segunda-feira, março 31, 2008

A volta

Dia 6 de maio. Esperem por este dia.
One Piece vai voltar a ser publicado no Brasil!


Podem festejar pelo melhor mangá do mundo!

Ah sim, esta noite eu sonhei com Lost. Tinham novos personagens e muitosa perigos terríveis. Eu fiquei encarregado de escolher os que iriam sobreviver; escolhi a Clefairy, a Chansey e a Jigglypuff.

quinta-feira, março 27, 2008

Ele falou! Ele falou!

Estava na aula, tranqüilo, quando o professor começa a falar sobre a importância que tiveram os humanistas que aprenderam latim, porque isto ampliava seus horizontes, já que:
- A língua, vocês sabem, é toda uma visão de mundo, a língua é uma bnbdiqgdw (expressão em italiano que eu não entendi), uma Weltanschauung, como diriam os alemães.
!!!!

segunda-feira, março 24, 2008

Um Tema

Interessante o número de músicas irlandesas e escocêsas que falam de uma garota que amava um rapaz que saiu para o mar. Ela fica esperando que ele volta, muito triste, enquanto ele enfrenta as tempestades e os ventos . Eu sei que dor de amor é um tema comuníssimo de canções populares (não preciso nem dar exemplos), mas esse é um tema um pouco mais específico: ele vai para o mar, ser marinheiro da, talvez, frota britânica. E ela espera ele voltar. Às vezes dá certo, às vezes não dá, mas isso também é de histórias de amor.
Viram que se trata de um contexto mais específico das ilhas inglesas?
Kellswater, Blackbird, Banks of Claudy, Adieu Lovely Nancy, Annachie Gordon, só de olhar em volta vejo vários títulos. Aposto que existem mais entre as minhas músicas, mas não estou afim de olhar. É um tema bem interessante.
São todas músicas bonitas.

domingo, março 23, 2008

Adoro quando as pessoas são sinceras.
Nunca se sabe o que esperar delas.

quarta-feira, março 12, 2008

Fim de tarde no verão.

Sempre que há um intervalo vou à grama ler. Fico sentado no chão, olhando a tarde acabar. Em volta, voam rápidas as libélulas, várias delas. Acho que foi para o seu vôo que criou-se a palavra dardejar, porque não penso em outro uso.
É fim da tarde e desenho libélulas em minha mão, enquanto as verdadeiras brincam em volta. Poderia ser um haikai, se eu soubesse construir sílabas. Não é o caso, por isso posto no blog.




P.S. : Sinto que, para mim, as libélulas são especiais. Intuo alguma conexão entre mim e elas, algo que elas deveriam simbolizar em minha vida, mas não percebo com clareza o que é. Continuo a olhá-las, esperando encontrar um dia a resposta. Por que as libélulas? Talvez tenha a ver com seu nome inglês: dragonfly. Mas mesmo em inglês não há uma relação óbvia entre nós, não há sentido em considerá-las especiais, em querer sempre me aproximar delas.
No entanto, sentado na grama, eu continuo olhando as libélulas voarem.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Dica: Avatar

Bom, blog é para falar da nossa vida, né? então vou falar de algo que vem me ocupando nos últimos dias: "Avatar - The Last Airbender", o desenho animado. Cara, como esse desenho é bom! Tá, ele parece ser feito para pessoas mais... jovens do que eu, mas acreditem, fora algumas piadas mais bobinhas é algo que qualquer um pode assistir sem vergonha nenhuma. A música, os personagens, os cenários, os nomes, as lutas, a História, é tudo tão bem feito e bem pensado! Nunca vi um desenho animado tão bom quanto esse, ou tão... sofisticado talvez, embora pareça pretensioso e artístico. Ah, encontrei um adjetivo melhor: é divertido! Muito divertido!
A história é mais ou menos a seguinte: no mundo existem quatro nações: a da terra, a do fogo, água e ar. O Avatar é aquele que controla os quatro elementos e mantém o equilíbrio. Mas algo aconteceu e o Avatar desapareceu. Nos cem anos em que ele esteve perdido, a nação do fogo lançou um ataque contra as outras e está bem perto de destruir tudo. É aí que entra Aang, o personagem principal. Ele é o novo Avatar e o último dos dobradores de ar (nesse mundo o controle de um elemento se chama dobra, ou bend em inglês) e é sua a responsabilidade de acabar com a guerra e ajudar as pessoas.
Enfim, assistam. Eu recomendo. No começo ele é mais infantil e tal, mas mais para a frente ele fica mais sério e interessante, à medida que os personagens ficam mais fortes.
É isso.

sábado, fevereiro 16, 2008

Um antigo tema retorna

A imagem original: E se One Piece fosse um filme de Hollywood??
Uma série que saiu nas edições passadas, mas em preto em branco. A versão colorida (única que vale a pena ver):

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

As histórias de Hoshy Heogger - 2

As areias impermeáveis esquentaram durante o dia, impedindo que prosseguissem. Pararam sob uma plataforma de rocha e Astréia Psâmate decidiu que era um bom momento para uma história. Esta era uma mulher que decidia por si mesma, que contava as histórias quando queria, quando achava que deveria ser; ninguém podia pedir a ela coisa alguma, tudo com Astréia vinha na forma de bênção.
Na sombra, sentaram-se exaustos. Hoshy se aproximou da mulher velada para estudar-lhe os movimentos, quem sabe aprender os truques minuciosos que criam a fantasia e se escondem nos gestos das mãos.
- Havia, no País de Gales um rapaz de estábulo muito orgulhoso, convencido de que era o melhor lutador de todo o reino. Um dia, para aprontar-lhe uma lição, seus amigos lhe deram o cavalo mais bravo de todos, o indomável Bucéfalo. O rapaz não podia nem chegar perto do animal, de tão furioso que era. Logo, suas expectativas sobre si próprio desceram ao chão; estava desanimado. Para não demonstrar aos seus amigos qualquer tipo de receio ou humilhação, deu um salto rapidíssimo e montou no cavalo indomável, se agarrando à crina com toda a força que pôde. Viu nesse momento, lá de cima da cela, uma donzela passear no jardim do palácio. Era a filha do rei. O rapaz logo viu que ela brincava com uma bola dourada, descuidadamente. Se a bola caísse no poço, ela não teria solução senão pedir ajuda para ele, que muito diligentemente desceria e traria seu brinquedo de volta. A princesa ficaria muito contente, sorriria para ele e o olharia não como o rapaz do estábulo, mas como um jovem bonito, um quase herói. Ela retornaria a esse ponto do jardim, no dia seguinte mesmo, para procurar de novo seu amigo, e ele estaria esperando por ela, para contar-lhe histórias, quem sabe, para falar de sua família e de sua honrada árvore genealógica e da grande injustiça perpetrada por um conde invejoso que o fez descer àquela condição humilde de trabalhador nos estábulos reais. Ela sorriria novamente, aquele sorriso de sol, de flor, de manhã. Ela lhe pediria novas histórias e ele falaria de dragões, de batalhas, de sua força e bravura até que notícia chegaria ao rei que em seus estábulos trabalhava um grande herói disfarçado. Os soldados iriam investigar e ele negaria tudo - teria de ser humilde, cortês - mas o inscreveriam à força em um concurso de cavaleiros. Enfrentaria, espada com espada o cavaleiro negro, o irmão da princesa, depois de derrotar todos os outros competidores. A princesa o teria dado um lenço como sinal de amor e seria o lenço que lhe daria força para vencer em um golpe da espada a impenetrável armadura escura. As honras voariam e as damas comentariam sobre ele. O rei ficaria impressionado, mas ainda não seria hora de comemorar; para obter a mão da princesa teria que cumprir mais uma prova: enfrentar o monstro que habitava a floresta vizinha ao castelo. Munido de sua espada e de bravura apenas, ele iria como cavaleiro para a floresta e encontraria o grande monstro deitado na grama, com um bote pronto. Seria por pouco, mas conseguiria desviar do ataque e rolar nas folhas para desferir uma precisa estocada que mandaria de volta ao inferno a terrível criatura, de garganta cortada. Logo, a princesa seria sua e em sua cama se deitaria. Todas as manhãs acordaria com o sorriso de sol e o rei lhe agradeceria em nome do povo. Agora sua família teria sido devidamente reparada dos malfeitos a que fora submetida no passado e ele teria sua própria riqueza, para desfrutar sem pressa.
- Quando deu por si, o rapaz estava caído no chão em meio ao pó e Bucéfalo empinava longe.
Um vento bateu rente à rocha e Astréia Psâmate se silenciou.
Hoshy perguntou se a história falava sobre o perigo de desejar coisas impossíveis, e também sobre o perigo de se perder a realidade de vista.
No deserto traiçoeiro, soou distante um relinchar furioso de cavalo.
- Seria... ?
Astréia continuou em silêncio.

Além do medo, havia esperança.

Ele pediu um vento e um vento negro soprou, e coisas terríveis, quase increditáveis, começaram a ocorrer, sem aviso - nunca há - sem nem ao menos tempo para se acostumar com tudo aquilo. E o vento estava em casa. O vento que soprou quando ele estava sozinho, no escuro.
Se fechou no escuro e dentro de si, além do medo, encontrou um baile de máscaras. Havia música, havia beleza, cores, danças. Mas como libertar o que estava dentro de si? Como, senão pedindo ao vento negro que viesse e tomasse, e criasse sozinho, cantando, cantando.
Mesmo no centro da tristeza, sorriu, porque amara algum dia. Amara aquele homem tão gentil, e não havia sentimentoque pudesse dirigir a ele que não fosse a mais pura e contente compaixão, para sempre!
Dançou sozinho, no meio da tempestade. Os trovões destruíam a cidade, a chuva lavava o que havia lá fora. Nunca suspeitara que dentro da treva houvesse tanta dança! Girava e seguia o vento negro, que agora formava uma ponte que atravessaria sozinho.
Como cantar?

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Pungente

Adoro esta palavra. Adoro mais ainda guardá-la e usar somente em ocasiões especiais, como ao ouvir aquela música tão bonita que toca com um dedo dentro da alma da gente ou que expressa, com a melodia e as palavras certas os medos, desejos e esperanças de uma geração inteira. Nessas horas eu gosto de suspirar devagar e dizer:
... pungente!

sábado, janeiro 19, 2008

Não consigo parar ou seguir...

Estou novamente criando uma história em quadrinhos.
Já são três, inconclusas. São legais, boas mesmo (modéééstia à partee) mas não tenho ânimo de me dedicar a desenhar tão bem assim...
Algum desenhista se oferece?

Os Caminhos se Fecham em Esperança


Vou narrar então o último espisódio de Esperança.
Tudo começou há mil anos atrás, na luta entre o herói lendário Yusuke e o dragão de Kishimoto, terrível devorador de gente e de ovelhas, que deitava fogo sobre tudo o que via e podia carregar um elefante nas patas. Mas foi preciso apenas um único golpe preciso da espada de Yusuke para derrubá-lo dos céus para sempre. A espada era tão afiada que dividiu a garganta do dragão de Kishimoto em duas, separou suas costelas, fendeu sua vértebra, partiu em dois nacos gigantescos de carne o rabo compridíssimo e, dizem, dividiu o céu. Yusuke, do chão, pulou na direção do monstro que descia em rasante, garganta aberta pronta para devorar, e orquestrou o preciso e intrincado golpe com a lâmina. Era a Rachadura Celestial, movimento que nenhum outro espadachim de nenhuma outra parte do mundo conseguiu realizar antes ou depois em todos os tempos.
Mas e Esperança? Esperem, esperem, que ainda vamos chegar lá. A história precisa ser narrada do princípio. O corte único da espada de Yusuke partiu o céu acima do dragão e provocou a Fenda vertical, que se estende neste exato e preciso momento sobre os céus de Manila. Dizem os astrônomos que a Fenda é fixa no céu, e que, com o movimento de rotação da Terra, ela está sempre se mudando de lugar. Ou melhor, estamos nós sempre nos movendo enquanto ela fica firme.
Setecentos anos depois de Yusuke matar o dragão, havia um Rei;
- Um Rei? Que Rei?
Como assim, não são todos iguais?
Enfim, o Rei (este rei, aqueles reis), sentado em sua torre, apontou pela janela e perguntou aos seus filósofos: O que é aquilo?
- Aquilo meu senhor, é a Fenda.
- Quero-a para mim.
- Mas senhor...
Os filósofos foram expulsos do salão real sem poderem explicar. O Rei, apaixonado, olhava o céu de sua janela, até que percebeu:
- Está indo embora!
E mandou um destacamento de soldados buscar a Fenda e segurá-la para que não fugisse.
General Abas, um gigantesco crocodilo em uma armadura vermelha como sangue, foi designado para a missão. Ele havia conquistado a inexpugnável Trópia, derrotado a Cavalaria Inderrotável e perseguido todos os hereges do reino com sucesso. Seria de se esperar que capturasse a Fenda também. Abas e seu exército de lagartos, mariposas, ratazanas e cobras, partiu cruzando o pântano infinito de Oggdur, superando os Montes das Estrelas e invadindo o cerrado multicolor, onde esperava finalmente alcançar o seu prêmio. Mas nunca chegaram. Enquanto descansavam no capim verde e vermelho, um monge andarilho se aproximou e pediu um pouco d`água.
Abas tinha um lado bondoso também, por debaixo da armadura, e concedeu sua própria cabaça para o monge beber.
- Muito obrigado, respondeu o andarilho. Gostaria de ouvir umas palavras?
O monge discursou com simplicidade. Se alguma vez houve um registro de suas palavras este já se perdeu. O que sabemos é o efeito profundo que o discruso do andarilho provocou no exército. Sem exceção, as criaturas foram tocados pela sabedoria e compaixão.
Atônitos, os soldados do terrível exército de Abas perceberam que estavam na presença de um homem santo, senão o próprio Despertado. Imploraram-no que continuasse seu discurso, que nunca parasse de falar. Após escutar as palavras do homem santo, o próprio general Abas arrancou a armadura vermelha do corpo e lançou ao chão todos seus pertences. Abandonou o reino, o nome e tudo o que tinha para seguir o monge e ser como ele. Junto ao seu general, o exército inteiro desertou, deixando o cerrado multicolor vazio outra vez, exeto, talvez, pela poeira dos retirantes e pelos pequenos seres de olhos grandes que habitam os arbustos.
Enquanto isso, o Rei se desesperava em seu palácio. O que vou dar de presente para minha filha Ashoka, tão bondosa, se meu exército não volta?
Ashoka era sim bondosa, mas não se importava nem um pouco com a Fenda ou com a Guerra. Toda vez que seu pai destruía algum reinado em sua conquista, Ashoka seguia imediatamente atrás com seu exército próprio, feito de médicos, enfermeiras, arquitetos e cozinheiros para ajduar as pessoas a reconstruírem suas casas e sobreviverem à fome e à peste. Tentava em vão convencer seu pai a parar com a Guerra. Ameaçava fugir de casa, se matar, casar-se com um pretendento muito feio e muito pobre, mas de nada adiantava. Para consolá-la, o Rei iniciava novas empreitadas atrás de presentes magníficos, que invariavelmente levavam à mais guerra e destruição, isto é, até o dia em que Ashoka, a bondosa, Ashoka, a princesa, vestiu uma armadura completa e foi vencer sozinha o exército do Rei em um campo de batalha, para que não houvessem mais mortes. Mas esta é outra história.
O pingente que Abas usava no pescoço - esta sim é a história - fora um presente da princesa Ashoka. Quando abandonou seus objetos, o general crocodilo também se desfez do pingente, que acabou caindo em um lago escuro, onde só habitavam sapos. Um dia, um certo tempo depois, um jovem rapaz que veio caminhando de um país muito distante parou perto do lago para descansar e adormeceu. A ninfa que morava naquela fonte imediatamente se apaixonou pelo jovem deitado e pescou, do fundo da água escura, o lindo pingente.
Ao acordar, o mercador viu o brilho em seu pescoço e ficou maravilhado. Continuou seu caminho contente até que, quando estava entrando no mercado de Bagdá, ouviu uma voz saída do pingente dizer-lhe que devia comprar as maçãs na tenda de Isaque e vendê-las na tenda de Mussa. Era a ninfa, aconselhando-o. O jovem mercador assim o fez e ganhou uma certa quantia de moedas, nem muitas nem poucas. Como um bom mercador que era, descobriu o que podia fazer para ganhar dinheiro mais rapidamente. Pegou o pingente e vendeu-o à um mágico por muitas moedas; trocou as moedas por um lindo vaso, com o qual fez um excelente negócio e entrou no ramo imobiliário de Bagdá. Ficou rico, engordou, ganhou uma fortuna fabulosa e nunca mais pensou em ninfas ou em magia.
Foi assim que se fundou o mercado ambulante de Ogd. Aquele que pertence à vários planos e ao mesmo tempo a nenhum; aquele que tem exatamente o que você mais precisa no mundo, para o bem ou para o mal: aquele ao qual só se vai uma vez na vida; aquele, cujo primeiro item vendido foi uma ninfa presa em um amuleto, por um mago verde do oeste. Mas sua história será contada apenas cem anos depois, e começará na cidade de Justa, um porto. Miguel, um jovem marinheiro, abriu a porta de sua casa para sair para a rua e quando percebe, não está na rua. Está em Ogd.
Encontra, na barraca do Rei dos Ciganos, exatamente o que mais precisa no mundo: uma poção que fará Emília se apaixonar por ele, a ponto de deixar o jovem tenente Carlos. Cego pelo ciúme, Miguel comprará a poção, mas se esquecerá de previnir que Emília olhe para Vítor, o pobre carregador do porto, e se apaixone perdidamente. Perseguidos pelas duas famílias mais influentes de Justa, a de Miguel, o jovem marinheiro, e a de Carlos, o jovem tenente, o casal é obrigado a fugir.
Emília e Vítor embarcam escondidos em uma noite escura e saem Oceano afora. Passam por várias aventuras e várias histórias, cruzam com o gigante Adão, conhecem a terra dos opostos até chegarem à Abadia de Cristal, quase no ponto extremo do mundo.
Lá foram recebidos pelo Arquimago de Lunaria e se tornaram hóspedes de horna. Seus felizes descendentes - era justamente deles a história que eu queria contar - continuaram a morar na Abadia até os tempos de Hollo Christine e da praga de crocodilos. Jack Sortudo, bisneto de Emília e Vítor, seria o triste homem sem sorte alguma que desencadearia os desastres do lunetar.
O lunetar era o objeto guardado pela Abadia, sob mil segredos. Através de outras histórias ele foi parar lá, e foi culpa do pobre Jack Sortudo que ele saiu da proteção dos monges e do Arquimago, direto para as mãos de Obã, o cruel rei da chuva.
Foi numa tarde quente e preguiçosa. Jack cuidava das ovelhas e sonhava com o movimento das facas e espátulas da cozinha, supervisionados por madame Chambon, a roliça e atenta cozinheira-chefe que o impedia toda vez que tentava roubar algum pedaço de pão escondido. Lá, onde a ponte de Kalima cruza o rio veloz e escuro, Jack havia deixado os carneiros descansando. Do lado contrário vêm um estranho viajante, de capa escura e barbas longas, a dar-lhe um ar sinistro e nada amigável.
O viajante pede um favor: sendo de coração puro poderá ajudar um pobre senhor a recuperar o artefato que perdeu na Abadia de Cristal, um simples lunetar de ouro; bonito, porém sem valor algum.
Jack sortudo foi contagiado pelo feiticeiro Obã em seu discurso e se dispõs a pegar o lunetar para o velho que já lambe os beiços de antecipada excitação. Com o lunetar, Obã não somente controlará a chuva, mas também será o regente tirano de toda tempestade, vendaval e trovão. Por isso ele antecipa seu novo poder com tanta ganância.
Jack, o azarado Jack, que não podia servir em nenhum dos postos da Abadia por ser atrapalhado demais, que mesmo cuidando de ovelhas encontrava meios de se encrencar, foi até o altar central e pegou escondido o lindo artefato de ouro. No caminho, derrubou, de tão nervoso que estava, os cinco potes de leite que madame Chambom havia empilhado. Correu assustado até a pradaria para devolver ao velho seu instrumento quando, quase chegando, no cara do próprio Obã, tropeça e deixa cair o lunetar no claro e caudaloso rio das ovelhas, que o leva colina abaixo e depois para longe.
O rosto do feiticeiro se alongou até o limite, suas mãos ainda estendidas para o vazio. Gritou e gritou contra o rapaz, até ficar rouco e o campo inundar de tanta chuva. O Arquimago de Lunaria foi atraído pelo barulho e correu até onde Jack Sortudo estava, desmascarando o cruel Obã e afastando-o de perto da Abadia.
- É da maior importância que o lunetar não caia nas mãos de homens como ele - instruiu o Arquimago - Por isso você deve garantir que o instrumento fique à salvo, nem que seja necessário ofertar sua própria vida.
Jack assentiu assustado e partiu para cumprir a missão que o Arquimago de Lunaria lhe confiara. Atrás dele foi mandada a Ordem dos Copos Virados, uma secreta e poderosa liga de cavaleiros mercenários habilidossísimos.
Do outro lado, Obã mandou os Corvos das Trevas, também uma sociedade de mercenários habilidosos, destinados a recuperar o que o rei da chuva pensava ser seu.
O encontro se deu no planalto de Dercã. O choque foi violento e horrível. Não sobrou nenhum homem vivo de nenhuma das duas facções. Ainda hoje os habitantes de Dercã colhem frutas-coração das árvores-de-sangue que nasceram dos corpos mortos.
Sobrou, naturalmente, Jack Sortudo, que encontrou o lunetar ao se sentar sobre um arbusto e cair acidentalmente em um espinheiro. A dor o levou até um pequeno riacho, onde podia-se ver um brilho dourado entre os seixos.
Porém, quando trazia o lunetar de volta à Abadia, colocou-o no bolso furado e perdeu-o nos arredores de Ijul, o vilarejo dos fabricantes de feno. Mas não houve problema. Obã, o cruel rei da chuva já havia morrido poucos dias antes de uma gripe terrível, e seu reino foi dividido entre seus generais, depois anexados ao Império Malthusiano e hoje poucos conflitos esporádicos - a maior parte pela independêcia e nacionalização das províncias - são seus únicos problemas.
Em Ijul, o dono de uma taverna encontrou o lunetar quando levava o lixo para fora e resolveu dar à sua filha, que o deu a um viajante passageiro por quem se enamorara. Quando chegou em sua cidade natal, o viajante deu o lunetar para sua professora de piano, que lhe inspirara a jornada. Esta deu ao seu marido, que o deu à sua segunda esposa, que o deu ao seu amante, que morreu, infiel e infeliz, em um naufrágio na costa da Bretínia em uma tempestado imprevisível e providencial, pois regou a horta de todos os camponeses saalianos e garantiu a eles alimento durante o verão seco.
O lunetar desceu pelas ondas até a praia de Amália, onde habitava uma sociedade veneradora do ouro e, sendo feito do precioso metal, foi venerado durante dois anos até que foi secretamente roubado por um ganancioso senhor de bigode de morsa que passou a venerá-lo sozinho em casa até que chegou em Amália o Cardeal e o senhor de bigode de morsa presenteou-o com o instrumento. O Cardeal, na verdade um espião duplo, passou-o ao diplomata do reino inimigo, que foi roubado e decapitado por um ministro invejoso - um homem de capa escura que não se importava com o sangue em sua espada, mas com a honra em sua casa, e que acabou empregando o lunetar em seus esquemas pérfidos até que perdeu-o para um camareiro ladrão que fugiu até um reino onde veneravam a prata, onde, sendo dourado e portante desprovido de valor, o lunetar passou a ser um brinquedo de criança.
Quando o clima mudou e a população do reino onde se venerava a prata migrou para o sul, o lunetar foi deixado de lado e esquecido em uma mata, onde um mendigo desgraçado cuidou dele e se tornou seu gentil e curioso guardião, até o famoso incêndio da floresta de Cortésia, que o afastou do lugar e deixou o instrumento nas mãos de esquilos e cervos inocentes.
A passos lentos surge então nosso último personagem. Ou penúltimo, se preferirem. É um viajante, que caminha hesitante pela floresta de Cortésia. Ergue os braços, confuso, murmura consigo mesmo. Está à procura de algo.
Ele encontra, fascinado, um lindo objeto dourado no chão. O lunetar aponta para uma direção à sua frente e ele segue. Vai caminhando para onde aponta o instrumento.
Sai da floresta e percorre um árduo caminho pela montanha. Atravessa as pedras com difculdade: há tantas pelo caminho! Mas é guiado por um instinto poderoso, uma fé na estrada e em sua possibilidade de dar-lhe o que procura. Não há nada que pode demovê-lo de seu intento.
Chove, o céu se enche de tempestades onde urram gigantes e trovões.
O viajante segue, e chega ao vale. Percebe então que não precisa mais procurar. O que quer que busque está ali.
No dia seguinte, passada a tempestade, resolve conhecer o lugar. O mar está agitado, as folhas das árvores mais verdes. O céu tranqüilo.
Ele pegua frutas nas árvores, limpa-se no riacho. Segura um graveto nas mãos e com ele risca o chão. O viajante delimita os limites de uma casa.
Será a sua casa dali em diante. É grande o esforço de construir uma casa, mas ele sabe que conseguirá. Continua a riscar com o graveto, mas agora assinala os limites das casas de seus vizinhos, da biblioteca, da casa do burgomestre, do forte, do porto, do farol e da igreja. Surgia uma futura cidade. Seu primeiro objeto, instalado na sua primeira prateleira será o pequeno lunetar.
Depois de ver o resultado, o pequeno viajante começou a recolher lenha. Precisaria de muita para receber com um fogo quente os novos caminhantes que logo chegariam ali. Por qualquer motivo especial, ele logo havia percebido, era por aquele vale que passaram e passariam sempre todos os viajantes do mundo, não importando qual a jornada.
Portanto haveria sempre companhia!
Feliz, ele exclamou:
- Será uma cidade, e se chamará Esperança. E unirá todos os homens por um laço invisível, imaterial, dourado e fluido, que nunca se romperá e que difcilmente se deixará ver.
E existe até hoje, escondido não se sabe atrás de quais montanhas, talvez de toda montanha, o vale onde habita o fio que une tantas histórias diferentes, chamado Esperança.


domingo, novembro 11, 2007

O moinho branco

Um dia, Horas foi embora e me deixou cuidando do moinho. Entregou-me as chaves e disse Agora você é o supervisor.
Olhei para ele sem entender.
Estão mandando você para longe de Migorãn? Estão te expulsando, é isso?
Não, eu é que estou indo. Vou embora.
Para onde? Está fugindo do que?
Estou e não estou. Quero ver onde a Estrada vai dar.
Horas colocou a pequena trouxa no ombro e saiu caminhando até sumir e eu não poder mais seguí-lo com os olhos. Atrás das colinas, das montanhas e do céu.
Esperei-o por muito tempo. Não sabia o que fazer com aquelas chaves na mão. Resolvi sentar nos degraus tortos do moinho e esperar. A noite veio vindo do leste, como um manto. Foi escurecendo, escurecendo, cobrindo as plantas e os bichos de sono e silêncio, até que Migorãn se fechou em si mesma, acendeu suas luzes e começou mais uma noite. Eu voltei para casa pensando.
Agora eu era o supervisor do moinho?
Não sabia como cuidar do grande moinho branco. Horas era o único que conhecia seus mecanismos e os dias certos para usá-los. Por isso ele era o supervisor.
Fiquei com raiva por ele ter ido embora, de ter ido onde queria, quando queria. Ele não tinha esse direito, não podia nos abandonar, não podia!
Estava frustrado, talvez por ter sido deixado para trás. Talvez por pensar que ele não se importava conosco.
No dia seguinte, usei as chaves, abri o moinho e entrei na núvem branca de farinha.

domingo, novembro 04, 2007

O Caminho das Águas


- Descemos aquele trecho durante a noite, sempre com medo de que, das casas, pudesse sair alguém e nos encontrar no escuro. Movíamos os remos com infinita cautela.
- Havíamos decidido assim no início do caminho.
"Temos que descer o Rio escondidos" explicou Fren. "Vocês também viram os cartazes em Schilleri, nossos rostos estão a descoberto. Qualquer tropa de espiões daqui até o Mar vai procurar um grupo de pessoas com a nossa descrição. Por isso recomendo que viajemos somente à noite e sem barulho; e temos que ficar sempre atentos para qualquer sinal de perigo. É o momento certo para desaparecermos."
"Mas, se estiverem esperando por nós, é exatamente aí que vão nos procurar." disse Haccu.
"Também acho, mas viajar de dia e mostrar nossas caras por aí me parece uma alternativa pior." disse Foxy.
"Então devemos enganá-los." explicou Haccu, depositando o remo sobre o colo. "Vamos viajar em grupos separados, com nomes diferentes, vamos sempre mudar nosso método. Às vezes descer o Rio de dia, às vezes de noite, sempre fazer diferente e sempre sermos diferentes."
- Entreolhamo-nos.
"Acho que ele tem razão, eu faria o que ele sugere. Me parece o melhor modo de fazê-lo." eu disse. "Haccu está sendo extremamente sensato." acrescentei, tentando convencer os que hesitavam.
"Se você diz, será assim" brincou Foxy.
- Fren assentiu. "Mas temos que ter boas idéias o tempo todo. Precisamos abrir os ouvidos e a cabeça para a inspiração. Lembrem-se sempre do risco que corremos."
- No dia seguinte, Neyleen e seu pequeno irmão, Myshba, entravam na cidadezinha, acompanhados de sua tia, uma senhora séria sob seu pesado véu preto. Entraram pela porta oeste da cidade, preocupados com todos ao redor, com Mellock ajeitando a todo momento seus óculos. Pararam à beira do rio para descansar, no mesmo instante em que Haccu, Gamma e Foxy davam a volta pelo lado externo do muro, atravessando o bosque verde.
- Mais à noite, Fren e sua filha doente, Hoshy, entravam pela porta leste. Ela estava mal, com uma doença debilitante, protegida da friagem por um xale verde. E ele tão preocupado! Iam ver o Rei, para tentar curá-la.
- Enquanto isso, eu e Karyn decíamos pelo rio, com uma corda prendendo os três barcos juntos, deslizando na correnteza suave. Quase não fazíamos força.
- Nos encontramos mais além da cidade, em uma curva escura em que brotavam salgueiros. Felizes, pois os espiões, se estes haviam, nada tinham percebido. Mesmo que nos vissem ou que os soldados achassem nossos rostos levemente familiares, nunca se dariam conta de que éramos o grupo que procuravam.
"Os espiões nunca perceberam. Será que podemos enganar as pessoas mais vezes?" sorriu Foxy, enquanto colocava um bigode negro no rosto. "Tivemos sorte. Quero ver quando chegarmos nas cidades maiores" disse Karyn ao seu lado, vestindo uma roupa de camponesa e preparando uma cesta de cogumelos para vender no dia seguinte.
- Mais uma vez desci com os barcos pelo Rio calmo. Uma brisa leve, muito leve, nos deixava confiantes e logo, sem percebermos, tudo se tornou uma brincadeira.
- A medida que avançávamos, nossas histórias ganhavam mais fantasia: Haccu e Neyleen, recém-casados, procuraram por uma casa em um vilarejo quieto. Mellock, uma viúva rica, pagou para um dos barqueiros descer suas canoas até a próxima cidade, onde um rapaz de cabelos luminosos os recebeu. Acho que ninguém percebia as trocas.
- Éramos irmãos, estranhos, amigos, viajantes. Lembro-me de quando, em Duas Rosas, fui visitar o cruzamento dos Rios. Fren e Gamma, sua sobrinha, pararam ao meu lado. Não trocamos uma só palavra. Admirei longamente a água borbulhante, impassível para seus movimentos. Rimos muito aquela noite, lembrando-nos de nossos mistérios e expressões. Aqueles dias foram encantados: soubemos, por alguma magia, não sei, mudar nossas expressões e nosso caminhar, como se realmente houvéssemos nos transformado em outras pessoas.
- A correnteza era forte em Duas Rosas, por isso as canoas foram transportadas por terra, à noite, sobre os nossos braços cansados. Andamos pela floresta no escuro, em completo silêncio, como se fizéssemos parte daquele ambiente calado e tépido.
- Hoshy conseguiu se imiscuir entre um grupo de costureiras, nunca saberei como, e atravessou Rama à pé, passando calmamente por todos os portões. Karyn também, usando um lenço para cobrir o cabelo e um livro para erguer rápido sobre o rosto a qualquer sinal de espiões. Já Foxy e eu, de volta à nossa cidade natal, trememos um pouco. Fomos pelo rio, entre os barqueiros de domingo, com medo de encontrarmos nossos conhecidos ou irmãos. A cada som mais alto nos virávamos assustados e encarávamos desconhecidos que passavam. Nossos corações batiam rápido, tínhamos mêdo de olhar para a cidade que abandonamos. Saímos de Rama com alívio. Foi nosso maior desafio; era uma grande e perigosa cidade, mas nossa boa sorte e o encantamento secreto nos protegeu. Dali até o Mar haveria apenas uma ou duas cidades e o resto era somente Rio.
- Víamos o céu azul, como se pela primeira vez. Neyleen tirou os sapatos e passou a caminhar descalça pela margem, com os pés dentro d'água. Dava a volta em galhos, pulava troncos caídos e sentia o lodo fresco entre os dedos com imenso prazer. Seus sapatos preciosos estavam agora em um canto qualquer dos barcos.
- As estrelas de noite serviam de guias. As frutas maduras de comida. O inverno ameno refrescava os bosques com uma brisa preguiçosa que mal movia as nuvens do céu.
- Éramos felizes.
- Muito contentes em nossas representações. Agíamos como se estivéssemos fora de nossos corpos, dançando sem perceber, mas com infinita alegria. Nos separávamos e reencontrávamos com facilidade. Fomos muito neste caminho, tecendo-nos com fios coloridos e dançando como a espuma troca de uma forma para outra.
- O último vilarejo, um grupo de casas ribeirinhas feitas de pau-a-pique, nos deu um prazer especial. Fren vestiu um manto preto que antes havia servido de proteção para Mellock e foi como um padre, auxiliado por uma noviça jovem de cabelos laranjas. Brincou com todas as crianças, conversou com as moças e desfiou rezas simples e bonitas que havia aprendido na juventude e que pensara ter esquecido.
"Que nunca nos falte comida na mesa, que nunca nos falte um sorriso na boca." Quase chorou ao lembrar-se de quando era criança e sua mãe, ao pé da cama, ensinava-o a rezar.
"Há quanto tempo! Há quanto tempo!" exclamou, ajoelhado na terra com crianças curiosas sob os braços. Refez surpreso os movimentos com as mãos e os meninos o imitaram. Não esquecera como era rezar. Seu coração disparou de amor e carinho enquanto ouvia, ecoando com a sua, a voz de sua mãe.
- Hoshy contava-lhes histórias e praticava truques de mágica com folhas e nozes duras de avelã. Seus olhos brilhavam enquanto suas mãos conduziam um outro tipo de ritual. Eu e Gamma podíamos ouvir do Rio as risadas dos garotos. Remávamos devagar, com um prazer secreto. Só paramos mais à frente, já longe da cidade, para esperar os outros. Foxy estava entre as árvores, deitado na grama macia, vendo o tempo passar.
- Sorríamos sem motivo, imersos na felicidade.
- Quando o Rio espumante mudou de cor, ficando cinza como as plumas de uma andorinha, os outros foram chegando aos poucos.
- Fren tirou a batina com um ar de melancolia. Haccu tirou seus óculos de mentira, guardou-os no bolso e foi sentar-se ao lado de Neyleen para conversar próximo da fogueira. Karyn pôs delicadamente as flores que sobraram de sua cesta no rio e aos poucos elas foram levadas pela água, para longe, para longe.
- Um jovem camponês largou sua enxada encostada na árvore. Tirou o longo chapéu e vimos Myshba sorrindo com seus dentes brilhantes de saliva.
- Logo estávamos descendo o fim do Rio, diante das últimas casas esparsas, esperando que a noite escura nos servisse de cobertura. Tínhamos um pouco de medo, por isso não fazíamos ruído. Vamos devagar, aproveitando o caminhar da água.
- Daqui a pouco estaremos enxergando a Floresta Encantada. Iremos atravessá-la e depois basta cruzarmos a Planície Entrágua - onde não mora ninguém - e chegaremos direto ao Mar." explicou Hoshy. "Sempre quis conhecer a floresta por dentro. Ouvi falarem muito sobre sua estranha característica."
- Baixei o remo e olhei o escuro das árvores mais à frente.
"Estamos quase chegando. Vamos seguir o Rio para dentro da mata."
- A noite nos dava uma sensação de pressa, o Rio dançava mais veloz, engolindo-nos. Depois da fantástica colcha de retalhos que foram os últimos dias, colorida, simples, quase religiosa como aqueles velhos relicários de madeira pintada, entrávamos na escuridão com sons. O grilo, os sapos, os morcegos. O Rio, sob as árvores, cantava uma canção quase nunca escutada antes por ouvidos humanos. Estávamos imóveis, nossa respiração não soava mais. O bosque nos envolveu completamente em seu encanto.

Título Normal pra Despistar

Achei que precisávamos rir um pouco. Por isso, abram os braços e recebem os desesperados e quase-esquecidos prêmios de melhores comentários!!! Sim, você ouviu direito: teremos prêmios este mês em Hinée!
Ainda existem?? Existem!! E com participação especial dos personagens de One Piece (em movimento).

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket - Nããããooo!! Eles voltaram!!!

Sim Chopper, mas tem só um probleminha... Não tenho frases engraçadas para usar. O quê?? É, ultimamente estivemos meio "secos" de posts e comentários malucos. Mas não se preocupem, seu repórter investigativo favorito não desiste tão fácil assim!! Eu mergulhei fundo na fonte de bobagens e caminhei para trás no tempo, voltando meses e meses até a última edição dos prêmios. E, quem diria, achei muitas coisas divertidas! Nunca subestimem a sua capacidade de falar bobagem: é a única coisa que nos separa dos chimpanzés! E da Camilla. Por isso, sentem-se, relaxem e aproveitem!

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket - Os prêmios, os prêmios!! Que legal! Que demais!


Em primeiro lugar, o Prêmio "Teologia Alternativa"

Pioux disse:
Por isso Deus é tão hardcore!!!


( - Yeah! Nada faz um som mais maneiro que Deus!)
Próximo prêmio: "Minha vida é uma aventura cheia de experiências felizes e adoráveis"

Pioux disse:
Que legal!
Hoje um papagaio me bicou na bochecha!


Agora um dos favoritos das pessoas (mas não para mim):
Prêmio "Definindo Charles"

Utak disse:
Charles, você é um power-ranger com poder de Esquizofrenia...


( - É isso aí! Hora de morfar...mos!)
Prêmio "Todos os Comentários Devem Falar sobre o Travesseiro e sobre guaxinins":

Camila T. disse:
Eu tenho um travesseiro em forma de guaxinim. Um dia eu apresento pra você.

Giulia T. disse:
Agora que vc falou, até que se parece com um guaxinim. E o travesseiro da Cacá é muito fofo.

Utak disse:
Você realmente parece um guaxinim...
O travesseiro da caca é mesmo bem fofo!

Pioux disse:
Eu tmb adoro guaxinins!
mas não conheço o travesseiro dela -_-


Prêmio "Como ele é Novinho..."

Utak disse:
Nas minha faculdade ensina-se....
é... bem...
eu nao faço faculdade.


( - Ah é! O Ugo ainda tá na escola...)
Prêmio "Sou Tão virtual que ao invés de conversar mando comentários"

Vivi disse:
Charleeeeeeeeeessssss
Você está na minha casa AGORA.
HAHAHA


(nota: eu estava mesmo na casa dela, mas parece que certas pessoas preferem se comunicar pelo computador, né senhorita Vivian...)
Prêmio "Dupla Identidade"

Jack disse:
Oh, você já publicou!

Jack disse:
Oh, eu não sou o Jack

Lobz disse:
Eu sou!!! BwahahahaWahhahahah!!!


( Mas eu sou a Marina?)
Prêmio "Essa é a Giulia que conhecemos"

Giulia T. disse:
Acho o Inferno interessantíssimo...


(- É bom ir se acostumando mesmo...)
Prêmio "Todos Temos Esqueletos no Armário, mas Cada um Age Diferente!!"
Lembram-se do Mr. Bones? O esqueleto que morava no meu armário e comia queijo? Pois eu não sou o único!!!

Pioux disse:
e.... seu esqueleto é cantor????
Sinto-me feliz por isso....
O meu vive perdendo partes pelas gavetas u.u

Camilla disse:
Desde que eu li eu venho colocando queijo no meu armário!!

LorenaP. disse:
Ah!, eu também estou indo colocar um pouco de queijo!


( Essas loucas...)
Prêmio "Vamos rir eternamente disso, Artur..."

Charles disse:
É, mas esse Trovão não dá para cavalgar...

t-d-dum-tum-tch!

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket - Foi um engaano!!! Era uma piada sobre um nome de cavaaaaaalo!!

Sei, sei, Artur. Freud explica, viu...

Bom, é isso. Foi o que eu consegui encontrar após um exaustivo safári. Mentira, foi divertidíssimo. Vocês facilitam bastante meu trabalho.
Então damos por encerrados os prêmios desta edição! Parabéns (?) para os vencedores e uma doce consolação para os esquecidos.
O que? Vocês querem mais? Mas não teeem! Parem com isso!

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket - Saiam de cima de miiim!!!
- Queremos mais prêêêmiooooss!

sexta-feira, novembro 02, 2007

quarta-feira, outubro 31, 2007

Os Lamed Wufniks

transcrito de "O Livro dos Seres Imaginários", de Jorge Luis Borges e Margarita Guerrero:

Há na terra, e sempre houve, trinta e seis homens íntegros, cuja missão é justificar o mundo perante Deus. São os Lamed Wufniks. Não se conhecem entre si e são muito pobres. Se um homem chega a saber que é um Lamed Wufnik, morre imediatamente e há outro, talvez em outra região do planeta, que toma seu lugar. São, sem suspeitar, os secretos pilares do universo. Se não fosse por eles, Deus aniquilaria o gênero humano. São nossos salvadores e não sabem disso.

domingo, outubro 21, 2007

Ei

Gente, deixa eu esclarecer uma coisa: meu apelido é Cham, e não Chan. Com M. Porque vem de champingon, lógico. Não tem como ser com N, ou seria uma palavra japonesa. Resumindo, vamos arrumar as agendas e cadernos e deixar tudo certinho, ok. Ao trabalho, procurem em todos os lugares que puderem! Cham, lembrem-se disso. Cham.



Alguém mais reparou que as salamandras estão mais ativas esta primavera? Será o calor?

quarta-feira, outubro 17, 2007

Sobre as Salamandras


Disse o Pintor:
- O mundo consiste de quatro elementos apenas: água, fogo, terra e ar. O primeiro corresponde ao princípio úmido. O segundo ao seco. O terceito ao quente. E o quarto ao frio. Deus também criou sentimentos e ações correspondentes a cada elemento. Mas não nos estenderemos neste ponto. A prova que buscamos é esta aqui: Os pássaros habitam o ar. Os homens habitam a terra. Os peixes habitam a água. Seria um desequilíbrio imenso se não houvesse um ser que habitasse as chamas do fogo. Por isso foram criadas pelo Céu as salamandras. Que podem agüentar qualquer calor. E que confirmam a doutrina dos quatro elementos.
- São elas que criam todo o calor daqui? - perguntou Foxy para os três sábios homens, admiradíssimo com as novidades.
- Não. Este calor é apenas seu habitat. Moram no fogo e mudam de cor. Se saem, ficam frias, fracas e caem mortas. Como nós. Mas no nosso caso, perdemos apenas nossa força e nosso ímpeto no ambiente fresco. Por isso somos tão próximos das salamandras, temos pontos fracos em comum. Assim como o desejo pelo fogo. Se enchemos nossos salões de tochas, braseiros e esquentadores com altas chamas azuis, é apenas para darmos às nossas companheiras silenciosas a melhor das moradias com o conforto que pudermos obter. Vivemos na borda do vulcão e do magma para criarmos o calor. E o dividimos sem restrições com as salamandras.
- E são úteis?
- Claro, sim, mais do que você pode imaginar! - responde o Poeta alarmado, levantando-se também da almofada escarlate - Podem servir para proteger ou acender, para alcançar ou enfeitar. São a confirmação científica de muitas teorias e o símbolo heráldico de nosso país.
Do fundo da sala o Filósofo toma a voz e inicia sua fala:
- E quando morrem os pobres bichinhos, de velhice ou de cansaço, tanto faz, o certo é que não as matamos para tal, só esperamos que as salamandras sucumbam sozinhas ao tempo e depois de mortas retiramos suas escamas - ou pele, como alguns mais entendidos as chamam - e as usamos para confeccionar roupas e armaduras que resistem bravamente ao fogo, que não se queimam com uma forte chama e que não se desmanchem como carvão ao contato com brasas ardentes; por isso são boas roupas, e as usamos o tempo todo, eu mesmo, enquanto falo, uso uma camiseta feita de pele de salamandra, este é o segredo para agüentarmos o enorme calor causado por esses braseiros espalhadas por todos os lados: as vestes, capas e armaduras nos protegem e deixam nossa pele fresca, mesmo em contato com o fogo leve; são tão bons e tão útei que não saímos de casa sem elas, e de tanto usarmos as roupas acabam se sujando - mas, deixemos bem claro, não é desgastar o que acontece com elas, pois roupas de salamandra podem durar anos e décadas e tempos a fio - e como não podemos andar por aí de roupas com manchas e poeiras, as deixamos para lavar. Agora escutem, esta é a parte que mais intriga os viajantes estrangeiros, todos sempre se surpreendem com o que para nós é comum e parece muito engraçado não conhecerem coisa normal e rotineira como essa, até no início nos perguntávamos por que esta parte em especial e não outra? mas agora já sabemos quais são as partes especiais, que fazem estes palermas atrás de mim rirem do rosto estupefato de vocês, mas não se preocupem, eu os respeitarei, porque sei que é impossível medir de antemão o que o outro vai sentir ao escutar nosso relato (em especial se esse outro for um desconhecido) e é preciso ter cuidado com o que dizemos, mas agra não se preocupem e surpreendam-se à vontade. Para lavar nossas roupas feitas de pele de salamandra nós as deitamos no fogo e deixamos que a chama purifique toda mácula; podem abrir a boca agora, eu espero, sei respeitar muito bem os estrangeiros e suas loucuras por tudo o que estudei sobre o assunto; lavmos nossas roupas no fogo, já que estas não queimam, e demos um passo adiante da água; agora somos felizes habitantes deste reino, por não padecer do malefício que é o calor excessivo, apesar de tantas tochas e fósforos, dos muito braseiros e incandeiros. Graças a este nosso animal heráldico podemos viver aqui em Migorãn, pode-se até dizer que herdamos sua capacidade de caminhar entre o fogo. São maravilhosas estas salamandras!

sexta-feira, outubro 12, 2007

Rumo à Esperança IV


Em Esperança, as pessoas choram toda vez que precisam debulhar o milho e, muito tristes, cantam em coro assim:
- Ai milho, querido milho. Por que se deixaste comer por nós?
Terminado o trabalho colocam os alimentos no barco da cidade e baixam as velas para aproveitar o vento fresco que desce o rio. Muito lentamente, seguindo o movimento das nuvens no céu, os habitantes de Esperança navegam pelas águas calmas e cantam outra canção, mais alegre, mais despreocupada, que diz assim:
- Ai rio, querido rio. Por que nos leva adiante tão sem piedade?
A música é freqüente nessa cidade. Mesmo quando os ferreiros amolam as facas e afiam as espadas e os cozinheiros recolhem o óleo quente para ser usado contra os assaltantes das fortalezas, a canção paira no ar, suave e fresca, em meio à guerra. Apesar de pacífica, Esperança já participou de uma guerra em sua história. Apenas uma, mas uma que já dura séculos e não tem sinais de que chegará algum dia ao fim.
Os sitiantes não entendem como os habitantes dessa cidade feliz podem continuar a viver entre os sítios prolongados, o som dos aríetes no portão e a chuva de flechas incendiárias por sobre as casas. Não se preocupam e, curiosamente, até agora nenhum habitante de Esperança morreu por causa da guerra.
No domingo, que é dia santo, os atacantes repousam suas armas e iniciam uma trégua reticente. Não gostariam de parar nunca, pois seu ódio contra Esperança é enorme, e só o que querem é destruí-la e ver suas construções virarem pó e escombros.
Mas no domingo tudo pára. E o silêncio do lado de fora é acompanhado de mais música no lado de dentro. Porque é no domingo que chegam na cidade os viajantes de todas as partes do mundo, cansados e felizes. E é feita mais uma festa, mais uma comemoração em honra dos recém-chegados. Comem o milho colhido, apreciam a brisa ribeirinha e observam os costumes locais: os ferreiros que cantam enquanto amolam armas, os cozinheiros que cantam enquanto fervem o óleo e os jovens que cantam ao treinarem com espadas vestindo lindas armaduras de prata.
De vez em quando Esperança recebe a visita formal do majordomo da Bavárdia, Alto Inspetor do Reino Mundo. De rosto comprido, tez carrancuda e barba de bode, o majordomo sai distribuindo condenações e intimações por todos os lados, batendo ocasionalmente seu pequeno martelo de madeira para exigir ordem. Ele vem inspecionar e receber as reclamações e pedidos, em nome de sua Majestade, cujo reino e domínio são todos os países do mundo, cujos limites são ditados por Deus, cujo trono é Behemot a Baleia Universal, que não tem tamanho, mas seus olhos são medidos pelo total do Conhecimento e sua boca cabe na Imaginação Possível e Impossível, não sendo portanto, sua figura conhecível. É mera formalidade que a chamamos de Baleia.
Reunidos na sala de Inspeções e Reais Ordens, enquanto se escuta externamente os tiros dos canhões inimigos, o burgomestre da cidade implora ao majordomo que escute os habitantes. Estes, um pouco atrás, balançam desesperados a cabeça, como que induzindo-o a aceitar a proposta.
- Uma nova casa para minha filha que vai casar - pede uma senhora.
- Não - resmunga o majordomo da Bavárdia, batendo seu martelo.
- Um silo para guardarmos os cereais - pede o burgomestre, de mãos torcidas - Pense no inverno!
- Não.
- Um rota do circo, armas melhores, casas terminadas e seteiras para nossas fortalezas.
- Não - bate o martelo do majordomo inflexível. Nunca o convenceram, mas não desistem os habitantes. Perseguem-no suplicantes pela cidade inteira durante a inspeção.
- Mais comida, mais trabalho, mais descanso e mais amigos!
- Não, não, já disse que não.
E vai batendo seu martelo.
- Novas letras de música.
- Novas pedras de amolar.
- Um navio que cruze qualquer mar!
- O amor daquele rapaz!
O majordomo é sardônico. Satânico, sereno, lacônico e determinado; seu martelo nada permite. Todos em Esperança suspiram e voltam para sua cidade que ainda-está-a-caminho-de-ser. Finda a visita, veste seu chapéu côco, abrem-lhe a porta sul e sai correndo de pasta na mão por entre os tiros da artilharia, as trincheiras inimigas, o espoucar das armas, e some na estrada.

The Queen of Argyll


Gentlemen it is me duty
To inform you of one beauty
Though I'd ask of you a favor
Not to seek her for a while
Though I own she is a creature
Of character and feature
No words can paint the picture
Of the Queen of all Argyll

And if you could have seen her there
Boys, if you had just been there
The swan was in her movements
And the morning in her smile
All the roses in the garden
They bow and ask her pardon
For not one could match the beauty
Of the Queen of all Argyll

On the evening that I mentioned
I passed with light intention
Through a part of our dear country
Known for beauty and for style
In the place of noble thinkers
Of scholars and great drinkers
But above them all for splendor
Shone the Queen of all Argyll

And if you could have seen her there
Boys, if you had just been there
The swan was in her movements
And the morning in her smile
All the roses in the garden
They bow and ask her pardon
For not one could match the beauty
Of the Queen of all Argyll

So my lads I needs must leave you
My intentions no' to grieve you
Nor indeed would I deceive you
Oh I'll see you in a while
I must find some way to gain her
To court her and attain her
I fear my heart's in danger
From the Queen of all Argyll

domingo, outubro 07, 2007

Raiva do dia

Eu odeio morar longe...

Mas no fundo, sabe, não e culpa minha. É difícil chegar até aí, onde vocês moram todos juntos. Nunca recebi nenhum tipo de agradecimento por todo o trabalho que tenho para visitar, e mesmo assim toda vez que convido alguém para vir aqui escuto todo tipo de reclamações e problemas. Sabem, a distância é a mesma.
Deixa, isso é ficar resmungando para ganhar algum elogio ou reconhecimento. É idiota, então esqueçam.
Estou só um pouco chateado, mas...
No fundo a culpa é minha também.

sábado, outubro 06, 2007

Desdenho esta nova rearrumação. E busco o que seja melhor.



Não sei por que, mas sinto que acabei de voltar de uma viagem juvenil, da Terra do Nunca talvez.
Oh, mas agora estou de volta. E feliz, sim.
Não sei bem o que vai acontecer, mas já sei escutar e agir. Algumas viagens ensinam muito.

Por sinal,

quinta-feira, setembro 27, 2007

Um sonho!

Até ontem eu vinha sonhando com coisas banais, como preencher formulários, escolher meu almoço, cumprimentar visitas, ouvir conversas normais de adultos. Mas hoje eu voltei, finalmente estou sonhando coisas... interessantes.
Pois bem, se não se importam eu vou contar meu sonho. Para começar, o cenário: era um prédio da Marinha, ou seja, do Governo, parecia uma escola. Tinham várias salas e cartazes pendurados na parede, como se fosse feito para agradar mas era administrativo demais. No meio, uma escada de madeira quadrada que levava a outros andares iguais.
Chato? Nem um pouco. Uma das portas dava em uma igreja - de cor marrom clara, muito simples, sem ídolo ou símbolo nenhum - cheia de pessoas que vieram celebrar o casamento da Camilla com o Artur. Pois é! Engraçadíssimo, não? Mas o melhor de tudo: eu e a Clara éramos piratas. Bom, eu digo Clara, mas não era propriamente ela, por assim dizer. O ente que representava a Clara no meu sonho era uma mulherzinha normal empurrando uma cadeira de rodas onde se sentava uma velhinha pequenininha e enrugada de cabelos clarinhos e bracinhos tortos. Isso era a Clara. E ela era uma pirata.
Em um certo momento, eu me entediei da festa e sai para explorar o prédio da Marinha. Fui andando, desci as escadas e cheguei no último andar. Só que tem um problema: eu sonhei esse sonho duas vezes. Na primeira, meu despertador me acordou, mas como eu estava me divertindo muito no sonho, dormi de novo e sonhei a segunda versão dele. Não me lembro muito bem da primeira versão, que consistia na minha exploração pelo prédio, então vou contar a segunda, sobre o que eu achei no último andar. Se bem que as duas versões do sonho terminam do mesmo jeito...
Bom, no último andar eu havia me transformado no Capitão Gancho. E encontrei um salão de eventos da Marinha com um cartaz-boneco de seu novo personagem de marketing: o Capitão Paroot (era um trocadilho com a palavra Parott [papagaio, aquele que fica no ombro dos piratas] só que a ênfase da palavra estava no O, que se lia como U [parut]). Aparentemente, os funcionários da marinha estavam tentando atrair as crianças com um personagem que representava os piratas bonzinhos e politicamente corretos [ao que parece, nesse sonho eram possíveis existirem piratas da marinha, que agiam em nome da empresa governamental]. Eu e meu bando de piratas (sim, surgiram acompanhantes) ficamos muito bravos com essa imagem boba do Capitão Paroot. Mas não tivemos tempo de fazer nada, pois vinham descendo soldados pela escada. Eu, o Capitão Gancho, fiquei parado feito estátua, e os soldados pensaram que eu era mais um dos cartazes de papelão espalhados pela sala.
- Olha só, são os bonecos da nova campanha. - disse um dos soldados.
- Vejam esse - disse outro, me apontando.
- Hehe, parece que (e essa frase estava em inglês no meu sonho, não sei por que) Captain Hook will defeat Paroot.
Também não entendi, deve ser uma dessas frases de sonho malucas. Fiquei repetindo essa frase o dia inteiro, ela é curiosa.
Soldados iam e vinham, mas eu não queria me mexer porque não valia a pena me entregar por isso. Mas então, ai ai ai... Eis que desce da escada o Ronald McDonald. E eu me lembro claramente de pensar no sonho: ah não, esse eu não vou deixar escapar. Peguei meu sabre e enfiei direto na barriga do palhaço. Fui muito rápido e matei o Ronald McDonald com um só golpe. Mas os soldados (que pareciam mascotes de times de futebol americano, aquelas fantasias de bichinhos) começaram a dar o alarme então eu tive que capturá-los e depois trancá-los no banheiro feminino. Um dos soldados estava bravo e não queria ser capturado, por isso ficava me beliscando como a Lorena faz às vezes. Na verdade, eu tenho uma suspeita de que esse soldado da Marinho fosse mesmo a Lorena... Só que não paravam de entrar pessoas no banheiro e eu tinha que segurá-las todas lá, ou iriam me dedurar e prender.
Uma hora, a parte mais feliz do sonho, eu desisti e saí correndo. Já haviam milhares de soldados afluindo de todos os lados do quartel-general/escola quando eu e a Clara (lembra da moça levando a velhinha na cadeira de rodas?) entramos de volta na igreja, bem na hora do casamento da Camilla com o Artur começar. Agora vários soldados invadiam a cerimônia e prendiam nossos companheiros piratas e a bagunça começava. Eu e a Clara nos colocamos logo atrás dos noivos (o lugar originalmente reservado para nós, já que éramos os amigos favoritos deles) e na frente da longa fila do séquito matrimonial (aparentemente nesse tipo de casamento todos na Igreja se enfileravam atrás dos noivos. Os soldados da Marinha entravam e entravam sem parar, e os piratas fugiam e gritavam e faziam a maior zona enquanto eu e a Clara disfarçávamos na fila, como se não soubéssemos o que estava acontecendo.
- Ah, que casamento bonito - eu falei, olhando para os lados, para cima, "distraído"- Adoro casamentos, sempre em emocionam.
Quando o Artur e a Camilla chegaram no altar lateral (vazio, só uma "estante" na parede) saíram correndo por causa da bagunça que estava o casamento e fugiram. Eu e a Clara, que seguíamos cada passo deles demos um passo à frente, para preencher o vazio. Então nos olhamos e percebemos que estávamos um do lado do outro, de frente para o altar. Fizemos "Ah!" assustados e demos um passo juntos para trás, nos divertindo muito.
No final, acho que eu seria capturado, mas não era o importante. O importante era que estava me divertindo muito me escondendo dos soldados no meio do casamento. Foi legal, foi bem legal...

terça-feira, setembro 25, 2007

Ufa!

Cara, como estou cansado.
Carreguei meu quarto inteiro para o novo apartamento. Nunca pensei que tivesse tanta coisa! E coisas que pesassem tanto. Se algum dia precisar fugir de um exército invasor, já sei que vou deixar muitas coisas para trás. Não sei, às vezes isso não parece ser um problema. É bom deixar coisas para trás, ficar leve.
Ufa! Nem consigo mover meus braços! Agora eu finalmente entendi aquele episódio de Doug em que ele faz tanto exercício que depois não consegue levantar nem mesmo um pedaço de papel. Sempre me perguntava como aquilo funcionava, mas agora... Agora eu entendi!

sexta-feira, setembro 14, 2007

Floating


Os viajantes desceram do céu, calmamente flutuando sobre um pedaço de terra que, recém-perdidas suas capacidades voadores, paira, seguindo uma lenta linha reta até o chão, suave como uma pluma, mas firme, talvez como um balão.
A vista que se mostra de seu veículo celeste é ampla e incomparável. Miúdos animais se movem lá embaixo, na beira de um vasto rio que daqui de cima é somente um laço abandonado sobre a terra.
- Olhem as manadas, parecem formigas! - Zapper apontava, inclinado perigosamente sobre a borda do pedaço flutuante de terra - Nunca pensei que fosse ver os elefantes pequenos, ou que houvesse uma vista tão bonita assim.
- Dá pra ver até as montanhas do leste - disse Teobolt - Pelo visto, vamos cair mesmo nas Terras Baixas. Estamos flutuando em linha reta para aquele rio.
- Haverão monstros, como nas histórias? - perguntou Myshba, e com razão: as Terras Baixas estavam proibidas para qualquer humano das planícies, por causa de seus animais terríveis, doenças fulminantes, homens selvagens e criaturas nunca antes imaginadas, a não ser em pesadelos.
- Tenho medo do que espera lá embaixo - admitiu Mellock - Será mesmo seguro? Não há como desviar nossa rota?
Alguns negaram com a cabeça, outros olharam em volta. Após a borda da rocha flutuante - ou antes, desflutuante, que caía devagar - estava o abismo, a queda branca por entre as núvens. Os viajantes não tinham coragem de mexer no chão em que pisavam assustados, temendo acelerar a queda ou mesmo quebrá-lo em torrões menores e, esfacelados, caírem, caírem, caírem...
- Bobagem! - riu Zapper - Não há nada disso lá embaixo! As Terras de Manuió são minha casa, não há monstro algum, nem perigos ou criaturas assustadores . Lá só existem rios e planícies, com um mato tão alto que as crianças podem andar sem serem vistas. Na minha aldeia moram caçadores tão bons que podem farejar animais como um abutre ou seguir a trilha de ratos através dos lagos. Meu pai é um deles. E Akane. Será que podemos passar na minha casa? Já que estamos aqui, já que estamos descendo?
Karyn concordou alegre - Não será nenhum problema. É bom ter algum amigo quando se chega em uma terra desconhecida. Mas tenho que lembrar que nós temos uma missão - disse, levantando um dedo e usando sua voz responsável.
- Sim, sim! Eu disse que iria ajudá-los, não disse? Quem sabe o próprio Akane não seja o próximo escolhido que vocês estão procurando? Ele já enfrentou um rinoceronto, cara a cara, sabiam?! E sabe falar a língua dos macacos, pescar com as mãos e ler as estrelas.
- Talvez as Terras Baixas não sejam tão assustadoras quanto pensávamos - disse Neyleen, olhando a savana distante se aproximando - Como você as chamou? Terra de Manuió? As montanhas são lindas, e os animais parecem incríveis. Olhem aquele bando: estão indo até o lago beber. Impressionante podermos ver tudo daqui de cima.
O naco de terra em que flutuavam deu um solavanco e inclinou ligeiramente de lado.
- Fiquem neste lado - disse Hoshy - É mais seguro por aqui.
Um vento soprava do oeste enquanto desciam um pouco mais rápido.
- Acho que a força que o sustentava está se extinguindo de vez - disse Mellcok assustada - Não tem como segurarmos um pouquinho, ir mais devagar?
Karyn balançou a cabeça, de cima para baixo, como se dissesse "sim", mas depois de um lado para o outro enquanto mordia os lábios, como se dissesse "mas será difícil". - Vamos esperar que ele fique mais rápido.
Agora viam a curva do rio para onde estavam flutuando. Um embondeiro imenso esticava seus galhos verdes (era verão!) e sombreava a paisagem.
- Estamos chegando, está cada vez mais perto! - disse Zapper, com mais felicidade do que medo, pois voltava para casa, para a terra marrom que conhecia, para os sons de pássaros familiares e o cheiro que tinha o capim na estação chuvosa.
O vôo começou a se tornar uma queda. Karyn falou uma palavra mágica e segurou o naco de terra. O oeste se cobriu pelas nuvens e o horizonte subia cada vez mais perto.
Como pássaros, os viajantes chegaram do céu. O pedaço de terra flutuante ganhou cada vez mais velocidade apesar do esforço de Karyn, mirou próximo a curva do rio e ao embondeiro e caiu, se esparramando no chão. Com o choque, se quebrou em vários pequenos torrões e sumiu do mundo o pedaço de terra que flutuou desde o céu. Os viajantes voaram e caíram na grama, rolando pela savana amarelada, desnorteados e tontos. Zapper se levantou de pronto, recomposto e feliz, e aspirou o cheiro que sabia desde criança.
- É daqui que eu vim! - exclamou.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Azul
Bianca
Chama
Decamerão
Eco
Folha
Gino
Herói
Índigo
Jardim
Kate
Lira
Maria
Nadia
Orlando
Papanui
Qan

terça-feira, setembro 04, 2007

Elementos de uma história

Vamos contar uma história que tenha...

- uma missão
- um cheiro característico de tempestade
- um conhecido e aguardadíssimo...
- um irmão, que tentou de tudo.
- aprendizagem
- o resto da marca,
- mentiras e frutas coloridas
- nossa casa.

sábado, agosto 18, 2007

200

Este é número de posts que tenho nesse blog. Minha nossa! Só agora eu percebi: blog é uma coisa estranha! Tenho que comemorar esse evento com um clima um tanto amargo. Não sei se queria ter posts, ter um blog, falar da minha vida assim.
(mas, vejam só, não consigo parar. Ops, fiz de novo, falei sobre minha vida em um blog. É, enfim... blabla)
Acho que nada substitui a conversa de verdade. Por sinal, porque a gente não conversa mais? Deveríamos ser tão interessantes.
Andemos na linha fina...

quinta-feira, agosto 16, 2007

The flow Life

E aspirou a algo que ficava acima do fluxo do mundo, como um oceano maravilhosamente dourado flutuando sobre o céu, e pensou que poderia entender o que a ciência rejeitava, captar as mensagens desconexas - haviam, neste momento, mensagens e pistas espalhadas pelo mundo: havia um motivo. - e construir de novo a torre que foi destruída, para poder tentar, mais uma vez, chegar a Ele e perguntar e ouvir a resposta, e a resposta ser o mundo, como se fosse o tempo um emaranhado: nada aconteceu ou acontecerá, tudo há ao nosso redor sem que percebamos, pois nossas mentes percorrem caminhos ao invés de voar e cair para o oceano dourado que se chama infinito, quem sabe? isso se tiver algum nome na língua dos homens.

Queridos amigos, quero dizer uma coisa. Resolvi ser um escritor.
Que medo-do-abismo, susto do futuro. O que vou fazer agora que decidi algo assim?

quarta-feira, agosto 15, 2007

Rumo à Esperança III


Há um forte em Johnston. Está lá desde o início do domínio austrímano sobre Kerala, a província mais úmida, quente e tropical do subcontinente. Hoje os austrímanos já foram embora, e seu forte está vazio, exceto por um grupo muito preguiçoso de crocodilos do rio, que ocupa as antigas salas de reunião, os baluartes e fossos em Johnston. Deitam de barriga para cima o dia todo e tentam - sem sucesso - apanhar um dos macacos que entram pelas janelas altas.
Conta-se na cidade de Sikh que um padre vindo da capital (meio surdo e ocupado em orações) refugiou-se do calor da estrada no forte de Johnston. Passou um dia inteiro lá, entre os crocodilos, sem perceber nada e achando que os austrímanos passaram a falar uma língua idólatra e selvagem de Kerala. Quando o encontraram, o padre passava sermões aos animais, aos berros!, impressionado com a falta de disciplina militar do forte. Testemunhas concordam fascinadas que em momento algum os crocodilos do rio tentaram devorar o pobre padre, meio velho, meio surdo, e que pareciam inclusive escutar interessados a palavra do homem de Deus.
Esta história circula ainda hoje pelá província de Kerala, onde o calor faz as mangas apodrecerem sozinhas. As que são colhidas a tempo vão parar em caixas junto a outros mil temperos e verduras suculentas, empacotados pela Kerala Trading Company, e enviadas em caravelas inseguras para cruzarem os mares austrais cheios de perigos na forma de piratas, corsários, tubarões, calmarias, fiscais inescrupulosos, trombas d'água e índios canibais. Ao final de tão estafante jornada, o selo da Kerala Trading Company é tido como prova de segurança e compremetimento, e seus presidentes são homenageados em salões e chancelarias do mundo todo, enquanto os marinheiros - estes sim os verdadeiros heróis - deitam-se no chão do porto, como mortos, a suspirar de cansaço e das lembranças das sereias que viram na Costa Verde.
Porém, esses homens valentes são reconhecidos na cidade de Bastók, cujo porto está sempre repleto de marinheiros caídos, vindos de mundos de sonho e trazendo mercadorias igualmente fantásticas. Pois Bastók, ou Lonfito, ou Azamar, é mais uma dessas cidades incríveis que descem como contas de um colar, cujo bazar tem a qualidade de transitar entre países enquanto se muda de barraca: o rapé de Salem ao lado dos doces coloridos de Rushi, junto às botas e sapatos (alguns encantados) da terra onde é sempre inverno e neva; lá se vêem talismãs de bons auspícios dividirem espaço com longas cadeiras dos campos de Voai, aqueles pontilhados por castelos e catedrais, e com livros que contam a verdade do mundo escondida em símbolos indecifráveis. Mercadores aos berros, mercadores obscuros, danças folclóricas, feijões encantados, mapas do tesouro, punhais envenenados, peixes coloridos, ladrões e músicos, criadores de conselhos, cristais da mais alta montanha do mundo, na mais alta cordilheira do mais alto continente: quase tudo do mundo pode ser encontrado nas ruas de Bastók.
Só não se vêem mercadorias de uma cidadezinha no extremo mais ao leste do mundo, ao final de uma estrada pontilhada de diamantes por onde ninguém passa. Essa é a cidade conhecida por jovens aventureiros e sonhadores como Esperança, a terra feliz onde não se chega nunca.
Esperança é uma cidade linda. Toda quarta-feira há uma missa na igrejinha de barro na praça do meio. O burgomestre, todo vestido de amarelo, recebe as pessoas na porta, com um abraço sincero e uma barrinha de chocolate. Todos os idosos de Esperança se reúnem na igrejinha, mesmo os que perderam a fé. Para lá vão as velhas costureiras, os antigos soldados reformados, os padres caducos e os avós sorridentes. Todos se sentam em silêncio, bem comportados, como se fossem mesmo para mais uma missa comum.
Porém, quando o burgomestre distribui a todos a pequena hóstia encantada, uma mudança incrível entra em ação: todos os gentis idosos e senhores começam a perder as dores e cansaços e se transformam em crianças novamente! Sapecas, começam a pular os bancos da igreja e a brincar gritando, tirando qualquer dúvida de que Esperança é uma cidade encantada, onde o milagre do rejuvenescimento é possível.
Na quinta-feira, que dia trabalhoso, crianças correm pelas pedras, sobem em todas árvores e puxam os rabos dos gatos e cachorros que encontram nas casas. O burgomestre, em seu pomposo uniforme roxo, recolhe os antigos senhores e senhoras e os leva para a aula, sob a árvore principal. E toda semana repete os mesmos ensinamentos tradicionais.
Mas nem tudo é um milagre de camaleões festivos. Esperança é uma cidade triste também. Porque toda sexta-feira, às quatro horas da tarde, em ponto, ao fim do quarto repicar do sino da igrja, morre alguém em Esperança. Cai silencioso, no meio da rua, com um sorriso no rosto, parecendo ter sido arrebatado com infinita gentileza por um anjo da morte luminoso e feliz. O final da tarde de sexta-feira é dedicado ao simples funeral, onde todos os habitantes da cidade cavam a terra macia enquanto as donzelas, caladas e puras, velam pelo corpo, que pode ser tanto jovem quanto velho, moço ou moça, realizado ou desejoso. O burgomestre, vestido de marrom, cor da própria terra, cava com as mãos, e não é raro rolarem lágrimas por seu rosto redondo.
Ao final da tarde o falecido já está enterrado e começando a brotar. Porque em Esperança todos se transformam em árvores, coelhos, idéias, flores. Quando sábado chega já há um novo habitante na cidade e tudo volta a acontecer, mesmo que de um modo diferente, pois lá tudo sempre retorna e muda o que aconteceu e o que foi.
Por isso tantas histórias diferentes e impossíveis de Esperança, a cidade que conhece todos os caminhos do mundo.

terça-feira, agosto 14, 2007

Rumo à Esperança II


Para se chegar em Dublin por terra há uma estrada tortuosa e pontilhada por rochas, que as carroças não se atrevem a percorrer.
Alguns poucos cavaleiros passam diariamente pelas suas encruzilhadas, controlando com mãos firmes os cavalos descontentes, tentando desviar das pedras que se deitam preguiçosas no meio do caminho. A montanha inteira é um obstáculo cansado e solto no meio da estrada, que ouve todo dia os suspiros dos cavaleiros exaustos e seus cumprimentos formais, estabelecidos por uma côrte de um país distante.
Alguns vêm de Carnak, outros de Montshell, e conversam sobre o lugar fabuloso onde existe um imenso lodaçal que chega inclusive a cobrir uma parte do mar. Dizem os cavaleiros que já se aventuraram por Glum, que este pântano vasto e adverso tem ilusões mais perigosas do que qualquer outro: lá se vêem pessoas também, mas neste pântano, exepcionalmente, só se vêem os que já morreram e a quem queríamos bem. Alguns temem ver a si próprios nas imagens mortas, outros se jogam por vontade própria no lodaçal para rever por apenas um instante - belo e falso - a figura daqueles que se perderam.
Cruzar o pântano de Glum não é fácil, dado que é populado por visões ilusórias, cercado pelo mar (o qual invade por algumas boas braças) e fechado ao sul pelo monte Higuerota, um grande pico nevado com pretensões vulcânicas, que assoma potente por sobre o estreito de Belonave, como se dominasse os passos que levam os viajantes de um continente a outro.
Existe no final de Belonave, ao sul do Higuerota portanto, diz o geógrafo Gazar, uma floresta perfeita, em algum lugar da terra de Cortésia. Para cada um que entra, ela assum diferentes aspectos de encantamento e se torna uma floresta ideal. Um rei de outrora construiu uma casa nesta floresta, para habitar entre os períodos de tensão na côrte. Hoje, a magnífica casa sem paredes que o rei construiu ainda existe, mas é habitada somente pela moça da limpeza, a única da côrte que foi para a floresta e ainda espera o Rei visitar a casa. Enquanto este se detém em seu país, oucpado e cheio de propósitos, seus móveis são sempre limpos e organizados pela moça da limpeza, que todo dia expulsa meticulosamente todos os insetos da casa sem paredes. A cada manhã - é inevitável - voltam os gafanhotos, os louva-a-deus, as joaninhas tão coloridas, as formigas sempre atuantes, os besouros enfurnados em suas carapaças e as lagartas, tão preguiçosas e sonhadoras que um dia chegarão a borboletas. Dizem que estes insetos não são parte da floresta ideal do Rei, mas sim da moça da limpeza, que tem olhos rápidos e imaginação certeira para perceber os pequenos bichos e brincar com eles um jogo eterno de busca e conversação.
Para se chegar em Dublin por mar é preciso cruzar as Simplégadas, rochas enormes que devoram os navegantes e que dizem ser monstros. Não acredito: já são muito terríveis sendo apenas rochas, não é preciso imaginar muito para ouvir seu ronco surdo eos ruídos crepitantes dos naufrágios.
Próximo às Simplégadas fica o estreito escuro, uma faixa do Oceano encoberta por treva, que faz perder o melhor dos navios, guiado pelo melhor dos heróis. Dizem que se algum humano cruzar o véu de escuridão, ele se romperá e se fará o dia novamente por aquelas águas; nenhum deve ter conseguido, pois ainda é possível enxergar de longe o estreito escuro, impedindo a rota para a Esperança, a cidade onde poucos caminhos vão dar.
Esperança é uma cidade linda. Encrustrada na rocha vermelha, ela olha a paisagem colorida se transformar durante o dia: de manhã os campos são lilases e o céu claro e azul, de tarde ela é verde e amarela, e ao pôr do sol o mar se tinge de vermelho-rubro e cobre o mundo de sentimentos impressionantes.
Em Esperança habitam rapazes altivos e serenos, que aos sábados são levados ao porto pelo burgomestre para exercícios navais. Todos sonham em liderar a priemira esquadra que sairá de Esperança e atravessará o estreito escuro, trazendo assim outros barcos para a cidade.
O burgomestre, vestido inteiramente de vermelho, ensina-os sobre as cordas e as velas e sobre quais ventos aproveitar e quais evitar. Quando vira de costas os rapazes começam a conversar sobre as moças e com quem iriam se casar. Não é raro saírem dali brigas e inimigos eternos. Mas tudo é tornado pior na segunda-feira, dia em que o burgomestre se veste de laranja e ocupa-se dos viajantes que chegaram à Esperança no domingo. Aproveitando os prazeres e a boa recepção da cidade, alguns dos estrangeiros cortejam as donzelas caladas e convidam-as para verem o mundo em sua companhia. Os rapazes, loucos de inveja, são obrigados a ficarem afasatados, treinando com suas espadas de madeira no campo próximo à cidade. Não é raro saírem mais machucados do que o esperado de exercícios.
Ao fim do dia, as moças vão se banhar no pequeno lago entre as rochas vermelhas e os rapazes as espreitam dos juncos na ravina. Escutam para saber qual viajante despertou-lhes o coração, de qual devem desconfiar e traçam planos e vinganças perfeitas.
É tudo inútil, pois no amanhecer do dia seguinte os viajantes recebem a carta de despedida e os rapazes voltam aos seus exercícios navais, sonhando mais uma vez em vencer as guerras, liderar a esquadra, conquistar as donzelas...

Rumo à Esperança


Na longa terra de Imil, as árvores conversam. Falam com vozes coloridas e cheias de fs e vs do vento. Lá todos entendem suas vozes e as mulheres carregam potes redondos e rubicundos de um lado a outro, de poço em poço e às vezes param pelas fontes para conversar e ajustar seus sáris coloridos. As trilhas de pedrinhas brancas são todos os dias percorridas por estas mulheres, que param em suas árvores conhecidas para conversar e deitar-lhes um pouco da água do pote, como uma oferenda.
Os habitantes de Imil temem somente os povos do leste, chamados de bárbaros Alacoas. Eles esperam que a grande cerca verde os protega do povo das estepes, que a floresta permaneça intacta e dure enquanto durarem os assaltos bárbaros.
Mas não se deve condenar tão rapidamente assim os Alacoas. Podem comer carne crua em campanhas e ter uma preledição por destroçar outros humanos, de preferência em cerimônias públicas e festivas; mas também devem ser lembrados como aqueles que fundaram a primeira biblioteca nômade, partindo de um antigo espólio de guerra. Foi na época em que o rei Nicomedes, da Bitínia, cosntruíra sua Bibliothéka Fantasticae, dias antes de Atal Huapa, líder dos bárbaros das estepes, chegasse de surpresa à capital e saqueasse todos os livros que pudera carregar. Desde então, os alacoas vêm carregando o volumoso espólio, sem que fosse feito (deve-se ser grato aos bárbaros neste ponto) nenhum uso indevido dos livros, como queimar as folhas em suas fogueiras cruéis ou costurar roupas com o couro de suas capas.
Rei Nicomedes caiu junto a sua Bibliothéka. Os bárbaros tomaram a Bitínia, vendendo seus habitantes como escravos para a poderosa esquadra de Jânio, a cidade dona do mar. Os escravos desfilaram pela Avenida das Pontes, cruzando Jânio do porto ao palácio da república, sob o olhar circunspecto dos senadores e o grito alegre da população que se aglomerava entre os canais e pontes da cidade para verem passar os estrangeiros.
Todos em Jânio estavam na Avenida das Pontes naquele dia: desde os filhos dos príncipes olhando invejosos das janelas até os humildes carpinteiros navais misturados à balbúrdia coletiva. Diz-se que Jânio já estava entrando em sua decadência, que quanto mais maravilhosa e alegre fosse sua festa de conquista, mais armas e pólvora se precisava depositar nos porões dos navios de guerra, mais sujeira se alastrava pelas ruas e mais infelicidade nos outros dias do ano.
A decadência de Jânio parecia maravilhosa, com todos seus habitantes e estrangeiros de reinos subordinados espalhados na comemoração que percorreu o Mar do Meio como uma onda de júbilo, um último suspiro contente de uma nação velhaca e pobre.
Só os sábios não foram, trancados em sua Torre Pétrea, na ilhota Isabel, próxima ao canal maior de Jânio. Ficaram discutindo as lendas e a geografia do mundo e chegaram à conclusão de que Adama existia enquanto Cibele não, dado que seus narradores eram confiáveis ou mentirosos. Abluma, o passageiro, narrador da cidade de Adama, era considerado confiável porque as mentiras que contava em seu relato eram de natureza econômica e mercantil, portanto não havia razão para que inventase uma cidade e um lago onde fora negociar quando garoto.
De fato, Adama existia às beiras de um lago azul resplandescente, próxima à montanhas que pareciam púrpuras ao pôr do sol. Diziam os pacíficos habitantes que eram nessas montanhas que moravam os dragões e as fênixes das lendas. Todo ano, durante a primavera, quando a cor púrpura se transformava em um rosado florido, as crianças de Adama tinham permissão para passear pelas trilhas e sendas da montanha. Era na primavera que os dragões dormiam, e as crianças voltavam para casa à salvo e contentes. Traziam consigo as raras e preciosas frutas-esmeralda, que só poderiam ser colhidas pelo coração puro de uma criança. Os pais enviavam seus filhos todos os anos às montanhas, na primavera, quando ficariam a salvo das criaturas mitológicas, e no final da tarde recolhiam com avidez as frutas-esmeralda, que iam parar direto nas cargas dos mercadores de Adama. As crianças tombavam exaustas depois de um dia de diversões na montanha, cheio de competições e brincadeiras, em um território no qual os adultos não podiam entrar; por sobre a obrigação imposta pelos pais gananciosos, as crianças criavam um mundo só delas, com leis e regras de brincadeiras e liberdade, um reino que cheirava a flores e lavanda, e que percorria as sendas das montanhas e suas plantas secretas.
As flores-esmeralda eram levadas pelos mercadores internacionais sobre o lombo de bois e mulas até a Estrada do Passadeiro, que se dirigia em uma linha reta até Esperança, a cidade para onde vão, sem saber, todos os caminhos.
Esperança é uma cidade linda, com grandes portões esverdeados e sinos repicando nas catedrais. Todo domingo, o burgomestre se veste inteiramente de verde e recolhe os viajantes que foram dar na cidade. Oferece um banquete em homenagem aos jovens perdidos e conta as mais variadas histórias e casos, rindo debaixo de seu bigode castanho e apontando para todos seus dedos roliços e contentes.
Lindas moças moram em Esperança, com tranças cuidadosamente feitas e vestidos claros. Recebem os viajantes em silêncio solene e contido: muitas não falam por promessas, geralmente amorosas e juvenis; e mudas permancem até a saída do viajante, pois este deve sempre abandonar Esperança.
Uma hora ou outra (mas sempre na terça-feira) chega uma carta - como são eficientes os carteiros dessa cidade! - e avisa, sem devaneios, que a Hora chegou. O viajante, que neste momento não pensa em mais nada senão na sua cidade querida e nas jovens caladas, percebe que a estrada está logo ali e que não é mais bem vindo.
O burgomestre se despede, desta vez vestido de azul, e promete que tempos bons virão para aquele que, ao menos uma vez na vida, esteve em Esperança, a cidade que fica no fim de toda estrada.

terça-feira, agosto 07, 2007

Nada mais

Ultimamente venho lendo muitos livros, sobre livros e história principamente. Talvez por isso os blogs me pareçam tão.. obsoletos.

Perdi a vontade de escrever aqui.

Tenho que dizer que, quando leio no computador, as letras me parecem diferentes, como se eu não as conhecesse mais e não pudesse formar palavras.

terça-feira, julho 31, 2007

Então vamos

- Não faz muito sentido para mim.
- He he, você que não entendeu nada...

quinta-feira, julho 19, 2007

Pás e mós

A névoa não a deixava ver a casa escura. O som do moinho funcionando era ininterrupto e ocupava toda a noite.
E, claro, aquele som de vento escuro.
Testrel andou bem devagarzinho, com medo de acordar os espíritos assustadores que saíam de noite. Ela sabia de cor todos os demônios: gigantes, lobos, fantasmas, duendes, kremlins, vampiros, mortos-vivos, bruxas, trolls. Tinha medo de todos eles.
A mó girando dentro do moinho quase parecia cantar uma canção assustadora, que fazia Testrel se agarrar mais ainda ao seu casaco pensando no que poderia atacá-la a qualquer momento.
- Por que saí de casa?, se questionou. Não tenho que ajudá-lo, posso muito bem voltar para minha cama e dormir quente e segura.
Mas de novo ela se lembrava do sonho.
Era muito, muito escuro enquanto ela sonhava, o que talvez fosse um reflexo do lugar cinzento e assustador em que ela morava. A charneca de Saltzen não era colorida, e muito menos agradável: todos os seus moradores conheciam a sobriedade da paisagem e atribuíam seu silência a ela. Eles, inclusive Testrel, quase não falavam nada durante o dia. Cozinhavam, plantavam, colhiam e coziam e total silêncio.
Só o moinho girando, girando e o vento escuro que varria as encostas de Saltzen.
Ocasionalmente em sua caminhada noturna, a jovem Testrel escutava um rangido de madeira vindo das casas da vila. Poderia ser alguém se movendo? Um espírito maldoso espreitando? A medida que ela se afastava de sua casa o som da respiração de seus pais dormindo ia desaparecendo e o som de uma certa casa rangendo ia tomando conta de seus ouvidos.
Pssou o caminho central, margeado por todas as casas da vila. Passou as árvores sem folhas, de onde se dizia que os corvos sonoros vigiavam as pessoas. Passou o moinho em seu rangido constante. E, por fim, passou o portão velho e quase oculto pela névoa que a levava direto para a casa escura. Logo o feiticeiro empoeirada estaria audível, em seu gemido doloroso e febril.
Testrel subiu os degraus escondidos pela sombra e empurrou a porta pesada. Apesar de se esforçar bastante, não conseguiu conter um altíssimo rangido das dobradiças.
Imediatamente escutou a voz do bruxo recitando seus elementos magicos.
- Mercúrio e Platina. Ouro e prata. Terra, fogo, água e ar. Os antigos sabiam, o conhecimento foi banido e o triângulo perfeito perdido. Mas sim, eles sabiam.
- Bruxo?, perguntou bem baixinho Testrel antes de entrar no aposento que funcionava como quarto da casa escura. Sou eu, Testrel. Posso entrar?
- Quem está aí? É a garota? Santo Deus dos bruxos, magos e alquimistas, como você demorou!
- Não estava conseguindo encontrar, respondeu baixinho, com vergonha do olhar zangado vindo do velho. A roupa dele estava mais suja do que nunca, cehia de poeira e marcas de tinta; Testrel nunca soube como ele se sujava tanto naquela casa abandonada, parecia que quando ela virava as costas ele se jogava no chão e rolava no tapete puído.
- Me dê, me dê, pediu o bruxo, de olhar ávido, estendendo suas mãos com unhas compridíssimas para a garota.
Testrel tirou do bolso uma pedrinha pequena e colocou-a nas palmas impacientes do velho.
- Tem certeza de que é está? ele perguntou. Procurou direitinho, como eu pedi?
- Sim, eu fiz o que você me pediu, palavra por palavra. Essa foi a que eu achei mais interessante.
- Seguiu direitinho minhas instruções?
- No começo achava que... disse Testrel intimidada pela curiosidade séria do bruxo. Achava que seria impossível, que era bobagem. Mas quando encontrei essa pedrinha eu entendi o que você quis dizer. Eu usei a intuição.
- Acha que era bobagem? zangou-se o velho. Pois saiba que este confiabilíssimo método foi estudado vezes e vezes na Academia Arcadiana e eu mesmo li os perdidos pergaminhos que relatavam o experimento Alântico quando eu era jovem. Me lembro de cada palavra e foi fielmente que reproduzi as instruções para você. Agora me diga, quero ter certeza: essa foi a pedra que você escolheu, que a sua intuição indicou com toda a força. Pois me diga se você tem certeza.
- Tenho sim senhor. Acho que é essa a pedra.
- Acho?! Pois não pode achar! O que foi que eu falei?! Tenha certeza, cer-te-za! É essa a pedra?
Testrel permaneceu parada, sem saber o que responder.
- Arriscaria a sua vida por essa pedra? perguntou novamente o bruxo.
O som do moinho moendo durou todo o tempo que Testrel levou pensando.
- Sim, ela disse por fim, Eu acredito que essa é a pedra certa e acredito que não me enganei.
O bruxo olhou-a desconfiado e guardou a pedra na palma da mão.
- Agora o feitiço está completo, ele sorriu, mostrando dentes terríveis.
Testrel esperou enquanto o velho falava sozinho e se levantava da cama quente. Esperou enquanto ele saía de cabeça baixa, com muito medo de que tivesse esquecido da promessa.
No meio dos resmungos o bruxo virou-se para ela e disse:
- Ah sim, nosso acordo.
- Eu gostaria que você trouxesse o Keter de volta, pediu Testrel.
O bruxo torceu a cara.
- Então está certo. Vamos até o velho moinho se é isso que você quer - E, com surpreendente agilidade para seu corpo velho e fraco, ele saiu pela porta e entrou na noite fria, balançando sua roupa agitado.
Testrel seguiu-o com um pouco de medo. Entraram no moinho rangente e passaram pelo moleiro, um velho que os encarou por pouco tempo e continuou em silêncio, como se nada tivesse acontecido.
O bruxo parou diante da mó e jogou pó de feitiço pelo chão. Disse as palavras mágicas que começavam todos os feitiços, em um língua desconhecida e melodiosa. Testrel teve muito medo quando ouviu seu nome entre as palavras, além do nome de Keter, se amigo.
A mó começou a emitir um rangido diferente, agudo e medonho.
Testrel começou a rezar, como sua mãe havia ensinado para afastar os fantasmas e maus espíritos. Talvez não tivesse sido uma boa idéia.
O bruxo esfregou a pedrinha nas mangas e nos equipamentos. O velho moleiro parecia ter desaparecido de lá, para não presenciar o sortilégio escuro.
Então, o moinho inteiro se encheu de uma fumaça colorida e de cheiro forte de ervas. O velho bruxo parou seu feitiço e agarrou a pedrinha em suas mãos, enquanto seu rosto empalidecia até ficar mais branco que cera de vela.
Diante de Testrel, a fumaça se transformou em uma linda e altiva mulher. Apontando seus dedos compridos para o bruxo ela proclamou em uma voz que demandava obediência:
- O que pensa que está fazendo velho paspalho?
O bruxo caiu de quatro no chão, desfiando desculpas. Testrel observou a Feiticeira com assombro e um misto agudo de admiração e medo.
- Não se preocupe querida - a mulher disse para ela - Esse tonto não irá fazer mais nada de ruim. Agora, porque você não me mostra onde arranjou esta pedrinha tão bonita?
Sua voz era tão agradável e tão deliciosa que Testrel não conseguiu conter um sorriso e segurou a mão da Feiticeira. As duas saíram para a noite escura, diante do olhar aterrorizado do bruxo. Era o olhar daqueles que se sentem injustiçados, mas que sabem-se fracos demais para reclamar para si.
O moinho estava silêncioso. Tão silencioso quanto o resto da vila, envolta na fria névoa do fim de março.