quinta-feira, agosto 17, 2006

Hoshy


Sinto-me deserta. Um vazio me preenche. Desesperador.
Sempre menti para tentar me sentir melhor, mas agora vejo que tornei-me uma mentira também. Não sei mais quem sou. Fui um grande fingimento e só posso dizer que isso não me trouxe nenhum prazer, nenhuma aventura.
Falei tanto sobre o que não aprendi, inventei histórias sobre um tanto que não fui. Tentei ser alguém, mas resultou-se em fracasso.
Me perdi.
Se achrem-me por aí, avisem. Digam que estou em qualquer lugar.
Fracassei. Me parece errado dizer isso, já que nem ao menos tentei.
Fui um desastre. Menti e me enganei, dizendo ser quem eu não era, quem eu não fazia esforço algum para ser. Esforço? Nunca me esforcei para conseguir ser o que não-sou.
Não fui, não fiz, não sei.
Não sou nada agora.
E agora, o que eu fiz depois de dizer tanto?
Depois dos discursos coloridos sobrou-me o deserto.
Falei mentiras? Sim. Tratei de enganar desesperada a todos, sem saber que, no fundo, era eu quem queria, com o mesmo desespero, acreditar.
Ninguém havia me dito que os sonhos são belos, mas feitos de areia. Se não transformados logo, tenho à frente nada além de um vasto deserto.

5 comentários:

Lobz disse...

=o.o=....
Hoshi... acho que sonhos têm que ser como núvens...

Lobz disse...

AAAAH! Eu escrevi "núvens", com acento!!! Droga! Acho que realmente estou com a Síndrome de Liá-Má!!1 Xþþ

Artur disse...

A Cláudia falava que uma pessoa não consegue fingir por muito tempo ser uma coisa que não é, que logo essa pessoa acaba se tornando isso que era sua mentira. É como aquele poema do Fernando Pessoa: quando tentei tirar a máscara, estava grudada ao rosto...


E a Ana B. falava que
"Toda quimera se esfuma
Como a brancura da espuma
Que se desmancha na areia"

pioux disse...

talvez ^^

Charles B. disse...

Sim.

Ahhh... adoro esse poema!