor de crescimento" e dizia que eram os ossos aumentando e empurrando meu corpo. Desde então, sempre pensei que crescer era doloroso e machucava. Crescer em minha vida sempre foi um processo de abandono e de morte, em direção à um futuro desconhecido e novo. O contorno nunca era capaz de abrigar um interior mutante, por isso sentia machucar, sentia-me mal, sem poder fazer nada: meus ossos ditavam o ritmo e o caminho que meu corpo era obrigado a seguir. Sempre que eu tinha que mudar era a mesma coisa... Tentava tomar banhos quentes ou beber chá, mas a dor só ia embora com a noite. Lembro-me da minha avó me aconselhando a dormir, para que a dor passasse. Ela dizia que com a chegada da manhã eu já seria algo novo, algo que eu nunca poderia imaginar antes de ser.
Pois é.
A gente nunca escolhe o que vai ser. A gente se torna. Podemos chorar e gritar, nos revolver diante do machucar, mas não há como contornar a dor dos ossos em expansão
.

Hoshy


Sinto-me deserta. Um vazio me preenche. Desesperador.
Sempre menti para tentar me sentir melhor, mas agora vejo que tornei-me uma mentira também. Não sei mais quem sou. Fui um grande fingimento e só posso dizer que isso não me trouxe nenhum prazer, nenhuma aventura.
Falei tanto sobre o que não aprendi, inventei histórias sobre um tanto que não fui. Tentei ser alguém, mas resultou-se em fracasso.
Me perdi.
Se achrem-me por aí, avisem. Digam que estou em qualquer lugar.
Fracassei. Me parece errado dizer isso, já que nem ao menos tentei.
Fui um desastre. Menti e me enganei, dizendo ser quem eu não era, quem eu não fazia esforço algum para ser. Esforço? Nunca me esforcei para conseguir ser o que não-sou.
Não fui, não fiz, não sei.
Não sou nada agora.
E agora, o que eu fiz depois de dizer tanto?
Depois dos discursos coloridos sobrou-me o deserto.
Falei mentiras? Sim. Tratei de enganar desesperada a todos, sem saber que, no fundo, era eu quem queria, com o mesmo desespero, acreditar.
Ninguém havia me dito que os sonhos são belos, mas feitos de areia. Se não transformados logo, tenho à frente nada além de um vasto deserto.

Raiva

Quero destruir uma porta. Quero destruir uma esperança.
Quero te mostrar o céu.

Só que sempre me esqueço que a cidade cobre o seu céu com suspiros, barulho e fumaça.
"Muito cedo em minha vida ficou tarde demais."

É doloroso demais suportar a existência.

Eu realmente queria fazer alguma coisa pelas pessoas. Realmente.
Algo além de estar aqui.
Queria poder te tirar daí, onde é escuro. Não como príncipe encantado, nem como herói ou personagem. Como gente. Trazer a vida de volta para onde você está.
Se o seu inimigo é o mundo, como eu posso enfrentar o mundo?
Odeio o modo como as pessoas são convencidas a viver. Não há justiça, não é mesmo? Não há misericórdia, nem Deus, nem felicidade.
Isso não deveria ser assim. Nada deveria ser assim. Mas que droga de mundo é esse, que mata os estudiosos de Ohara, que permite a exploração, que justifica a crueldade e incentiva o ódio?
Queria poder lutar ou fugir. Proteger as pessoas do sofrimento.
São tão tolos alguns sonhos...

Um por um eles vão se apagando. Como velas no escuro.
A noite entra pela janela.
A vontade de gritar cresce. Chorar, espernear.. De que adianta?

O céu está ali...
..E nós sem asas...




... Nunca é simples, não é mesmo?

terça-feira, agosto 15, 2006

Não tinha nada melhor para dizer

Então, descoberta da minha vida. Sabe no desenho do Asterix ou em gravuras do império romano? Tinha sempre aquele estandarte esquisito da águia e tal com as letras SPQR:


É... eu descobri que elas são um acrônimo (encurtamento dito de um modo chique) e significam Senatus Popolusque Romanus. É o "Estado" do Império Romano. O nome da "commonwealth" deles...
Não era, como alguns pensavam, o acrônimo de Sono Pazzi Questi Romani (esses romanos são uns loucos)...


Eu tão vou apagar esse post...


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17/08/06

Então, como esse post ficou cheio de comentários engraçadinhos eu resolvi não só não apagá-lo como também reutilizá-lo várias vezes. É que eu gostei da imagem da Loreena lá em cima e resolvi deixar por mais tempo.. ^.^ Nada a ver!
Bom, taí, um post para vocês comentarem sempre, sobre... as coisas que eu descobri! Por isso olhem nele várias vezes e chequem sempre por coisas legais. Sabe como é... de repente eu começo a escrever várias coisas que estavam entaladas há dias e saem uns 4 posts seguidos (e continuo com vontade de escrever). Por isso vos apresento um post reciclado! tchrãns!

... Sim, era só isso...


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Um post feito em resposta a um post feito pela Clara n'o Fundo do Poço.

Quem sou eu?


You Were a Cougar

You are a great leader who has dominance without ego.
You are wickedly cunning and off the scale confident.



You Are Sunset

Even though you still may be young, you already feel like you've accomplished a lot in life.
And you feel free to pave your own path now, and you're not even sure where it will take you.
Maybe you'll pursue higher education in a subject you enjoy - or travel the world for a few years.
Either way, you approach life with a relaxed, open attitude. And that will take you far!



You Are

A Distressed Pumpkin Face

You would make a good pumpkin pickle.



What Your Soul Really Looks Like

You are a wanderer. You constantly long for a new adventure, challenge, or eve a completely different life.

You are a grounded person, but you also leave room for imagination and dreams. You feet may be on the ground, but you're head is in the clouds.

You believe that people see you as a bit small and insignificant. People pay more attention to you than you think.

Your near future is in a very different place (both physically and mentally) from where you are right now.

For you, love is all about caring and comfort. You couldn't fall in love with someone you didn't trust.



Your Life Path Number is 8

Your purpose in life is to help others succeed

You are both a natural leader and a natural success. You are also a great judge of character.
You have a head for business and finance. You know how to make money.
A great visionary, you can see gold where other people see nothing.

In love, you are very generous - with gifts, time, and guidance.

You love to inspire people, but it can be frustrating when they don't understand your vision.
Great success comes easily for you. But so does great failure, as you are very reckless.
You are confident, and sometimes this confidence borders on arrogance.



You Should Rule Saturn

Saturn is a mysterious planet that can rarely be seen with the naked eye.

You are perfect to rule Saturn because like its rings, you don't always follow the rules of nature.
And like Saturn, to really be able to understand you, someone delve beyond your appearance.

You are not an easy person to befriend. However, once you enter a friendship, you'll be a friend for life.
You think slowly but deeply. You only gain great understanding after a situation has past.



Your Hidden Talent

You have the natural talent of rocking the boat, thwarting the system.
And while this may not seem big, it can be.
It's people like you who serve as the catalysts to major cultural changes.
You're just a bit behind the scenes, so no one really notices.



Your Pirate Name Is...

Lord Thor



Your French Name is:

Sébastien Touchet



Your Monster Profile

Insane Demon

You Feast On: Hot Dogs

You Lurk Around In: Sewers

You Especially Like to Torment: Emo Kids



Hehehehehe!!! Emo kids are my lunch!!

sexta-feira, agosto 11, 2006

Os sonhos de Clara Mellock - quarta parte


Velho Tom cofiou seu bigode devagar, piscou os olhos algumas vezes, apoiou-se em sua mão e serviu-se um pouco de chá. Finalmente, quando Mellock já não podia mais aguentar o silêncio ele disse devagarinho:
- Lamento, não sei se poderei realmente ajudá-la. Você sabe que sou uma lembrança apenas, então nada de concreto sairá de mim.
- Eu sei, claro, eu não esperava mais, atrapalhou-se a escolhida. Queria apenas que você olhasse esse papel, ela disse, tirando uma folha amassada do bolso. Desdobrou-a com cuidado e entregou-a ao senhor sentado. Isso é seu, não é?, ela perguntou.
Tom abriu com cuidado a folha maltratada. Com uma letrinha curiosa estava escrito o seguinte:
Sonho de origem duvidosa nº103535chM: Sonho de uma grande borboleta que voava por sobre um campo e entrava no moinho. Ela passa então a devorar os sonhos e a imaginação das pessoas, que estavam estocadas no moinho. Tudo fica escuro. O som de correntes e passos domina o ambiente. Era o dia do Juízo Final, quando todos os sonhos, os mortos, reviviam e a realidade desaparecia, se tranformava em um grande pesadelo. As pessoas esqueciam-se de quem eram e do que era ou não real e passavam a usar máscaras e a falarem sozinhas como loucos.
E mais abaixo, de tinta azul:
Sonho claramente subversivo forjado por um morador da Terra dos Sonhos para criar confusão. Não passa de uma fantasia de mau gosto.
Tom deu uma longa e agradável risada.
- Sim, ele disse por fim. Isso é meu.
- E esse sonho, é verdade? Mellock perguntou curiosa, inclinando-se em sua direção.
- Sim! ele respondeu arregalando os olhos muito sério. Isso é mais do que autêntico, apesar de que ninguém lá na Torre da Memória tenha acreditado. Sonhei isso, tenho a mais pura e cristalina certeza. É meu sonho, pode confiar.
- Mas eu achei que os habitantes da Terra dos Sonhos não pudessem dormir.
Neste momente Tom recostou-se na cabeça e olhou para o céu, como que pensando em uma resposta adequada. A paisagem mudara inteiramente ao redor dos dois. De uma floresta profunda surgiu um deserto seco e áspero. Mnéias, ainda uma inofensiva mariposa, voejava mais adiante, sem dar atenção aos dois.
- Nunca nada é totalmente seguro e não se deve ter certezas demais. Muitas coias que são dadas como impossíveis são apenas coisas que ainda não acharam chance de acontecer, pois tudo o que o ser humano é capaz de imaginar é uma possibilidade no real.
- Então o senhor dormiu?
- Pode-se dizer que não, mas eu sonhei, tenho certeza.
Mellock por sua vez caiu para trás, pensativa.
Tom olhou-a sorrindo enquanto bebericava o chá.
- Não é a resposta que você esperava ouvir, não é mesmo?
- Eu só queria saber, era uma curiosidade.
- Sim eu sei. Mas você também esperava uma resposta.
- Acho que eu queria que você me mostrasse que os habitantes da Terra dos Sonhos tem também um lugar em Mnéias, que eles podem sonhar.
- Mas eles tem! adiantou-se Tom. Eu mesmo sei, porque vivi aqui como lembrança durante muito tempo. Conheço algumas mentes e segredos deste lugar.
Mellock olhou para o céu pesado, cor de chumbo. Ficou meditando longamente, balançando os pés e contemplando o horizonte.
Tom cruzou os braços e também ficou a olhar o vazio.
- Você me ajuda?, ela pediu devagar.
- Tudo o que eu ainda puder fazer.
A escolhida se levantou da pequena mesa de chá.
- Preciso encontrar uma coisa... Uma pessoa para ser exata.
A lembrança de Tom deu outra risada. Eu sei, ele disse por fim. Sei quem você procura e onde achá-la, mas saiba que a memória dela está bem fundo, debaixo da terra. Teremos que escavar para achá-la.
- Você sabe a memória que eu procuro?
Tom olhou-a, testando suas reações - Mas é claro! Sei exatamente no que está pensando... Não venha me dizer que ainda não percebeu?
Diante do olhar inquisitivo da senhora ele prosseguiu:
- Esse tempo todo você esteve me buscando, pensando em como faria para desvendar o meu segredo e a minha morte. Acontece que agora, eu que sou lembrança e pensamento, faço parte de você. Você me pensou e abriu uma porta para que eu entrasse em sua cabeça. Eu sou você Clara Mellock, mas também sou algo além. Sou uma memória que você compreendeu e um pensamento que você lembrou. Eu não sou mais Tom; agora pertenço à todos que pensarem em mim.

Pela janela você entrou, sem que eu percebesse

Diretamente do fim do mundo, das terras esquecidas e primitivas onde o tempo parou no seu início, eles chegaram....



... os prêmios!!!

Sim, meus eminentes colegas! Acharam que nunca ia chegar esse dia? Pois ele está na nossa cara, bem aqui!

A novidade dessa vez? Teremos um apresentador!! Com vocês o meu alter-ego no reino das aves: Robin P. Ássarinho!!



Esta noite o sr. Ássarinho se ocupará tentando entreter-vos com seus gorjeios. É aqui que eu me despeço... Até maais!
Robin: Obrigado Charles! Pode deixar que eu pio de agora em diante. Bem, senhoras e senhores, sem mais delongas... os piu-piu-prêmios!!!
Multidão: Ééé!!! Vai nessa!!!



Robin: Em piu-piu-primeiro lugar... temos que dar o prêmio para duas grandes competidoras que foram (diga-se de passagem) as únicas que se inscreveram e responderam corretamente as perguntas daquele concurso antiiigooo... Então, uma salva de palmas para.... Clara e Camilla!! A dupla que não é nenhum alpiste!
Clara&Camilla: Muito obrigado, valeu mesmo gente. Nós somos as melhores, respondemos tudo o que o Cham pediu! Agora queremos o nosso prêmio.
O seu prêmio será um linda HQ em que vocês são as personagens principais, desenhada por ninguém menos do que o Charles!!
Charles: Pois é! Estou começando agora mesmo. Se chama: Sobre como as duas incríveis e lindas garotas chamadas Clara e Camilla dominaram o mundo e porque nós, que não somos elas, somos lixo.
Um incrível título, sem dúvida. È assim que nascem as melhores HQs..
Clara&Camilla: Nós merecemos!! Muito bom Charles, desenhe para nós as instruções, passo a passo para a dominação mundial.

Enquanto elas se divertem vamos ver outros prêmios! Para começar, uma categoria muito respeitada:

" Oh, meus sonhos! Você os destruiu!"

Utak said:
Charlie, odeio quando você postas essas histórias, eu fico tão aflito, gostaria de ler, mas perderia horas de minha vida v.v"

Utak said (again):
Você é estranho
nao, charles voce nao pode ser um pirata... (...) na realidade se você sair por ai recrutando pessoas para acher tesouros voce vai preso...

Robin:Na verdade... acho que não!! Mas, bem... é o Ugo!!!
Multidão: Quiá, quiá, quiá, quiá!!!
Robin: Agora, outro prêmio bem concorrido, que nos faz rir desde há muito tempo. Como vencedor da categoria...
"Essa piada nunca cansa!!"
... nós temos:

Anonymous said:
O Charlie é a Enya!

Ass: hm... [olha ao seu redor para inspiração].... é... [vê uma galeria de arte] Art... Art... [vê uma antiga cidade babilônica] ...Ur! ArtUr! [percebe que resultou igual ao seu próprio nome] Droga!


Ha ha ha ha!!
Lhama: É engraçado toda vez!!!
Robin: É isso aí! Venha receber o seu prêmio senhor anônimo! O que? Ninguém sabe quem é ele?? Hum... como vamos dar esse prêmio agora? Procurem por um Art-Ur. Art-Ur! Alguém aí na platéia se chama Art-Ur?!! Ah, esqueçam, é um nome inventado! Ninguém tem um nome esquisito assim. Bem, ele vai ficar sem prêmio...
Agora, a seção favorita de alguns. A parte das maldades!!


Prêmio "Meus amigos me desejam o bem!!"

Artur said:
Charlie, no jogo [da Dokuro-chan] você é o Sakura...

Robin:Nossa, vocês querem mesmo que a cabeça do Charles continue no lugar...

Milla said:
Charles, eu te odeio!!!!!!!!!!!!!
COMO VOCÊ PODE IR EMBORA SEM ESCREVER NO PIRATE'S TALE?????? Como você teve a coragem depois de EU ter assistido Dokuro-chan???
...você sofrerá as consequências...

Robin: Quer um conselho? Foge Charles!! A Camilla é do MAL!!

Utak said:
Bom Cham, primeiro lugar:
Eu não acho mais que você seja gay

Robin: Aaaaaahh bom!! Não acha mais! Isso sim é reconfortante!

"Prêmio Verdadeiras Naturezas" - Três vencedores

Pioux said (para Charles):
sabia q vc era um esquilo!

Robin: Ôpa! Ela descobriu!!

Deus said:
Eu sou Neyleen!

Artur said:
ele podia ser bissexual...

Robin: Sim, ele podia ser bi mesmo..
Silvestre (lá atrás):
Eu tambéém!
Robin: Hãã... Ok... Então... Tirem esse cara daqui!
Agora o prêmio mais disputado! (aparentemente o favorito de vocês)


Prêmio "Coonversa louca"

Luda said (sobre uma postagem de um anônimo que se revelou ser a Clara):
Ops!! Desculpe Clara, eu achei que era o Cham, sabe como é, escrever coisas bobas!!!!!huahuahuahuahuahuahua, tô brincando, tá?

Pioux said:
e eu n te entendo u.u

Charles B. said:
E daí! A Luda usa computador!!! Precisa de mais??

P.S. - Oi Luuda!!!

cpiochi said...
hihihi
agora q eu peguei o umbigo!
^^
bah.... num gosto da ilha do céu... prefiro a dos aviões =p

Multidão: AAAAAhhhhnnnn?????
Robin: Acho que o pessoal do futuro vai ter um problemão entendendo a nossa geração!!! À propósito Clara, agora que você pegou o umbigo... não solta não! Hihihi!
Agora os outros vencedores:


Charles B. said:
Olha! Tem eco aqui.

Ugo said:
o eco tem site! eu nao ¬¬

Pioux's said:
o eco eh do mal e vai destronar o chan!

Pioux's said:
O eco é do mal e vai destronar o charles!
E ainda corrige o pertuguês!

Pioux's said:
O eco é do mal e vai destronar o charles!
E ainda corrige o português!
E vai acrescentando frases conforme o tempo passa!

Pioux's said:
clones malditos -_-

Pioux's said:
Mas eu sou azul!
=ppp blé

Charles B. said:
É... eu entendo...

Charles B. said:
É... Eu entendo...
Ihhh quem será que é o Eco?

Robin: Palmas para eles!! Reparem que a Clara consegue se divertir sozinha, não?
Agora, o prêmio de...


Jogo Favorito da Criançada

Pioux's said:
chan..... rolam boatos que você deveria atualizar... =p

Charles B. said:
Eu não acredito em boatos.

Pure said:
Rola só um pequeno detalhe:
num tem descrição da Karyn! e eu num sei quem ela é!
vc bem que podia me explicar...
definitivamente, uma parca qualidade.

Pioux's said:
pois devia
(Luke devidamente ignorado)

[enquanto isso, no profile, o Charles se torna rei do mundo]

Pioux's said:
Ohhhh senhor monarcaaaa!!
o.O
*se curvando*

Charles B. said:
*irônico*
Ha... ha... ha...
*no fundo bem feliz pela conquista mundial*

Pioux's said:
mundial entre aspas pq a minha árvore ainda é minha
*clara esquilo*

Charles B. said:
Tá bom, que tal:
"O mundo inteiro exceto a árvore feliz da Clarinha".
Porque isso eu nunca, nem com mil exércitos poderia conquistar. O ataque mostradente dela derrotaria qualquer guerreiro do mundo.

Pioux's said:
é ... eu sei ^^^
Donnnnnnn

Charles B. said:
Ahhhhh.... que fofuura!!

clara said:
blé

Pure said:
Hey!
é feio me ignorar!

Pioux's said:
eh nda... eh divertido =ppp

Charles B. said:
Com quem você tá falando Clara???

Robin: É isso aí pessoal, muito bem! Só que ainda não sei se o jogo favorito da criançada é dominar o mundo, criar conversas sem sentido ou ignorar o Luque!!! (talvz os três!)
Ahh, é uma piu-piu-pena, mas estamos no fim já!

Multidão: Aaaaaahhhhh.... *snif*
Robin: É aqui que eu me despeço. Espero que vocês tenham se divertido esta noite. E lembrem-se: Dêem o seu dinheiro para o Charles!!!
Lhama: Errr... Robin, a hipnose não funciona com eles..
Robin (fazendo biquinho fofo): Que hipnose? Eu estava só... brincando... Piu?
Lhama: Ai! Que amoooor de meninooo!!! Pegue aqui o meu dinheirinho...
Multidão apaixonada pelo passarinho: E o nosso também!!!
Robin: Obrigado pessoal! É isso, por enquanto foi só!! Muitos prêmios da próxima vez, tá bom? Não se esqueçam de comentar sempre, vocês são engraçados! Adeus, adeus! (sai voando)


FIM!

segunda-feira, agosto 07, 2006

Gwich

A xamanisa, puxou o bordado para mais perto. Continuou a mover sua agulha sem pressa, construíndo um desenho estrelado na colcha.
- Que tempestade terrível está acontecendo lá fora, ela falou para a gralha empoleirada próxima à lareira. Parece que o mundo resolveu cair em cima de nós hoje.
A ave escura piou agourenta.
- Quando a neve cai assim não há como sair de casa. Uma pena, queria tanto olhar o céu.
Gwich puxou a colcha molambenta mais para cima e se cobriu com ela.
- Nada de estrelas hoje, Galabura.
A ave olhou para a janela.
- Nada de sair para falar com os ursos também, continuou Gwich. O pico estará fechado para qualquer visitante enquanto a neve continuar.
Galabura, a gralha, começou a piar excitada, movendo rapidamente as asas para cima e para baixo.
A bruxa abriu um olho e espiou os movimentos frenéticos da ave.
- Você tem certeza de que estou errada? ela perguntou sorrindo. Você viu a tempestade lá fora, não viu? Ainda tem certeza de que há gente vindo?
O pássaro começou a voar em círculos pela pequena cabana.
- Se bem que..., começou Gwich. As estrelas estiveram estranhas esses dias. Não me surpreenderia se... Páre Galabura, faça silêncio e deixe-me pensar!
A ave continuava a se mover apressada, piando alto.
Um idéia muito perigosa dominou os pensamentos da bruxa.
- Não pode ser!, gritou Gwich. Estive assim tão distraída? Maldita tempestade, será que a hora já chegou?
Com um pulo Gwich, a xamanisa, conhecida também como Cailleach Poliahu, saltou de sua cadeira derrubando a colcha no chão. Partiu para a porta e a abriu com um puxão enérgico. O frio perfurante invadiu a pequena cabana, trazendo flocos de neve consigo.
Galabura imediatamente voou para fora e sumiu na escuridão gelada.
No chão, bem na soleira de sua porta, Gwich encontrou um homem.
Caído, com frio e tremendo, estava um senhor idoso, de óculos tortos e olhar vazio.
- É você? perguntou clamamente Gwich. Aquele que eu estava esperando?
- Meu nome... é Fren Armmad-
- Agora não., sussurrou a xamanisa, puxando-o para dentro. Colocou o homem em sua poltrona próxima ao fogo e a colcha por cima.
- Meus amigos... eles ainda... estão lá - ele apontou para fora.
- Eu sei, eu sei... ela suspirou, vestindo uma enorme pele de urso para se aquecer. Vou buscá-los, por isso fique aqui.
- Obrigado... mesmo, eu-
Gwich já saíra, sorrindo.
Achara o seu escolhido do Gelo.

Teobolt estava encolhido por cima dos garotos, tentando protegê-los do vento. À muito não sentia mais suas costas ou dedos e torceu para que Fren não demorasse.
De súbito um ruído de mau agouro cortou o barulho da nevasca. Uma grande gralha cinzenta pousou ao seu lado.
- Vá embora.. murmurou Teobolt, tão baixo que ele mesmo não se ouviu.
A ave piou.
"Isso é morrer? É essa a imagem da morte. Ela veio nos buscar."
Com determinação, ele puxou Neyleen e Myshba para mais perto de si. Não deixaria que ela os levasse.
Mizudinie pôs a mão em sua bochecha, como um sinal tranqüilizador. Depois, apontou para a direção em que Fren sumira na noite escura.
Uma enorme figura se movia devagar na neve. Parecia um grande urso peludo que se arrastava contra o vendaval, indo na direção dos viajantes.
- Fren... ele conseguiu... murmurou Mizudinie. ...Ajuda..
A gralha piou mais uma vez e a enorme figura pôs uma pata por sobre Teobolt
- Vamos, vamos... É só mais um pouco à frente. Vocês podem conseguir - dizia uma voz sobrenatural que parecia mais adequada à um espectro do que à grenade figura peluda.
- Quem é você? perguntou Foxy. Seus olhos estavam apagados e seu corpo dormente, mas ainda assim ele não confiaria em sombras misteriosas.
A figura peluda riu como uma bruxa.
- Vamos agora. Sejam bem-vindos às Terras Frias, reino de Gwich.
- É uma feiticeira... sussurrou Neyleen, sem forças.
Uma mão saiu de dentro da massa peluda e pousou no rosto da garota. Sou sim, ela disse, e fechou os olhos de Neyleen devagar. Agora durma, disse Gwich, todos vocês.. Estarão em segurança logo...
Uma canção primitiva invadiu os ouvidos de Teobolt. Um ritual de algum tipo se iniciava... O vento silenciou, o sono cresceu e uma voz cantou.
Teimando em ver se todos estavam em segurança, Teobolt lutou contra a vontade de dormir e contra a sensação de ter seu corpo sendo carregado por forças invisíveis. Sentia sempre a grande gralha do seu lado, piando baixinho. A aurora brilhava no céu. As estrelas piscavam entre a nevasca. Uma mão conduzia-os para onde não era frio.
Sem força alguma para resistir, Teobolt adormeceu.

O Sambation, o Teobolt e meu Pai

Sambation poderoso. Corre sem se findar no coração do reino dos Hrus.
Acima do poderoso palácio do Rei das Rochas está a sua nascente, de onde desce interminável um constante fluxo de pedras, cascalho, pedregulhos e rochas rolantes.
O Sambation é um rio de pedra, os Hrus são os homens-rocha. E Teobolt é um homem perdido que tinha como pai o maior ferreiro do mundo.
Ontem eu percebi o quanto eu sou parecido com meu pai.
E, ao mesmo tempo, tão diferente.
Teobolt busca o seu pai, ou a memória dele. Ao re-forjar a espada de Haccu, ao encontrar o reino perdido dos Hrus, ao domianr o Sambation que iria destruir tudo ou ao entrar na temível Montanha Negra, onde foi preso e condenado o maior ferreiro do mundo.
Caminhando pelas montanhas da grande Cordilheira central de Kyzywky, Teobolt tem que se encontrar, saber para onde vai e descobrir de onde veio. Porque as rochas tem leis muito fixas, e sua linguagem intrincada dita o mundo.
Talvez ele tenha um outro pai, talvez ele tenha um irmão orgulhoso e arrependido. Talvez Teobolt faça uma última marcha, talvez ele salve o Rei das Rochas de ser engolido pelo rio de pedras, talvez ele se esqueça de quem é.
Afinal, quem sabe que demônios atormentam aquele que se aventura no Sambation?
No fundo, eu também queria saber quem é o meu pai. Dividimos o mesmo nome e, por um tempo eu pensei, o mesmo destino. Para saber quem é meu pai e quem eu sou, tenho que aprender a linguagem das pedras e os caminhos da mão. Mas tenho medo e não sei por onde começar; as ondas são altas e o mar bravio. Ao fundo, a serra do mar domina a paisagem.
Afinal, quem sabe que demônios atormentam aquele que se aventura no Sambation?

desenhar...

Tenho várias idéias para HQs/mangás. Quer ouvir?
- Em uma delas eu e a Clara somos piratas e viajamos por várias ilhas malucas em um universo similar ao de One Piece. A que tinha a Moshy e a Marina-lôbinha, sabem? A Gamma seria um espírito da floresta nesta ilha (personagens de vários lugares se misturavam). Mas o que mais me empolgou foram os vikings. Em uma ilha nós conhecemos a Banda Desenhada, um grupo de loucos guerreiros que lutam pelo que eles acham certo em um reino governado pelo tirânico Dracul. Adoro desenhar gente louca disposta a tudo...
- Queria desenhar também uma HQ sobre o universo da pirataria. Como o filme famoso Piratas do caribe. Onde se misturam histórias reais, lendas marítmas, contextos históricos e aventura, aventura, aventura.
- Também tive uma idéia sensacional para uma curtinha (como Calvin&Hobbes, quatro/cinco quadrinhos apenas). É no estilo de coyote-persegue-papa-léguas e é sobro Oco Khan e sua trupe de mongóis tentando ultrapassar a Grande Muralha da China. Em cada mini-episódio eles tentam com foguetes, túneis subterrâneos, cavalos de madeira, exércitos ninjas e tudo o mais que a sua inventividade permitir. Mas nunca dá certo. Oco Khan volta de mãos vazias para sua tribo e adere à filosofias niilistas e entra em negação. Seria engraçado vê-lo tentar várias vezes.
- Outro legal era sobre um garoto que vive assombrado por vários fantasmas. Seria o Mike Maldito, incomodado por uma amazona louca viciada em guerra, uma velhinha surda, um gigante viking, um artista gay, ou qualquer outra assombração esdrúxula eu conseguir inventar.
- Assistindo Samurai Seven (um animê) tive a idéia de criar uma HQ/mangá sobre uma aldeia. Sobre as pessoas que moram lá e tal. E todos são meio esquisitinhos. A cada episódio o leitor ficaria conhecendo um pouco mais sobre os moradores, que não se mostram gente comum. Talvez eles até tenham problemas com bandidos e vão pedir ajuda, no estilo de Os Sete Samurais ou Vida de Inseto. Tava pensando também (como inspiração) no livro do Circo, em que os artistas se cansam do picadeiro e vão morar em um vilarejo abandonado, tendo que ser algo que nunca foram antes. Seria uma vila de gente incomum, uma história do cotidiano dessas pessoas. Com vários fashbacks e interações.


O problema é que eu não acho que vou escrever nenhuma delas. Tenho vontade sim, mas ainda não estou artisticamente maduro para fazer algo direito e decente. Não sei desenhar muitas coisas e preciso treinar cada vez mais para conseguir chegar à um patamar que me agrade no referente ao desenho de HQs. Só que meu caminho parece se desviar dos desenhos... Se alguém quiser, pode tentar realizar alguns desses sonhos aí. Só me avise primeiro...
Eu não sei se chego lá.

...

Eu gosto muito de One Piece. Acho que o Eiichiro Oda é muito bom em contar histórias em mangás. Sei lá, ele me emociona tanto. Fico com ódio dos planos terríveis do Crocodile, sinto tristeza pela morte do Hiruluk junto com o Chopper, fico com raiva do mundo que persegue a Robin, torço para que o Ruffy consiga vencer sempre e rio pra caramba das bobagens que eles fazem. Entro dentro da história muito fácil. Ou vai dizer que você não pulou uma batida do coração quando o Crocodile soltou a Bibi do topo do palácio de Alabasta e o Ruffy retornou voando bem quando você imaginava que a guerra nunca ia ter fim e que eles nunca iam salvar o reino. Esperança, cara! Quem é que consegue desenhar esperança?! O Eiichiro Oda consegue!
É só se deixar envolver.

Outra coisinha sobre One Piece: da primeira vez que eu vi o Mr.2 eu pensei "tá, ele é gay, e por isso ele usa cisnes nas costas e dança balé.... Ei! Isso é mó preconceituoso! Homem que dança balé é gay? Que injustiça. Não acho certo esse eterno esteriótipo de gay = rosa, balé, afetação excessiva. Puxa esperava mais do Eiichiro Oda!"
Mas aí a história avança e você percebe que ninguém mais liga para esteriótipos ou homofobias porque o Mr2 é LEGAL PRA CARAMBA!!! Você passa a amar ele e a querer imitar os passos de balé.. err... okama kenpo. (okama=gay em japonês). Quem liga pra homofobia quando o personagem é carismático!! O Mr2 é o mais engraçado!!!
Un!.. Deux!!.. Orrah!!! Swan Arabesque!!1
Só que ainda é divertido ver o Sanji chutar a cara dele.

...

Gosto de criar personagens baseados em nós. Queria uma vez introduzir em alguma HQ a Dupla Cogumelo, o Champinhon e a Shitake. Dois louquinhos alegres que corriam por aí espionando os outros.

...

Eu queria um dia escrever uma história em quadrinhos... Não sei qual ou quando. Na verdade eu fico meio triste porque acho justamente que não vai acontecer. Sei lá... parece meio fora do meu caminho... Já tenho muitas coisas pra fazer e objetivos, não consigo adiionar mais um. O pior é que eu realmente adoro desenhar e queria me tornar um bom HQzista (se existir uma palavra melhor para essa profissão me avisem).
Eu já vou ser pirata, historiador e escritor. Será que não caberia desenhista aí também? ...Eu pensei em ilustar algumas partes do Krystalian. Ah, me desculpem, eu disse ilustrar? eu quis dizer desenhar. Sim, ao invés de prosa, desenhos. Acho que tem muitas partes que são um bocado visuais e que seriam bem divertidas se fossem desenhadas. Isso parece divertido (para mim, pelo menos). Já pensaram? Um livro que tem partes desenhadas (não ilustradas, desenhadas mesmo). (Ele ainda não existe na minha vida, mas eu tenho certeza que o meu editor vai me odiar)

Eu gostaria de escrever uma HQ...
Direito, bem desenhada e com uma história envolvente.
Queria desenhar uma One Piece da vida... Mas acho que precisaria de mais uma existência além desta vida para fazer tudo o que eu quero.

...

Bolar histórias sobre vikings é o que há! Grandes guerreiros destemidos e impulsivos cheios de armas e risadas hõhôhõ! Acho que sinto a mesma coisa que o Goscinny e o Uderzo, imaginando um pessoal louco e rebelde, que faziam o que lhes vinha à telha. Bem, se você pensar é uma grande crítica do mundo. O desejo é libertador; a vontade e os sonhos hão de criar um caminho, provocando mudanças no mundo.
Ao fim e ao cabo, é isso que eu quero dizer pras pessoas com tudo isso.

domingo, agosto 06, 2006

Deixem-me contar o meu desejo.

Ele é mais ou menos assim:
Queria colocar um comentário no blog da Marina
O único, solitário comentário do post.
E ele seria só "Au!".
E todos veriam na tela:
"Alguém latiu ao longe".

Absoluto

Eu não sou o Haccu.

Uso esse nome como pseudônimo às vezes, mas Haccu não sou eu dentro do Krystalian.
Mentira!... Ou melhor: meia-verdade. Eu sou muito o Haccu. Muito de mim está nele. Muito do que eu quis ser e fazer está nele. Mas de modo algum eu sou apenas o Haccu.
Sou todos os personagens. E ao mesmo tempo sou algo diferente.
Mellock tem hábitos e sonhos meus, Gamma se irrita como eu me irrito, Neyleen é chata, Fren é racional, o coração de Etlyr pula quando ela pensa em outros lugares acima do céu, Mizudinie anseia pelo mar, tudo como acontece comigo. Eles saíram de dentro de mim, eles são como eu. Senti tudo. A Perdição, a Esperança, a Redenção.
Nunca poderia falar do desespero de Gamma na caverna se não o conhecesse. Ao menos é o que eu penso. Não poderia falar de algo (ou pelo menos falar corretamente de algo) desconhecido. Nem que seja desejado.

Então eu sou Haccu.
Eu sou Sark.
Eu matei muita gente. Eu conheci o mundo.
Tudo sou eu.
Absoluto.

H. Sark

Não sei o que dizer...

(Me sinto um traidor. Tanto esforço para esquecer ignorado. Tantas vezes um mesmo trabalho reiniciado.)

Sombra e Luz
Não importa muito qual caminho escolher. O sofrimento é eterno. A dor é pungente.
Nunca mais esquecer o que foi.

Helena.

Isso é assim mesmo. Nunca vai ficar certo, nunca vai endireitar, não adianta, tentar é bobagem, eu avisei, desista, o olho não aparece mesmo, deixa como está, eu quero assim.

.

O Charles enlouqueceu. Podem reparar nos últimos posts.

" - Tenho medo também, sabe? Medo de que me apaixonar seja uma escolha muito, muito estúpida. Talvez seja mesmo, por natureza.
- Não diga assim.
- Digo sim. Não me importo.
- Você sabe que ela quer gostar de você também - suspirou Etlyr - Ela está muito triste, sofre demais com o que os outros fazem. Você podia esquecer um pouco de si mesmo e ajudá-la.
- Querer querer não é suficiente. O medo de uma nova queda é grande. Não consigo me arriscar sabendo que, se errar, terei de sofrer outra desilusão.
- Você é um bobo.
- ...Como?
- Não devia ter medo disso. O que você deveria fazer é protegê-la de seus medos.
Ele inspirou devagar, suspirando.
- Acho que... já não há muita escolha. "

Quantos tigres cabem em uma biblioteca?

Sabe... o Sambation pára nos sábados. Fica completamente imóvel e silencioso. Nem uma pedra ou cascalho ousa rolar por sua borda. Parado.
Hoje é sábado, e daqui eu posso contemplar as rochas inertes no seu leito. É um bocado assustador imaginar que esse gigante esteja dormindo, quase como se ele, na verdade, espreitasse. Sorrindo ele finge parar, apenas para atrair os viajantes até sua armadilha de pedras. Eu olho o Sambation. Ele me olha magnânimo de volta.
Quantas almas repousam em seu fundo?

Lago das sombras. Sark olha no lago das sombras. Sark olha sua alma no lago das sombras. Sark morre quando olha sua alma no lago das sombras. Myshba sabe que Sark morre quando olha sua alma no lago das sombras. Myshba tenta impedí-lo, porque sabe que Sark morre quando olha sua alma no lago das sombras. Mas chega tarde demais.

"O Acaso é o Decisor universal - suspirou o Patriarca de Everon, pensativo - Ninguém discute o resultado da moeda."

H. Sark era uma pessoa infeliz. Até que um dia resolveu matar 150 homens.

sexta-feira, agosto 04, 2006

Estou feliz, sabia?

O dia de hoje foi gostoso e mais quente que os últimos. Se os meus olhos já não estivessem fechando de sono eu faria um post mais decente.

Frio, Fren, neve.

"- Não vai dar para segurar por muito tempo! - gritou Teobolt, desesperado, quase às lágrimas - Minhas mãos congelaram, não sinto mais extremidade alguma do meu corpo. Estou dizendo Fren, a corda não vai agüentar!
- Mas a cabana está logo ali, tenho certeza! - uivou Fren por sobre a nevasca - Por favor, temos que avançar só mais um pouco.
- Os garotos não aguentam mais, estão caindo zonzos em todos os buracos.
- E você espera o quê?! - exasperou-se o cientista - Que voltemos tudo de novo? Não há mais caminho! Ou você acha que seremos capazer de encontrar a trilha montanha abaixo nesta tempestade? Que droga, não temos opção!
Teobolt teve vontade de dizer-lhe que o que achava era que nunca deveriam ter vindo em primeiro lugar, mas em respeito à amizade calou-se consternado e zangado. Puxou Neyleen para cima e ajudou Myshba a ultrapassar uma rocha.
Fren apertou os olhos e rezou para deus nenhum. Um pequeno vislumbre da luz era tudo o que queria. Sairem da nevasca e salvarem-se; nada mais, por favor.
- Fren! Temos que continuar a andar - gritou Foxy lá de trás - Para qual lado?
- Com mil demônios! - praguejou o cientista deseperado - Se eu soubesse não estaríamos aqui! Que grande decepção, que falha, que péssima situação. Me desculpem. Fui um tolo por achar que conseguiríamos e guiei a todos para a morte certa no meio da neve.
Hoshy apoiou-se no ombro do velho companheiro - A gente vai seguir em frente e ver o que tem lá. Algum abrigo há de existir, qualquer coisa.
- Quem sabe perto daquelas rochas - gritou Teobolt, protegendo Myshba do vento com seu corpo - Não podemos parar! Lembrem-se do que o cabanês nos disse.
Os pés pesados, a neve fofa atrapalhando, os músculos doloridos. Exaustos eles prosseguiram além do que eram capazes."

texto velho...

Estou vendo Tv agora... Olha só:
"Enfermeiro, na ambulância - Sim, é um grande exercício físico... Vocês não vão acreditar se eu disser, mas antes eu costumava ser mais... cheinho...
Garota sem-noção - Uhhh... sei... me fala mais. Eu adoro um exercício..
Enfermeiro - É... meus ex-namorado também...
Garota - Ahhh... então quer dizer que você está solteiro..."

- Conto de floresta, canto da mata.
Boa noite à todos.

quarta-feira, agosto 02, 2006

11 - A Mentira

Você disse azul, eu disse gigante visível.

Sentamos, sem saber, no mesmo banco da praça. Algumas horas de diferença (ou seriam anos e anos perdidos?). Como a água que olha as árvores, como o mar que admira o céu de estrelas.

Nunca mais te abandonar. Não vou embora. Quando for te levo junto.

Eu menti, esqueça as cartas.
Hoje senti meu coração morrer de amor.


Amanhã. Siga a núvem que tem a forma de uma fênix.

segunda-feira, julho 31, 2006

Aprender a linguagem das pedras

Depois de uma leve melancolia escura, uma primavera inesperada.
Caminhar na chuva esperando por você.

Eu sei que soa ridículo, e que ninguém vai deixar, mas ontem eu entendi (vejam só, eu não disse que resolvi, mas que entendi) que depois de terminar a faculdade eu vou ser pirata. Quando eu crescer eu vou para o mar. É o caminho - seguir . (velas)

2: Cruzando o Sambation, o rio de Pedra

sexta-feira, julho 21, 2006

Ele voltou...

Que medo!
Vocês repararam que todos os que foram taggeados (ou a graaande maioria) colocou em uma de suas razões "Falar consigo mesmo"??! O que isso quer dizer? Ou todo mundo fala sozinho (e não admite) ou eu só tenho amigos esquisitos!! (talvez as duas opções estejam corretas...).

Bem, é isso, eu voltei. Olá! (acenando)

Queria dizer que a minha viagem foi bem legal. Conheci Lisboa, Madrid, Barcelona, Roma, Veneza e Paris. Foi tãão interessante! (se bem que não aguënto mais ver um quadro barroco).
Eu vi o túmulo de Camões e a Guernica. Vi o "Sonrisa de uma Lácrima", "As Meninas" e o quadro do Luís XIV das aulas da Carmen Lúcia (!!) . Vi a Mona Lisa (que é realmente... diferente), a galera de Jõao da Áustria, o Coliseu, as gôndolas venezianas, O Pensador, o quarto de Dom Sebastião, a estátua do "nosso" Dom Pedro, as vias romanas, a coluna de Trajano, tapeçarias medievais e (o mais esquisito) One Piece em francês:
Sanji - T'es sûr que ça va aller? Un sabreur sans ses sabres c'est comme...
Zoro - Comme quoi?!
Sanji - ...Une grosse limace sans défense.
Atcháa!!
Usopp - Ça suffit, maintenant!!!

Sabe, ache que agora eu entendi o que eles querem dizer com civilização. É incontável a quantidade de monumentos, praças comemorativas, obeliscos e outros "Lembrem-se!" que existem por lá. Cansei de ver em Roma homenagens ao Vítor Emmanuel e ao Conde de Cavour.
Que saudades do Brasil! Lá era tão esquisito. Quando perguntavam que faculdade eu fazia e eu respondia História eles sorriam admirados ao i7nvés do sorrisinho "muito-legal-mas-você-vai-viver-de-quê?".
Não sei se conseguiria me acostumar...

Bom, eu sei que acabei de voltar e já estou indo de novo, então me desculpem por isso... Nada de porretes, por favor.

Até mais, e saibam que eu tive saudades.

quinta-feira, julho 20, 2006

Estou escrevendo do dia 28 de fevereiro de 2007. Esse post ficou na minha lista como reascunho durante muito tempo. Acho que vocês podem considerá-lo como uma máquina do tempo: o vazio deixado no passado só foi preenchido no futuro; como Exu, que "matou o pássaro ontem com a pedra que atirou hoje".
Queria dizer à vocês que sou feliz. Contra todo mundo eu sou feliz e nunca vou desistir de acreditar em minha condição. Eu sei que soa ridículo, mas é por isso que eu guardo em segredo minha felicidade, e suspeito que todos fazem o mesmo (ok, essa parte eu concordo que é mais ridícula e talvez inverdadeira).
Queria ser pirata (outra ridicularidade) e conhecer várias histórias diferentes, só para aprender que elas são sempre a mesma e que a montanha do centro do mundo está em toda a parte!
Queria, queria. Como não querer? E como posso continuar ignorando o querer?
Caminhos...
Mas quem foi que disse que não devemos nos divertir?

A máquina dos suspiros é morta. Cai perto do lago que nunca deve ser olhado e repousou para sempre. Liberdade, felicidade.

A clareira secreta


- É por aqui - sussurrou o pequeno espírito verde, voando à frente - Logo na próxima clareira fica a nossa aldeia. Venham logo.
Neyleen afastou o cipó da frente do seu rosto, passou por cima da enorme raíz e contornou o gigantesco tronco de figueira que se estendia imóvel no centro da mata. Ainda segurava apertada a mão de Fren contra a sua, com medo que ele - em seu estado de semi-consciencia - tropeçasse e se machucasse.
- Calma tio - ela sussurrava devagar - os espíritos vão nos levar até a Água Pura, vai ficar tudo bem.
- É aqui senhorita! - Miccolo disse entusiasmado - Seja bem vinda à nossa casa. Este é o último reduto dos espíritos da floresta, o nosso mais bem-amado santuário, onde moram as árvores Sagradas à beira da Água Pura. Agora não se preocupe mais, pois os seus amigos logo logo se reestabelecerão; meus companheiros tirarão deles toda a droga maléfica da velha Trepadeira. Vocês estão em casa agora.
De fato, Neyleen sentiu-se extremamente confortável e alegre por estar em uma clareira tão bonita. Protegida por todos os lados por gigantescas árvores que pareciam tão velhas quanto o prórprio mundo, havia uma pequena aldeia com casinhas alegres de madeira. Por todo o lado se ouviam os murmúrios dos pequenos seres flutuantes, misturado ao cantar doce e incessante de um pequenino córrego que dançava através da floresta. Lá em cima, as folhagens das árvores se encontravam e entrelaçavam-se, criando um gigantesco dossel de folhas que filtrava toda a luz que vinha de fora, criando uma deliciosa sensação uterina no vale. De imediato uma tranqüilidade recaiu sobre o grupo, e Miccolo sorriu com a beleza do seu lar.
- Pegue um pouco desta água - disse Peri Poti, apontando uma parte da clareira em que o córrego se tornava um pequeno lago - Aqui a água é mais pura e doce, vai ajudar os seus amigos.
Neyleen se ajoelhou com cuidado e pegou um pouco de Água Pura na concha das mãos. - Aqui tio, beba isso - ela pediu, ajudando o velho senhor a tomar um longo gole. Depois, ela puxou Mellock pela mão e fez o mesmo. - Isso mesmo, devagar. Vocês todos vão ficar bem, eu prometo. Bebam esta água e tudo vai passar.
Enquanto isso, Miccolo trouxe de uma das casas uma pequena cuia de madeira e já estava entregando para um Haccu zonzo beber. Peri Poti e Nukalo voavam atarefados, auxiliando quem precisasse.
Neste interím, vários espíritos haviam se reuinido ao redor, pois nunca antes tinham visto uma tão estranha procissão de viajantes, guiados e auxiliados por ninguém menos do que os Três Guardiões do Portão.
- Você viu? Miccolo trouxe os estrangeiros para cá. - disse um, com três longas folhas de salgueiro no rosto, fazendo as vezes de sombrancelhas e barba. - Ele deveria guardar o portão e manter os humanos longe, mas ao invés disto ele os guiou até a nossa aldeia!
- Eles parecem mal - comentou uma outra, que tinha um lindo hybiscus acima dos olhos - Talvez tenham se aventurado por perto da velha trepadeira. São tão imprudentes esses humanos! Vivem a se meter nas regiões perigosas da floresta.
- Vieram para beber a nossa Água Pura - sussurrou o velho pata-de-vaca - ,então devem estar mesmo mal. As drogas injetadas pelas plantas traiçoeiras são um grande perigo. Não importa quem sejam, precisam de ajuda. E imagino que, se Miccolo, Nucalo e Peri confiam neles, devemos fazer o mesmo.
- Mas eles são estrangeiros, são humanos, são perigosos! - exclamaram todos ao mesmo tempo, em uma doce balbúrdia que se espalhou pela clareira como se fosse um vento matinal.
- Silêncio - ordenou calmamente Pata-de-vaca - Estão vendo aquela garota que conduz o grupo e dá de beber aos outros? Não é ninguém menos do que a Escolhida, aquela que conhece a Música da Floresta. Os rumores e avisos das Grandes Árvores eram verdadeiros! Chegou o tempo do mundo mudar, não sentem isso no vento?
- Sim, velho chefe. Ouvimos sussurros sobre isso pela mata inteira. As velhas árvores do oeste estão cantando de novo, e o chorão alardeia sobre uma guerra que teria havido, e que destruiu a Torre Negra!
- Se destruiu a Torre só temos que nos felicitar - continuou o velho, reunindo todos os espíritos ao seu redor, para ter certeza de que todos o escutariam - A floresta vai mudar agora que as sombras recuam. A música foi de novo cantada, o príncipe de novo surgiu. As árvores acordam e os pássaros não mais temem repousar em seus galhos. Olhem para a garota - ele murmurou, apontando para Neyleen, que agora dava de beber à Hoshy - Ela carrega uma espada e parece cansada. Deve ter lutado com um inimigo muito forte hoje, além da velha trepadeira. E ,vocês podem sentir também, ela carrega uma dor grande, que a enrola e prende como uma hera. Se somos dignos de sermos chamados de Espíritos da Floresta não nos demoremos mais! A floresta inteira está a acordar e a cantar e bradar por uma mudança. Não devemos ficar atrás! Miccolo, Nukalo e Peri Poti trouxeram a Escolhida até aqui. Que a nossa clareira seja também o santuário destes viajantes, que o nosso lar os auxilie a descansar. Por esta noite e pela noite de amanhã eles serão nossos convidados. Vamos espíritos, vamos recebê-los!
Com estas palavras se iniciou uma grande confusão em toda a clareira. Pequenos espíritos verdes voando para todos os lados, tentando todos ajudar de alguma maneira. Neyleen conseguiu sorrir cansada, ouvindo as risadinhas, sussurros, suspiros e vozes melodiosas cantarem as boas-vindas. A clareira se encheu de vida e de brilho.
- Fique calma, senhorita! - riu Miccolo - Meus primos e irmãos vão te ajudar agora. Durma, e saiba que a clareira dos espíritos te acolhe.
Ouvindo isso, Neyleen suspirou e deitou ao chão, adormecendo imediatamente, de espada na cintura e coroa de folhas na cabeça.

quarta-feira, junho 28, 2006

Adeusinho

Olha só, me desculpem, mas eu vou viajar. Sem computador por uns vinte dias. Então vou deixar este post para vocês matarem a saudades e se divertirem enquanto eu não estiver... E tem tempo suficiente para lerem a enooorme história que eu deixei mais pra baixo (é recomendável relembrarem a primeira e a segunda partes) ... eu deveria escrever coisas menores...
Então divirtam-se com tudo o mais. Boas férias e adeusinho pessoal!

- A aventura de Hearst Newspapers.

História real: Nos primeiros anos de 1900 um jovem repórter chamado Hearst Newspapers foi enviado para cobrir uma guerra nas Balcãs. Naquela época o jornalismo tinha muito de aventuroso e inventado, ainda mais nos trabalho dos correspondentes internacionais. É só se lembrarem do Tintin, por exemplo.
Hearst pega um trem vai até o país onde se passa a guerra civil. Só que ele dorme. Tira um belo de um cochilo e acaba acordando só na próxima estação - ou seja, no país vizinho. Por sinal, um país em paz, sem guerra alguma.
O jornalista acorda achando que chegou no lugar certo, mas se depara com o comércio funcionando normalmente, as pessoas transitando despreocuadas pelas ruas, as redes de boatos ocupadas com fofocas e tudo tranqüilo nas praças centrais. Desesperado e sem saber o que fazer, Hearst Newspapers começa a escrever a sua matéria. Inventa uma guerra civil, conta histórias incríveis sobre os bombardeios e confrontos que nunca existiram e cria toda uma mentira ao redor do pacífico povoado.
A notícia chega aos Estados Unidos, é a capa do jornal! Todos se escandalizam com o confronto nos Balcãs e admiram o correspondente pelo furo espetacular. Mas houve um homem que ficou realmente impressionado com tudo: o embaixador daquele país em Washington. Pensando que o seu antes pacífico país tivesse caído em uma guerra civil, o embaixador liga para o presidente e começa a avisar as autoridades, mobilizando tropas e exércitos para enfrentarem as milícias fictícias descritas por Hearst. A população do tal país fica com medo da mobilização do exército e acha que é algum levante político autoritário. Esse é o estopim para o surgimento de revolucioários verdadeiros que se ergueram para enfrentarem as tropas governamentais que tinham se levantado para combaterem guerrilheiros fictícios. A guerra civil começa. E desta vez, é verdade.
Hearst ganha mil prêmios pelo espetacular furo internacional, sendo o primeiro a relatar a guerra civil do tal país, enquanto todos os outros se preocupavam com o país vizinho. Legal né? Ele começou uma guerra civil, que matou milhaers de pessoas e desestabilizou uma nação inteira. Que grande idiota...
Bom, mas considerando que uma repostagem causou tudo isso, o país já não devia ser muito estável... De um certo modo, a guerra civil era iminente.
Mas ainda assim, o caso é interessante.

* * *
tchuru~ru! (interlúdio)

* * *

Então, a Clara me taggeou. Acho que agora eu vou ter que entrar nessa nova mania que contagiou o país!!! Iuuupí!

6 hábitos estranhos que eu tenho:

1 (um!) - Falar sozinho. Na verdade, conversar sozinho, mesmo com várias pessoas por perto. Acho que são as minhas personalidades dialogando... (testemunhas confirmam que é uma coisa esquisitíssima!)
2 (dooooiiisss) - Achar que eu tenho algum controle sobre o clima. Seja através de músicas no piano ou desejos secretos eu tenho a impressão de que posso escolher que tipo de clima vai fazer. Ok, agora tá ficando sério, chamem o manicômio!
3 (trreishhh!) - Cantar canções esquisitas. Seja a famosa "Balada da minhoquinha" ou a nova arrasa-quarteirões do momento: "Ludmila, Ludmila!". Isso vocês experimentaram em primeira mão, sabem do horror do qual eu estou falando...
4 (coatru!) - Inventar jogos que são, digamos assim... excêntricos. Principalmente aqueles que começam com: "Ok, peguem uma cadeira e uma almofada e vamos correr no jardim!!"
5 (cinco?) - Eu acho que se conta assim: Um, dois, coelho, três, quatro, zabumba, cinco, seis, minhoquinha, sete, oito, choncapschorando, dez.
6 (*tchuchuru~ru!Seis!!!*) - Eu sou amigo do Luque. Nossa! Que habito esquisito e inesplicável! É verdade, é verdade... A gente faz piada, zomba e esquece que ele estava no cinema conosco, mas no fundo não dá pra viver sem! (o quê? Isso não valeu? Posso tentar encontrar um setimo hábito esquisito então...)
7 (seeteee!!!) - Eu desenho vários personagens, invento histórias, planejo HQs e no final nunca acabo fazendo nada. Ih, isso não foi engraçado, foi chato.

É isso! Agora eu tenho que taggear amigos? Nossa que inusitado! Então aí vai, essas são as pessoas que eu invoco para esse ancestral jogo, junto dos nomes dos respectivos blogs:

Camilla - Pirate's Tale
Marco - Life's treasons
Galligay - Rosa-choque!
Artur - O Pato está na Ratoeira.
Mrs. Galligay - Fui negada... E agora?
Deus - Heaven's Gate
Muriel - A Latrina
Tim Templeton - Templair's Lair

P.S. - Eu não acredito em 9...

* * *

Minha grande dversão é cantar uma música bem baixinho e fazer os outros acreditarem que eu sou um duende mágico que vive no buraco do elevador.

Imitação de golfinho: Ih..Ih.ihhi...ihih..Ih!

* * *

Ah é, outro dia eu estava lendo um livro no qual um padre irlandês falava com Deus. Na verdade, ele estava rezando e conversava com Jesus.
Questões bizantinas à parte, foi um diálogo bem engraçado. Quer dizer, Jesus parecia uma pessoa normal, ou um personagem maluco do livro. A melhar parte foi no final, quando Jesus, (sabe aquele, o onipotente?) vira e fala algo do tipo: "Ok, certo padre Joe.. Mas agora acho que eu preciso ir, tem uma guerra nas Balcãs agora, sabe como é, muitas almas para receber."
Imagina só! Jesus vira e fala uma frase muito "então tá, tchau", como se fosse um telefonema esquisito. Cara, uma comédia aquilo. E olha que o livro era sério.

* * *

Tchau pessoal!
Eu me despeço aqui.
... Mas peraí... eu sou o Charles?
*esquadrão dos esquilos* - Sim, é sim!
Ah, obrigado amiguinhos! Não sei o que faria sem vocês...

Se eu não reaparecer nunca, por favor procurem nos manicômios onde existem doidos malucos. Eu devo estar por lá.

Os sonhos de Clara Mellock - terceira parte


- Ali! - gritou Haccu apontando as duas figuras na praia enevoada dentro do sonho - Finalmente a achamos, é Mellock quem está lá! Eu tenho certeza disso.
- Mas quem é aquele? - Perguntou Myshba - Tem uma segunda sombra ao lado dela. Será que é outro de nós? Ou o velho Tom que estávamos procurando?
- Não... - sussurrou Foxy assustado - É alguma outra ilusão. Mellock está em perigo, isso sim! Vamos logo, temos que correr! Algum sonho pegou a nossa amiga - gritou ele se pondo de pé.
Os três garotos pularam da areia e correram na direção das duas sombras paradas. Seria tarde demais? Seria mais uma ilusão?

Mellock olhou para o lado e os viu chegando. "O que fazem aqui?" se perguntou.
- São intrusos - respondeu Thomas, calmamente - Eles não pertencem ao nosso sonho. Vamos embora antes que eles cheguem.
"Não são intrusos" ela riu "São meus amigos! Quem sabe eles também querem entrar neste nosso sonho, querem ser felizes como nós somos aqui".
- Não. Eles querem tirar você daqui, meu amor. Querem acabar com tudo o que construímos juntos. Não dê ouvidos à nada do que disserem.
"Não darei... Mas gostaria que eles entendessem."
- Ninguém pode entender o que se passa entre nós. É especial e único. Os outros querem destruir, só isso.
"Oh Thomas!" Mellock suspirou, abraçando-o "Senti tanta falta de você. Esses anos foram solitários demais... Você promete nunca mais me abandonar?"
- Prometo. Ficaremos sempre juntos aqui. Não se preocupe.

-Mellock! - gritaram os garotos. - Saia daí! A floresta dos sonhos quer te prender!
"Ora garotos!" ela riu," Quantos disparates! Thomas bem que me avisou sobre as suas maluquices. Isto é uma praia, não tem nenhuma floresta por perto!"
-Não.. - arfou Haccu - A floresta de Mnéias, aquela dos sonhos, estamos presos dentro dela! Você está dentro de um sonho! Nós temos que sair daqui. Agora.
Os três olharam então para o estranho ao lado dela, intimidados pela sua alta silhueta e seu olhar ameaçador e firme. Tiveram medo dele, de que ele os dominasse também e de que nada pudesse salvar sua amiga.
- Você não é real - Foxy disse agressivo. - Por que está fazendo isso com ela? Por que a prende aqui?
- Mellock, por favor... - sussurrou Thomas no ouvido da moça.
- Não o escute! Nós temos de ir embora. - disse Haccu - Existe alguma saída?
"Vocês não entendem, não é mesmo?" Mellock disse. "Esse é Thomas, meu marido! Não sei de quem vocês querem me proteger. Sinceramente... Essa é uma linda praia, cheia de névoa e paz, sem nenhuma ameaça por perto. Tudo está simplesmente... perfeito. Acalmem-se e se sentem aqui conosco para aproveitar.."
-Você tem um marido? - Haccu perguntou confuso.
"Sim, não é maravilhoso? Eu achei que ele estava morto, bem, todos achávamos, mas era mentira! Era tudo um sonho ruim, uma longa noite tenebrosa. Mas, agora ele está vivo, ele está aqui comigo agora, e nada mais importa: todos os sentimentos ruins foram embora, o medo e a solidão foram esquecidos. Não quero voltar, isso aqui é que é verdadeiro. Meu marido finalmente voltou para mim, acabou-se o pesadelo."
- Já chega! - grunhiu Foxy. Com destreza e rapidez, ele agarrou a moça e a jogou por sobre os ombros - Nós vamos embora daqui e acabar com essa loucura, queira você ou não.
Thomas o encarou furioso.
"Me solte Foxy! Você não entende!"
Haccu apontou para um ponto da praia onde a névoa parecia menos densa e gritou para que os outros o seguissem. Os três correram para longe da figura ameaçadora, levando a triste senhora.
"Não, por favor, me deixem aqui! Eu estava tão feliz, o que vocês querem? Thomas! Oh, Thomas! Ajude-me, por favor. Porfavor porfavor, me deixem ser feliz de novo! Não quero voltar!"
Doía demais tirá-la de seu sonho. Foxy quase não aguentou ter que carregá-la, seu coração apertado pela aparente maldade do que estavam fazendo. Mas fora Mellock quem o dissera, quando eles mesmos haviam sofrido antes, com certeza e convicção, a frase que lera em um livro:
"Tudo, menos esquecer"
Por isso eles continuaram a correr pela névoa. Para que Mellock não se esquecesse de quem era, e quais eram seus pensamentos e memórias verdadeiras. O mundo real era seu lugar; ninguém deve viver entre os sonhos.


Correram, apesar das lágrimas e protestos da escolhida e da vozinha cruel (seria impressão ou uma realidade dentro daquela dimensão de sonhos?) que sussurrava sempre em seus ouvidos:
"Vocês não sabem o caminho, estão se perdendo cada vez mais em Mnéias. Desistam!"
A praia deu lugar a uma longa floresta, onde reinavam pessoas bem pequeninas e com o corpo coberto de pelos e folhas. Elas só falavam quando alguém segurava suas mãos, o que fazia com que a comunidade dos homenzinhos estivesse sempre de mãos dadas, conversando sobre a vida na floresta fria.
Tudo o que eles conversavam eram através de frases que Mellock dissera em sua vida.
- Você acha mesmo que eu devo pedir?
- Não. O dia está tão bonito, não acho que vai chover.
- Obrigada. Não preciso mesmo. É muita gentileza sua.
- Amanhã Thomas? É tão cedo, fique mais um pouco!
- Oh Deus!... Eu enrubesci feita uma adolescente tola, não achei que ele fosse fechar os olhos e me beijar do jeito que ele fez. Estou tão apavorada. Nem sei o que fazer agora!
- Se o mundo tivesse mais pássaros, teríamos menos joaninhas, o que seria uma pena.
- Não, agora não. Estou cansada.
Os três ainda corriam, carregando a escolhida nos ombros, procurando algum lugar para ir.
-Droga! Maldição! - resmungou Foxy - É como um maldito labirinto, a gente nunca sabe para onde ir e o que é uma armadilha. Tenho a impressão de que mesmo se chegarmos a um beco sem saída não iríamos perceber e ficaríamos insistindo eternamente no mesmo maldito caminho!
"Uma ponte" balbulciou Mellock, em meio às lágrimas "Eu ia fazer uma ponte, feita de luz, para poder sair daqui. Ah Thomas..." ela soluçou. "Como posso querer sair e ao mesmo tempo ficar? O que é que eu realmente sinto?"
-O que é que eu realmente sinto? - ecoou um dos homenzinhos, de mãos dadas a outro.
Um pássaro gigante piou.
Eles correram através de uma gigantesca porta de madeira.
Um salão cheio de quadros e livros flutuantes se abriu.
"Eu estudo aqui, nessa biblioteca." sussurrou Mellcok, de olhos arregalados "Ou devo dizer estudava? Me lembro de tudo. Parece que está acontecendo agora... Tudo de novo. Eu sinto tudo de novo."
- Alguém se esqueceu de arrumar isto daqui. - riu Haccu, desviando de um dos livros voadores. - Mas não imagino que alguém vá arrumar uma lembrança. Essa é sua mente, não é Mellock? É um lugar esquisito, sem dúvidas.
Eles continuaram em frente. Subiram pelas escadas e caminharam por um corredor comprido, cheio de portas. Toda vez que passavam por uma, ela se abria. Da primeira vez levaram um susto ao verem uma senhora, uma freira, do outro lado.
- Já fez seu dever Clara? - ela rugiu, de voz rígida, sem emoção alguma - Você sabe que está de castigo e que deveria estar lá embaixo esfregando o chão! Sinceramente, como uma menina assim pode ser tão relapsa?!
- Vamos sair daqui - disse Myshba, afastando-os dos dedos da freira que continuou gesticulando e vociferando no umbral.
Na próxima porta um senhor vestindo a estranha combinação de chinelos e terno de tweed, segurando um papel na mão.
- Expulsa Clara? Como assim expulsa, minha filha? Achei que as freiras tivessem apreciado o seu talento. Você lê o tempo todo e é esperta! Como pode ter sido expulsa?! O que você aprontou? O que isso quer dizer? Isso é simplesmente inadmissível! Não irei tolerar minha única filha expulsa da melhor escola que pudemos pagar!
"Por que o senhor sempre acha que fui eu quem errei papai?" sussurrou Mellock meio desmaiada nos ombros de Foxy. "Eu não fiz nada de errado! Eu juro."
- Estou desapontada, minha filha - gritou a mãe da próxima porta - Lutamos tão duro para garantir um bom colégio para você e o que nos traz de volta? Uma expulsão! Dá para acreditar? As freiras nos contaram sobre as suas molecagens. Você só machuca os que se importam contigo. Você não se importa conosco, com o nosso enorme esforço para te dar uma vida digna? Sinceramente Clara, você está ao menos nos escutando?!
- Não escute - disse Myshba, acariciando a mão da moça - Não dê ouvidos às más lembranças. Elas já passaram. Nós somos o seu presente, e vamos te proteger. Vamos seguir agora, não importa o que saia dessas portas.
- Podem protegê-la dela mesma? - Soou a voz da porta seguinte. Era Thomas, o homem da praia, o marido falecido, a chance perdida de esperança - Mellock querida, volte para casa. Eu estou te esperando. Volte.
"Oh sim, eu quero voltar!" ela respondeu, tentando descer "Mas você não existe mais. Nem sei o que pensar. Foxy, pode me soltar agora, eu quero conversar com meu marido. Me largue, por favor. Não me leve daqui, eu realmente preciso falar com ele!"
De coração partido Foxy seguiu firme pelo corredor.
- Isso não tem fim! - assustou-se Haccu - Andamos um bocado, mas não chegamos a lugar algum. E o que são essas malditas portas?
Com ruídos sonoros e estrépitos agudos as várias portas do corredor começaram a se abrir e os personagens de uma vida inteira de angústias e esperanças andaram livres pelo caminho, gritando e suspirando, uma sinfonia desesperada e assustadora. Quando os garotos tentaram correr seus pés ficaram pesados e pouco se locomoviam. Quando tentavam andar o corredor se esticava e se alongava até o infinito, tornando impossível de se chegar à qualquer lugar que fosse. E as vozes continuavam, gritando, protestando, assustando.
- Desempenho abaixo da expectativa. Para onde você está direcionando essa sua inteligência srta.Mellock? Onde está seu interesse nas aulas?
- Jamais! Você sabe que não é permitido. Se eu abrir uma excessão para você terei que deixar todos passarem. Isso está absolutamente fora de questão.
- E Deus castigou aqueles que desejaram! - gritou um padre furioso - Porque o desejo é o pecado! Viver simplesmente é o que aspiram os bons. Os objetos materiais, o luxo e o prazer carnal são simplesmente iscas do inferno para atrair-vos para o pecado! Quem deseja é capaz de qualquer coisa, qualquer maldade para conseguir o que quer, por isso você nunca deve aspirar a mais do que o que já tem.
- Um bocado de pessoas vai estar lá. Não vou deixar você usar a velha desculpa de novo. Você não está tão cansada assim e pode muito bem ir à festa comigo. Minha amiga Patrícia disse que quer te conhecer, e irão também aquela Maria de quem eu te falei e uma tal de Clarice. Soube que alguns meninos estarão lá tambem. Não é ótimo? Terão garotos. Um chamado Filipe, outro Diogo e um terceiro. Acho que seu nome era Thomas...
- Não acredito! É mesmo você Clara? À quanto tempo... Ah, como faz tempo desde a última vez que nos vimos. E você continua a ser um "rato de biblioteca"? Brincadeira, brincadeira.. Apelidos de infância nunca somem, não é mesmo? Mas me diga, eu soube que você está noiva! Meus cumprimentos! Parabéns Clara, felicidades! Quem é o grande sortudo?
- Sinto muito senhora... Me dói tanto dizer isto.. - comoveu-se o policial gorducho, de lenço na mão.
"Por que ele não disse logo?" gemeu Mellock "A expectativa é o que mata!"
-... Nem sei por onde começar. Eu sinto muito, sinto mesmo. Eles estavam a bordo do trem para Lonfito e algo terrível aconteceu......
"Já chega. Me diga. Eu preciso saber o que aconteceu!"
- O trem se acidentou.. Sinto muito. O seu marido estava a bordo. Me desculpe senhora, eu te ofereço minhas maiores condolências... Thomas... Ele. . . Ele faleceu está manhã. Eu sinto muito...
"Eu estava na porta de casa. Eu me lembro bem. O batente parecia desaparecer sob a minha mão. Não havia lugar no mundo em que eu pudesse me segurar."
Mellock chorou intensamente. Cobriu o rosto com as mãos e se deixou levar pela infelicidade.
- Porque aquele que deseja será castigado!!
- O mundo não é do jeito que você quer ou gostaria. Afundar em livros e fantasias é simplesmente estupidez. A gente tem que fazer muitas coisas de que não gostamos ao longo da vida. Resigne-se.
- Estou desapontado, Clara...
"Eu só queria que ele não tivesse ido... Como eu posso viver sem Thomas? Como eu posso fazer qualquer coisa sem meu marido?? Nós tínhamos tudo planejado. Construímos tantos sonhos juntos... Eu estava... "
- Sinto muito senhora Mellock - murmurou o homem de branco impecável, saindo da próxima porta, enquanto examinava a prancheta em suas mãos - ... A doença avançou muito com a morte de seu marido... Agora será impossível tentar qualquer coisa, o risco é muito grande... Me desculpe. É duro dizer isso, mas... A senhora perdeu o bebê.


"Eu quero apenas sair daqui.." chorou Mellck. Os três garotos choraram juntos, totalmente desamparados. Nenhuma saída existia agora. Se lembrar era sofrer. Eles não queriam mais estar ali, onde tudo era tenebroso e agressivo. Se abraçaram juntos na dor.
Uma última porta se abriu. O corredor se iluminou. A pequena figura de Myshba apareceu diante deles.
- Não escute - ele disse, abafando os gritos das outras vozes - Não dê ouvidos às más lembranças. Elas já passaram. Nós somos o seu presente, nós vamos te proteger.
O verdadeiro Myshba sorriu para o Myshba da lembrança de Mellock - Obrigado por nos lembrar disso - ele disse alegre. Uma réstia de névoa começou a rodopiar ao redor dos cinco, enquanto os soluços e as lágrimas iam aos poucos se acalmando - Acho que agora entendi como vamos sair daqui. É como você disse Mellock, construiremos uma ponte de luz. A luz são as boas memórias por aqui, então basta que você se lembre de quando foi feliz de verdade.
"Eu não acho que tenha sido feliz de verdade" sussurrou Mellock, enxugando as lágrimas. "Poderia tentar me lembrar de Thomas, de quando fomos mesmo felizes, mas acho que seria perigoso demais. Se ele voltar eu ficarei novamente presa."
- Você deve ter alguma outra lembrança feliz - disse Haccu com calma - Ninguém é totalmente infeliz. Nós te ajudaremos, quando você se lembrar poderemos sair daqui.
"Vocês acham que podemos sair? Então existe esperança? Acho que..." ela sorriu tristemente. "Acho que tenho sim lembranças felizes. São aquelas da nossa aventura, quando eu estava ao lado de vocês. Sabe... Eu sinto que quando estamos juntos, ao contrário do resto da minha vida, algo de bom pode acontecer. Que podemos desejar. Prometo que ouvirei então tudo o que vocês disserem, confiarei de agora em diante em vocês apenas."
- Sim. Pode confiar - falou Haccu, sorrindo gentilmente - Assim que encontarmos Karyn e os outros nós sairemos daqui. Basta desejar.
"Eu tinha tanto medo de não poder fazer tantas coisas que eu quis..." ela sorriu timidamente.
- A gente pode tudo.
A névoa cresceu e subiu em espirais. Dançou alegre à volta deles, sumiu com o corredir e se abriu em um enorme mar. Ondas gigantescas subindo e descendo, crescendo e caindo à volta.
De pé, sobre a água, Foxy gritou:
- Minha nossa! Onde é que viemos parar? - ele riu - Olhem só, estamos de pé na água! E eu posso até andar!! Que sonho magnífico, eu adorei isso! E o que é aquilo?
- Acho que é um barco - disse Myshba, de olhos arregalados.
- Que tipo de barco pode navegar aqui, com essas ondas enormes?
"Eu reconheço este mar!" gritou Mellock por sobre a maresia "Sei que já o vi antes... Oh, é claro! Estava em uma foto que eu vi quando criança... Ah, como eu quis viajar pelo mundo depois de ver a tal foto! Queria ver tudo, ver este mar."
- Você viu - disse Haccu - Nós vimos este mar juntos. Fomos até Maréa e as Ilhas do Sul,não se lembram?
Mellock riu, como uma criança. "Sim! Eu me lembro de tudo agora. Nós viajávamos, não é mesmo? Você era Haccu, e éramos todos companheiros de jornada."
- Não éramos, ainda somos. Isso é parte da jornada.
"Que parte esquisita então! Que nos levou até dentro dos pensamentos..."
Um barquinho se aproximou deles, como uma pintura que ganhara vida. Os viajantes exclamaram alto quando repararam atentamente nos borrões que o compunham. Ele era feito de livros! Tudo, desde o convés, o casco, o teto, a cabine, as cordas penduradas, os coletes salva-vidas, as velas brancas, o leme e o timão, tudo era feito de capas, páginas, couro, papel, letras, tinta! Eram os livros que Clara Mellock lera em sua vida, um enorme mar literário, na forma de barquinho.
Um velhinho surgiu de dentro da cabine e os convidou a subir à bordo. - Entrem, venham! Que surpresa agradável. Vamos, meu nome é Livreiro, e cuido de tudo isso que os senhores estão vendo! Nunca recebi visitas antes e.. oh! Se não me engano... - ele disse, apontando para a escolhida - Você é a tal que esteve lendo estes livros! Quem diria, quem diria! Entrem logo ou vão se molhar. Nunca esperava que você fosse nos visitar. Cuidado ali, pisem devagar, os livros são frágeis.
-Obrigado - disse Myshba para o velhote animado. Sem ter onde ficar ele se sentou sobre uma edição recente de Tempos Difíceis, feito de amurada, intrigado com a embarcação que cruzava o grande oceano lembrado através daquelas ondas gigantes.
- Nunca tive visitas antes! Até hoje, é claro, por isso não sei se é normal a Leitora visitar o Livreiro. Digam-me, é normal?
"Não" riu Mellock, que se sentara em um monte de livros de filosofia "Na verdade eu imagino que visitar as mentes não seja normal. É perigoso andar pelos sonhos.."
- Hum... - intrigou-se o velhote, coçando a barbicha. Os quatro perceberam que a sua roupa era também feita de livros, mas de livros infantis, coloridos, ilustrados, com animais falantes, fábulas de princesas e reinos mágicos. - O que eu ouvi dizer do Comedor foi algo diferente.. - ele comentou.
- Quem é o Comedor? - perguntou Haccu.
- Ah, é um monstro enorme, que engole todas as memórias ruins e o que deve ser esquecido com sua boca sem tamanho. Um sujeito simpático também. Quando fico cansado de navegar pelo Mar da Mente eu passo no Comedor para conversar... Grande sujeito..
Os viajantes se olharam com medo e estranheza.
- Bom, enfim, o que ele me disse foi que existiu esse cara (acho que era um homem que morava na Terra dos Sonhos. Mas isso foi o Mantícora quem falou. Sinceramente, eu não consigo diferenciar os humanos; são todos iguais para mim! (Exceto você minha senhorita. Conseguiria reconhecer minha Leitora até de olhos fechados, não, até sem olhos!!)) Bem, de qualquer modo, havia esse sujeito. Dizem que ele nos visitava de vez em quando. Ia e vinha por entre as Mentes. Eu nunca o vi, mas também pudera, esse lugar é enorme! A floresta de Mnéias não tem fim.
"Espere!" gritou Mellcok "Você disse que ele era da Terra dos Sonhos? Quem era esse sujeito?! Qual era o nome dele?"
- Não sei senhorita. Me desculpe, mas não faço idéia. Margareth talvez?
"Só pode ser o Velho Tom! O homem assassinado que estávamos procurando."
- Pode ser...Não saberia dizer. O Comedor nunca pronuncia bem as palavras... Sabem como é, a boca sempre cheia.
"Ele era o único habitante da Terra dos Sonhos que podia sonhar. Não duvido que ele tenha entrado aqui. No fundo, nós também entramos aqui para encontrá-lo... Na verdade para descobrir alguma pista de sua morte e do meu caminho como escolhida. Quem sabe ele não tenha morrido e está só preso aqui também."
- Não! - Disse Foxy se apoiando em um exemplar de O Nome da Rosa, na verdade uma parte do mastro - Já chega de mortos que não estão mortos. Procuramos pistas sobre o assassinato de Tom, apenas isso.
- Rastros de sua passagem... - disse Haccu - Quem sabe ele tenha deixado alguma coisa em Mnéias. Ao menos ele sabia sair daqui, já que visitava de vez em quando.
- Podem procurar por este sujeito à bordo de meu Põemaisum, meus amigos - disse Livreiro - Aqui nós podemos navegar para onde quisermos. Bem, no momento podemos apenas navegar por onde quisermos dentro da mente da senhorita Leitora. Se quiserem
procurar em outras mentes terão que sair daqui e voltar ao Bosque.
"Bosque?"
- O lugar onde as mentes se encontram. Não vejo nada de interessante no mundo real, mas se vocês quiserem mesmo sair daqui, este é o caminho.
"Não acho que alguma pista sobre Tom esteja aqui dentro da minha cabeça" disse Mellock, encantada com o absurdo de tudo isso. "Digo, eu imagino que eu saberia se eu soubesse algo sobre isso tudo. Então teremos que sair daqui, pelo Bosque, para procurar alguma mente que saiba algo sobre o que não sabemos."
- Agora, você está brincando conosco, Mellock! - disse Foxy - Está tentando nos confundir, não é mesmo? Não tem a menor graça.
- Chegando ao Bosque, encontraremos Karyn e os outros - disse Haccu, se lembrando que não eram os únicos que entraram em Mnéias - E de lá para o mundo real.
Mellock olhou para o oceano. Teve medo, mas sabia que tudo isso era um produto de sua mente. O que poderia acontecer de ruim e o que poderia acontecer de bom vinha exclusivamente dela. E tinha Myshba, Haccu e Foxy ao seu lado. À bordo do Põemaisum, navegado pelo Livreiro, eles seguiriam.


- Ali à esquerda é onde mora o Comedor - apontou Livreiro para um ponto do oceano. Os garotos não viram nada além de ondas, nenhum monstro devorador de lembranças. - Agora estamos quase chegando na Torre, segurem firme, pois essa parte do Mar da Mente é um tanto quanto habitada....
"O que você quer dizer com isso?" perguntou Mellock assustada. "Achei que estávamos indo para o Bosque. E que tipo de criaturas moram na minha Mente?"
- Não se preocupe, devem ser apenas Polvos que moram aqui. E se algo maior vier não há com que se preocupar: Contem comigo! Eu nunca deixaria a minha Leitora se perder e morrer aqui dentro. Afinal, eu adoraria que ela continuasse a ler mais! - disse o barqueiro, batento em seu peito, no exemplar velho e desgastado de Dom Quixote para as Crianças.
- Quer dizer que tudo o que vimos aqui é da Mellock? - gritou Haccu por sobre o som da água salgada sendo fendida pelo casco determinado do Põemaisum - Aquela floresta dos homenzinhos peludos, o corredor das portas, esse mar, o tal do Comedor e da Torre... Tudo isso é a mente dela? Quero dizer, se entrarmos na minha mente, teria tambem um corredor, um mar, um Comedor? Isso é exclusivo dela ou existe em todas as mentes?
O Livreiro deu um sorriso:
- Não sei. Rapaz, não faço idéia. Nunca saí daqui do meu mar. Acho que não, se bem que o Comedor uma vez comentou que haviam outros como ele... Mas o Mantícora vive se gabando de ser único, e olha que ele é quem viaja por outras mentes, então se alguém sabe disso esse alguém é o Mantícora.
- O que faz o Mantícora? - perguntou Myshba curioso - Se ele viaja pelas mentes ele é um tipo de pensamento telepático?
- Pensamento oquê? Acho que vou decepcioná-los de novo, também não sei a resposta para isso. Sei todas as palavras de todos os livros lidos deste barco, mas não entendo algumas coisas que funcionam aqui em Mnéias.
- Você tem uma memória impressionante - suspirou Foxy - e pelo tamanho do barco posso dizer que Mellock é uma leitora um tanto quanto insaciável. Você nunca quis saber o que existe além deste mar?
- Mas eu sei o que há. Eu já li todos esses livros. Não entendo nada, mas conheço muito do mundo de vocês. Não preciso entender, basta a mim falar, repetir e continuar a navegar. Navegar é preciso, viver não é preciso.
O Põemaisum chacoalhava enquanto borrifos de água salgada imaginada batiam no rosto dos passageiros.
"Quando eu morrer" indagou Mellock pensativa "O que será de tudo isso daqui?"
- Morrer? O que é isso?
"Você não sabe o que é morrer? Mas eu tenho certeza que já li diversos livros sobre o assunto, achei que você soubesse."
- Eu me lembro dessa palavra, mas não entendo o que significa. Acho que é algo que só existe lá no Mundo Real.
"Impossível! Morrer é como... Ser apagado, deixar de existir. Estar em um lugar e depois nunca mais estar. Vocês têm que ter isso aqui."
- Acho que isso é o que chamamos de Esquecer. Estou certo? Quando o Comedor come uma lembrança ela some. Ela estava lá mas depois não estará nunca mais. Só que isso não acontece conosco, personagens. Isto é, o Mantícora ou a Torre vão existir para sempre.
- Talvez quando alguma coisa "morre" por aqui - começou Haccu - ninguém mais se lembra que ela existiu. Então não existe a morte, só o Esquecimento. O Livreiro não pode dizer o que é morte porque quando ele a sentiu ele a esqueceu.
- Alxander Pope, meu caro - gesticulou o Livreiro - Tudo, menos esquecer. Acho que o nosso Esquecimento é pior do que a Morte de vocês.
"Mas e se eu morrer?" perguntou Mellock, por cima das risadas alegres dos garotos "E se eu sumir, e se eu for esquecida? O que acontece com vocês, todos vocês?"
O velho riu, virou o leme devagar e respondeu:
- Mas você nunca vai morrer.
- E agora chega de perguntas, - ele pediu - porque eu não sei resposta alguma e porque chegamos.
Ela suspirou.
A Torre apareceu sobre o Mar.
Era alta como uma montanha, feita também de rocha cinzenta. Havia absurdamente dois olhos azuis de cílios longos se destacando no alto, uma boca vermelha em sua metade e uma escada em espiral subindo pelo seu interior.
- Bom dia - ela disse, com sua voz feminina - Sejam, bem vindos. Eu sou a Torre. Em que posso ajudá-los?
- Queremos chegar até o Bosque, por favor. - disse Haccu, só então percebendo quem era seu interlocutor,
- Subam. - ela convidou - A escada vai levá-los para onde desejam ir.
- Adeus Livreiro - disse Myshba, pulando para a plataforma de pedra - Muito obrigado pela ajuda. Nunca esqueceremos de como foi navegar pelas lembranças à bordo do Põemaisum.
- Eu é que agradeço - Respondeu o barqueiro emocionado - Porque se você diz que não vai me esquecer, eu existirei para sempre! Vão, - ele riu - vocês têm ainda um longo caminho, não se ocupem comigo - Enxugou seus olhos úmidos com uma página de Fábulas de Esopo, feita de lenço de bolso e sorriu - Adeus Leitora! Obrigado pela visita, eu também prometo que nunca te esquecerei.
"Então eu também viverei para sempre." Mellock sorriu "Adeus meu querido Livreiro! De agora em diante sempre que eu ler um livro me lembrarei de ti."
Põemaisum se afastou devagar, esperando as velas paginais se inflarem com o vento imaginado, sumindo na bruma do Mar da Mente, entre as gigantescas ondas.


- Subam. - pediu a Torre - E conheçam os sonhos. Vocês vieram de fora? Devem estar perdidos então.
- Estamos um pouquinho perdidos sim - mentiu Foxy - Mas se você falou sério quando disse que o Bosque fica lá em cima então estamos no caminho certo.
Neste momento alguns tentáculos de Polvos saíram da água para espiar os viajantes e os garotos ouviram um belo canto, como o de uma sereia, vindo da neblina.
- É melhor andarmos logo - disse Haccu, vendo o Mar borbulhar e a cerração crescer. Os quatro subiram silenciosamente as escadas compridas, seguindo Torre acima.
Ficaram andando pelo que pareceram muitas horas, um degrau após o outro. Grifos começaram a voar ao redor da torre sem-fim. Mellock olhava para baixo e via sempre o Mar, os tentáculos e a plataforma, por mais que subissem.
- Onde estamos agora? - perguntou Haccu bem baixinho - Parece outro mundo. É tão silencioso. ...
Um dos grifos se aproximou deles, sem fazer ruído - O seu segredo é que vocês têm que avisar ao Habitante que vocês estão aqui. - ele revelou, ainda sem falar ou fazer som.
- Quem?
A bruma cresceu. Envolveu-os todos, engoliu o mundo, os degraus e ninguém via mais do que o branco.
- Eu sou o Habitante da Bruma, guardião deste lugar - veio a voz, poderosa, profunda, antiga.
"E eu sou Clara Mellock. Boa tarde. Precisamos passar e chegar até o Bosque, mas acho que estamos peridos."
Um elefante surgiu da névoa branca. Possante, gigante, envolvente. - Vamos com cuidado e em silêncio, - ele disse - pois este é o domínio dos Sonhos e dos Símbolos. Eu sou o Habitante da Bruma e serei seu guia. - E começou a andar devagar, subindo as escadas da Torre com paciência. Sem opção, Mellock seguiu o enorme elefante cinzento.
Os grifos haviam se multiplicado e um sem número de animais voadores os acompanhavam agora.
- São gatos com asas, cavalos voadores, serpentes aladas, licornes e grifos! - enumerou Myshba - Milhares de animais que só existiam em lendas e alguns inventados. Mais à frente eu imaginei ter visto um hipopótamo voador, e atrás de nós um condor real!
- Por que nós não voamos também? - perguntou Foxy - Seria muito mais fácil do que caminhar. Além do mais, se isto é um sonho nós podemos fazer o que quisermos. - dizendo isso duas asas brotaram de suas costas e Foxy começou a voar junto com os animais.
- Vamos - dizia o elefante, caminhando. Ao seu lado apareceram algumas raposas e chacais. As hienas e os lobos solitários seguiam atrás.
- Nunca chegaremos assim - disse Haccu - vamos por aqui - e dizendo isso subiu em uma banheira que flutuava ao lado - Para o topo por favor - ele pediu e a banheira passou a flutuar ao lado dos degraus.
- É melhor não nos separarmos - disse Myshba, mas enquanto falava um grifo o pegou nas costas e o levou voando também.
- O seu segredo é deixá-lo olhar-se no lago - o grifo disse bem baixinho.
- E o seu segredo - disse outro grifo para Haccu, na banheira flutuante - é que o sentido da sua vida é Não.
Um hipopótamo de asas enormes passou ao lado, concordando - Não - ecoou - Não.
"Isso não faz sentido" dizia Mellock "Devemos ficar juntos, mas nós estamos nos separando. Haccu deveria estar tirando a água da banheira, mas ele se limita a flutuar. Não, isto não está certo, sei que não está. A maldição vai cair sobre nós."
- Basta seguir o elefante - disse o próprio Habitante da Bruma lacônico.
Toda a grande manada de animais continuaou a subir pela escada da Torre, agora apenas uma série de degraus no meio da bruma branca. Um tabuleiro de xadrez passou voando no sentido inverso. Cinco homens carregando uma mortalha cruzaram seu caminho e um quadro roubado passou voando pelo céu, fazendo um lavrador imaginar que seu rosto estava fugindo de si.
- Mellock!- chamou Myshba, das costas do grifo - Nós não podemos nos perder de novo. É melhor tomar cuidado e nos concentrarmos em nossos objetivos.
"Sim, não posso esquecer." a escolhida repondeu hipnoticamente, sonhando "Porque eu sou Júlio César e preciso matar um homem."


- Mellock, vamos correr lá fora? - pediu a voz.
"Não, preciso seguir o Elefante."
O Habitante da Bruma seguia em seu curso, insondável, imutável, invencível.
Um homem agora caminhava ao lado deles. Thomas. Alegre, ele seguia carregando um carneiro, acompanhando a multidão de animais que subia as escadas. - Posso acompanhar-te? - ele perguntou. Mellock murmurou um sim e seguiram juntos.
"Achei que você estivesse morto. Me lembro de quando me avisaram... Foi terrível. Quando eu dormia, sonhava que eu havia mudado o curso do trem. Sim, eu sonhei que o descarrilhamento fora minha culpa e que você nunca mais voltaria porque eu lhe quis mal."
- Isso não deve ter sido bom para o bebê...
"Não, não foi, não foi... Ah Thomas, eu precisava te avisar que nossa filha morreu! Mas você não estava em lugar nenhum. Eu procurava por entre os seus ternos no armário, por entre teus papéis na escrivaninha, mas nada... Onde você estava?"
- Isso eu não sei, porque sou apenas lembrança.
"Claro, claro... Eu só estava tentando saber..."
Um sol surgiu no horizonte. Uma cascata de mel caía ao seu lado, brilhante e dourada no meio da névoa. O sonho continuou e continuou para sempre, com a benção do bispo do capuz.
Agora Myshba fora eleito rei e poderia decretar o fim da Torre, se não fosse a sua necessidade de fugir de uma topeira; Haccu estava tentando encontrar a topeira para salvar Myshba e fazer a Torre terminar, mas ele só achava uma pantera; Foxy sonhava com uma ponte que estava construíndo, para subirem mais rápido, só que faltavam pregos e os anões não entregavam os seus. Nada adiantava. Tudo era sempre o mesmo. O elefante na frente e a procissão atrás. Mellock conversava com Thomas, e uma vez sonhou que o beijava de novo. Mas se esquecera tanto do assunto da conversa quanto do gosto de sua boca.
Seguia-se a enorme procissão. Os gatos alados, os grifos, as panteras negras, a banheira flutuante, os quadros perdidos, o unicórnio belo, o cavalo mongol parecido com aquele que carregou Gêngis Khan, o bispo de capuz, as estátuas de faunos que ganharam vida e dançavam, as camponesas que buscavam suas ovelhas no deserto, os garotos que queriam jogar futebol, a criança que chorava, o hipopótamo, a coleção de meias, as palmeiras, as borboletas dardejantes que seguiam uma carroça com uma carcaça de porco e iluminavam o ambiente, todos eles seguindo escada acima, criações de uma mente sonhadora, triste e solitária que agora subia as próprias escadas de sua mente.
Mellock se tornara uma caixa de surpresas, uma boneca russa: ela estava sonhando que estava em seu sonho, dela em seu sonho, sonhando que sonhava que estava em um sonho de estar em seu sonho, dentro dos sonhos. Não sabia mais onde estava.
Os dias se passaram, os meses até. Mellock fora Júlio César, príncipe de Nárnia, espadachim samurai, Ulisses navegante, padre precavido, esquimó que espera os pinguins, corredora de maratona e filósofo chinês que sonha em ser uma borboleta ou pensa em ser uma borboleta que sonha em ser filósofo chinês (ou podia até ser um sonho que se transformava em borboleta ou filósofo chinês). Por três vezes jurou amor eterno ao seu marido.
As cores da escada eram sempre as mesmas. Cor de rocha.
O habitante da Bruma parou diante de uma porta.
- É aqui - ele disse. - Vocês chegaram até o Bosque.
- Não - disse Myshba - ainda não estamos prontos.
- Não - disse Haccu - ainda não achamos a topeira.
- Não - disse Foxy - É só um sonho, o Bosque é mais adiante.
"Eu ainda não entendi onde estamos." decretou Mellcok "Vamos ficar mais um pouco. Preciso perguntar muitas coisas para Thomas."
O elefante baixou a cabeça pensativo mas não se mexeu nem continuou a caminhada. Ficou ali, a espera de algo.
- O seu segredo - disse um grifo - É que você existe para sempre. E sofre com todos os destinos.
A bruma cresceu e se enrolou.
- Fiquem - pediu Thomas - Só até compreendermos os segredos das estrelas.
"Certo" propôs Mellock, para a tristeza do elefante "Vamos olhar para o céu e tentar descobrir. Ficaremos aqui."
Cão, gato, bruma.
As estrelas não apareceram, por isso eles esperaram.
E eles viveram felizes para sempre.
Viveram anos e anos lá dentro.
"É como se eu tivesse que me lembrar algo, mas não sei do quê..."
- Isso é um sonho? - perguntou Haccu - Estou preocupado e gostaria que fosse.
- Não - respondeu Thomas - Isso é verdade. É angustiante, mas real.
O elefante imóvel.
Todas as estrelas que existem no mundo.
"Você promete nunca mais me abandonar?"

De súbito algo aconteceu. Algo real aconteceu. Os animais tremeram e rebrilharam. Um movimento poderoso havia mexido com as estruturas daquele lugar. Alguém palpável e verdadeiro entrara ali.
- Mellock! - chamou uma voz bem clara e audível, diferente daquelas dos sonhos, que fez com que o resto tremesse, com que o despertar chegasse.
"Quem está aí? Quem me chama?" a escolhida perguntou, eanquanto acordava devagar e se lembrava.
- Karyn! - gritou Haccu.
- Olá Haccu - ela respondeu calma, saindo de dentro de uma fenda que abrira na própria matéria dos sonhos - Nós vamos sair daqui agora, o sonho acabou. - andou até onde os quatro ainda estavam caídos, pegou-os pelas mãos os levou até a porta onde o Habitante da Bruma estava parado - Muito obrigado senhor elefante, por guiá-los até aqui em cima. Agora nós vamos, sim?
- Adeus - respondeu o Habitante - E bons sonhos.
- O seu segredo... - ia dizendo um grifo para a feiticeira, mas um movimento comandatório desta o interrompeu.
- Obrigada, mas eu sei qual é o meu destino.
Os cinco cruzaram a porta, e estavam de volta.
Era o Bosque, onde eles podiam pensar com clareza!
"O que houve conosco este tempo todo?" perguntou Mellock preocupada "Estávamos presos em um sonho sem fim, era horrível! Andávamos sempre para cima, mas a Torre nçao acabava."
- Obrigado Karyn - disse Foxy - Mais uma vez você nos salvou, minha flor. - A garota moveu a cabeça afetuosamente.
- Não vão! - pediu Thomas, do outro lado da porta, ao lado de um unicórnio e de um corvo - Eu imploro Clara, não vá. Como eu posso viver sem você? o que é que eu posso fazer sem minha esposa?... Nós tínhamos tudo planejado. Construímos tantos sonhos juntos...
Mellcok fraquejou e caiu no chão. Ela não sabia o que responder.
- Não ceda Mellock! - pediram os garotos.
- Fique aqui comigo - pediu seu marido.
"Não... Eu não posso escolher!" ela chorou. "Isso é duro demais para mim, por favor não me façam escolher!"
- Clara...
- Não Mellock, não!
...
- Por que você faz isso? - perguntou Karyn impetuosamente. - O que você quer com ela? Por que nos prende aqui?
Thomas a encarou com estranhamento - Eu quero viver com minha esposa para sempre - ele disse - Sinto tanta falta de...
- Silêncio! - ordenou Karyn - Não estava falando com você.
- Quero apenas me alimentar!- veia uma voz tenebrosa, de cima da porta onde Thomas ainda esticava seu braço para Mellock. Uma gigantesca borboleta colorida se empoleirava nos umbrais, brilhante e ameaçadora - Vocês têm muitos sonhos, muitas lembranças, muita vida. Eu me alimentarei de vocês quando tiver fome. Por isso os prenderei aqui.
"Mnéias!" gritou Clara Mellock "Então você é essa floresta que nos aprisionou, que me devolveu todas as lembranças dolorosas?"
-E você é quem? A escolhida? Patético. Foi tão fácil te controlar, como uma marionete tola a qual basta um puxão das cordas para dominar. Se você tivesse sozinha aqui não sairia jamais. Sorte sua que a feiticeirinha te salvou.
"É verdade. Eu sou fraca e tola. Ainda bem mesmo que eu não estou sozinha."
- Então você admite a sua fraqueza? Qhui qhui qhui! - o monstro riu de uma maneira assustadora, fazendo com que todos dessem um passo involuntário para trás.
"Não me envergonho disso. Na verdade, eu queria te fazer um pedido. Precisamos encontrar o velho Tom."
- Um pedido? - rugiu Mnéias, se levantanto e erguendo as asas brilhantes como lantejoulas - Você não tem este direito! Este é meu domínio, minha morada, minha fortaleza. Sou um dos Inomináveis antigos e nunca aceitaria ordens de uma humana ridícula, raça miserável que aprisionou-nos todos! No dia em que eu sair daqui o mundo todo será preenchido por sonhos e pesadelos, assim como era nos tempos primitivos, antes de vocês aparecerem! Eu dominarei invicta!
- E é por isso que você nunca vai sair daqui - disse Foxy, erguendo as mangas da camisa e fechando os punhos - Você fala muito para uma borboleta gigante..
- A nossa magia é a mesma dos Antigos que te prenderam aqui, neste mundo - disse Karyn, dando a mão para o garoto - O que quer dizer que iremos sair daqui de qualquer maneira. Você pode nos ajudar ou atrapalhar, essa é a hora da sua escolha.
-Vocês não tem nada a me oferecer, pois eu já comando o Inconsciente. Nenhum trato será feito com humanos patéticos.
"Por favor," pediu Mellock "nada de brigas. Podemos resolver isso."
- Nada de brigas, nada de brigas! Com quem vocês pensam que estão falando? Eu sou Mnéias, eu sou o absurdo e o sonho, eu sou aquilo que irá devorá-los! - e dizendo isso, a enorme borboleta monstro abriu sua boca asquerosa e tentou engolir a todos, sugando o mundo.
- A palavra de comando Mellock! - gritou Karyn, tentando se agarrar a algo - Havia uma palavra de comando no Livro dos Sonhos, que podia mudar Mnéias, tirar a sua máscara!
- Nenhuma palavra me atingirá, eu sou invencível! Estou cansada de vocês, bruxos, cheios de feitiços e palavras absurdas para nos aprisionar. Eu era uma das Inomináveis, até que fui aprisionada com este nome ridículo, que odeio tanto, por uma das suas rainhas feiticeiras dos tempos antigos! Me condenaram a servir aos sonhos e às lembranças, eu que antes era mestra! O dia de minha vingança será pavoroso. Será o dia do Juízo Final, quando os sonhos viverão entre os Homens.
"Os sonhos eu chamo!" gritou Mellcok sobre os urros "As lembranças, pesadelos, idéias, memórias, loucuras, saudades, conversas, pensamentos, e todos os habitantes deste mundo das mentes. Eu te comando Mnéias, através do seu nome e da palavra "Palavra", tua ordem de comando. Quero que percas a tua máscara de ódio e nos ajude!"
- Jamais! - guinchou o ser - Eu deveria ter enlouquecido o criador deste livro maldito, destruído sua mente, enviado tantos pesadelos que ele nunca mais poderia dormir! Como pude deixar esse livro terrível existir?! Como pude deixar os segredos se espalharem?!
Com um silvo agudo, Mnéias derreteu e brilhou, como piche ou lava escorregadia, que se dissolve no ar. Seus urros se silenciaram e tudo se acalmou. Em seu lugar uma minúscula e bonita mariposa flutuava.
- Eu tenho diversas caras. Muitos sonhos e loucuras habitam em mim. Coagida pela palavra "Palavra" que me domina, fui derrotada. Por uma humana. Pela escolhida, detentora dos poderes dos Antigos.
"Me leve até o velho Tom" Mellock ordenou "Nos leve de volta para casa"


- Vá na frente - disse Karyn - Nós vamos procurar por Neyleen e Teobolt. Pode deixar os garotos comigo, vá atrás do seu homem misterioso. Estaremos por aqui, no Bosque.
- Nós ficaremos bem - disse Myshba, indo atrás dos outros - Mas você tome cuidado.
"Podem deixar, encontrarei Tom. Vão na frente e não se preocupem. Até mais"
Mellock se viu sozinha de novo, diante de uma série de árvores verdes que filtravam a luz. Havia uma serena calma naquele lugar. Uma pequena mariposa pousada em seu ombro.
"Isso se parece um pouco com Neru" ela lembrou. "Só que um pouco mais soporífera e perigosa."
- Não durma aqui - sussurrou Mnéias - Ou ficará presa. Entre logo em uma das mentes. Vá até aquela da esquerda, perto do arbusto. Tenho certeza que uma lembrança ou um vestígio do Velho Tom habita lá.
"Não vejo nenhuma mente ou entrada para lá, só árvores."
- Siga em frente - a mariposa ordenou. A escolhida avançou titubeante. - Mais. Mais ainda. Vá em frente, não tenha medo.
"Não vejo nada aqui" disse Mellock, mas ao dar o próximo passo ela teve a súbita sensação de cair em um buraco. O mundo do Bosque sumiu, o chão desabou abruptamente aos seus pés e sem aviso ela caiu no meio de uma sala de aula. "O que é isso? Minha cabeça está girando, que lugar é esse?"
- Não era o que você queria? Você acabou de entrar em uma das mentes. - Mnéias disse. Mellock olhou em volta, para os outros alunos, o quadro-negro e o professor. - Mas Tom não está aqui. Isso é uma outra lembrança. Vamos logo - pediu a mariposa, voejando à frente - O que você procura fica em outro pensamento.
"De quem é essa mente?"
- Não há tempo para perguntas tolas. Você queria encontrar algo e eu estou te mostrando o caminho.
"Você..." disse Mellock para uma garota sentada ao seu lado. Ela era a única que não parecia interagir com o resto do sonho, sentada atrás pensativa. Era também a mais nítida, por assim dizer, a que se destacava por parecer mais lúcida e fixa dentro da sala. "Esse sonho é seu, não é? Quem é você, qual é o seu nome?"
A menina olhou para a escolhida de trás de seus compridos cabelos pretos. Encarou-a com suspeita e reserva.
- Meu nome é Marina. E eu não gosto desse sonho. Você é parte dele também? Que tipo de maldade você veio causar?
"Nenhum tipo, eu juro. Eu estava procurando por um homem e pensei que você pudesse me ajudar. O nome dele é Tom. Velho Tom, da Cidade dos Sonhos."
A garota tirou nervosamente o cabelo do rosto. - Eu sei quem ele é. Acho que sei. mas não me lembro com clareza... Eu estou mesmo sonhando?
"Está. Mas você vai despertar em breve, tenho certeza. Será que você poderia me levar até este Tom?" a escolhida perguntou, sentindo que sua busca finalmente chegava à algum lugar.
- Acho que posso fazer isso - Marina disse, enquanto a neblina entrava pelas janelas e pela porta aberta - É só eu me lembrar, não é? Se eu me concentrar nas minhas lembranças você vai poder cehgar lá...
"Tom era um homem da Cidade dos Sonhos" disse Mellock, pensativa, segurando as mãos da garota "Então para conhecêce-lo você devia ser de lá também. Mas eu me lembraria do seu rosto Marina, tenho certeza."
- Não se deixe enganar - sussurrou Mnéias - por uma simples aparência das memórias. Elas são enganadoras ao extremo.
A neblina branca cobriu tudo. Sumiu a sala, sumiram as pessoas. Aos poucos as sombras foram ganhando formas e viraram uma floresta.
Mellcok se assustou ao olhar para frente. Onde antes estavam as mãos de uma garota agora se encontrava as de uma mulher madura. Seu rosto era conhecido e trazia em si as marcas da desconfiança, que foram talhadas ao longo de uma vida inteira.
"Madalena!" gritou Mellock "Agora eu te reconheço, como não suspeitei antes?! É você então que se lembra de Tom?"
- Me desculpe por não contar nada quando estávamos lá fora... no mundo real. Daqui a pouco eu irei acordar e me amaldiçoarei por ter deixado alguém ver as minhas memórias mais bem guardadas. É melhor você ir então, enquanto eu estou certa do que faço.
Mellock assentiu séria. Soltou as mãos de Madalena, e entrou na floresta escura.
Por trás dos arbustos e das árvores a mulher desapareceu. Ela, que fugira de tantas coisas antes, que abandonara diversos nomes, que não conhecerá lar ou amigo, não conseguiu escapar ao próprio inconsciente. Uma dia seu sonho a traiu, e revelou à Clara Mellock seu segredo, escondido em uma profunda selva.
- Mais á frente! - gritou Mnéias - Pule os troncos e corra! Sem parar, ele está muito próximo, posso sentir! Que gosto delicioso tem uma memória antiga, que aroma, que perfume! É uma parte de Tom, é o próprio Tom, é uma lembrança! Não pare.
Mellock tropeçou e caiu uma série de vezes e pôs-se a correr mais determinada ainda. A mariposa em seu ombro ria de regorjizo enquanto ela tentava encontrar seu caminho afastando galhos espinhentos e gravetos tortuosos.
A mata se abriu subitamente em uma clareira verde. A escolhida parou em sua borda, arfando de cansaço. No meio das árvores estava sentado um homem alto, de bigodes brancos sob um nariz proeminente, com um livro duro nas mãos e um rosto sério e compenetrado.
Mellock sentiu vontade de rir assim que uma única frase pulou de sua boca; uma única identidade era possível para o estranho e no meio do absurdo e da ilusão ela encontrou uma voz calma e firme com a qual perguntou alegremente:
"Velho Tom da Cidade dos Sonhos, eu presumo?"
- Não - respondeu o homem, lendo seu livro - Sou a Lembrança de Tom, já que este está morto agora - e virou-se para ela, sorrindo sagaz - Mas algo me diz que você já sabia disso, e que foi essa a razão pela qual você entrou aqui em Mnéias, apesar de todos os perigos.
"Sim, o que fiz foi uma loucura." ela disse, ainda sem ousar se aproximar.
- Sem problemas. A bem da verdade, eu não gosto de pessoas que não se arriscam a fazerem coisas tolas e aventurescas. Você não quer se sentar? Aceita um chá?
"Sim, adoraria um chá."
- E sobre o que você quer conversar?
"Para ser sincera... sobre a sua morte."