domingo, abril 15, 2007

Sal do mar

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- Acho que estou enlouquecendo. Sinto no cheiro da chuva o inegável sabor de maresia, apesar de toda a distância que nos separa do mar.
- Eu também o sinto - confirmou Hoshy - Parece que chove água salgada.
- Mas será que o mundo se inverteu? - continuou Fren.
- Ou foi Nzuzu, a Mãe-D'Água que resolveu falar conosco. Que mensagem será desta vez? Com que carícia ela nos conforta?
- Com o cheiro do mar ela fará de nós pescadores. Ou marinheiros.
- O que esperamos? - perguntou Mizudinie, ali ao lado. Espreguiçou-se na cadeira de madeira e sentiu a chuva cair do lado da varanda.
- A chuva veio nos buscar - disse Fren balançando a cabeça.



"E lá vai o nau, serena
cruzando mares sem fim
e praias e sóis e nuvens
e nuvens de tempestades
trovões raios ribombares
e lá vai o nau constante
lá vão velas dez velas infladas
por vento meso-oceânico
e vinte homens do mar
e imensas marolas negras
fazem dançarem seus mastros
sobre a imensidão do céu
e lá vai a nau, dançando
procura o próximo porto
e um homem no cesto da gávea
ouve a gávea panejar
cumprimenta um albatroz
mas não avista gaivota
e o homem no cesto da gávea
já não limpa o sal do rosto
e sussurra pro nevoeiro
mais mar, mais mar, mais mar."


E de repente solidão.
?
- Não!
A chuva vem a nós todos, nos molha e nos faz rir.
Quantas vezes não pensamos ser lindo o mundo? O coração é mestre em escapar das gaiolas.
Pour la mer, captain

- A chuva vem nos buscar

Um comentário:

Pioux's disse...

mais mar, mais mar, mais mar!